Meio Bit » Segurança » Dois casos aonde falar demais foi horrível pro esforço de guerra

Dois casos aonde falar demais foi horrível pro esforço de guerra

Sigilo é essencial em uma guerra, mas em alguns casos gente em altos postos dá com a língua nos dentes, com terríveis consequências.

41 semanas atrás

Em guerra ganha quem erra menos, mas também ganha que sabe ficar com a boca calada. Isso é ensinado em todos os níveis, mas há alguns casos aonde o sujeito está em uma posição hierarquicamente elevada, e simplesmente não entende o risco de abrir a boca.

cartazes de guerra

A propaganda de guerra martelava o tempo todo: Fique calado. (Crédito: Domínio Público)

Na Segunda Guerra Mundial isso aconteceu várias vezes, mas podemos citar dois casos didáticos.

O foco desses casos é que o ego dos sujeitos é muito grande. Eles gostam de soltar informações de bastidores pra mostrar o quanto eles são conectados, como são importantes.

O primeiro caso foi durante a Guerra no Pacífico. Mesmo com os problemas nos torpedos Mark 14, os submarinos americanos estavam conseguindo sucesso contra os navios japoneses, e eram eficientes em fugir dos contra-ataques.

O segredo é que a inteligência japonesa não obteve dados confiáveis sobre a profundidade que os submarinos americanos conseguiam atingir. Os dados deles eram antigos, não levavam em conta os avanços de engenharia dos últimos anos.

Em essência os japoneses lançavam as cargas de profundidade programadas para detonar a uma profundidade bem mais rasa do que aonde os submarinos estavam.

Alguém comentou isso com esse idiota aqui:

usando o alt para reforçar, esse foi um dos maiores idiotas da guerra.

Um idiota. (Crédito: Biblioteca d Congresso)

Andrew J. May era um deputado Democrata que fez uma daquelas visitas de políticos a uma base da Marinha no Pacífico, quando voltou organizou uma coletiva de imprensa para contar o que viu, e para mostrar que tinha acesso a informação sigilosa, contou que os japoneses não afundavam os submarinos americanos porque eles navegavam mais fundo do que os japas imaginavam.

Os jornalistas, que também tinham zero escrúpulo em divulgar informações sigilosas, correram para publicar a informação, que saiu até em jornais do Hawaii.

Em poucos dias os japoneses estavam ajustando a profundidade de suas cargas idem, e a vantagem americana foi por água abaixo.

A Marinha ficou pucta nas calças, claro. O Vice-Almirante Charles A. Lockwood estimou que pelo menos 10 submarinos e 800 vidas foram perdidas por causa do deputado boca-mole.

Hiroshi Ōshima – detalhando a guerra pro inimigo.

É um pouco injusto comparar Ōshima com o Deputado May, mas ele foi talvez mais eficiente e destrutivo, mesmo que tecnicamente não tenha sido culpado.

Ele era um tipo raro de japonês, o tipo que falava alemão fluente, e embora fosse apenas um Coronel, foi alçado ao cargo de Embaixador do Japão na Alemanha. Ōshima era a figura perfeita para a posição durante a Guerra. Ele era fã entusiasmado do nazismo, adora conspirar com os alemães e tinha planos até para matar Stalin.

A guerra cria estranhos companheiros de cama, metaforicamente (espero) falando

Hitler e Ōshima, dois bons amigos. (Crédito: The Hitler Archive)

Por causa dessa afinidade com Hitler Ōshima tinha acesso a todo tipo de informação militar, e como bom Embaixador, compartilhava tudo com seus superiores em Tóquio. Usando criptografia, claro. Um dispositivo parecido com uma Enigma, com o codinome de PURPLE.

Em quatro anos ele mandou mais de 1500 mensagens, todas longas e detalhadas, Bombardeios de cidades alemães eram descritos em detalhe, com todos os números de baixas, prédios atingidos, etc.

PURPLE, máquina de criptografia japonesa usada na guerra.

PURPLE. (Crédito: Cryptocellar)

Ele confirmou eventos como a morte do Almirante Yamamoto, mais rápido do que as fontes dos aliados no Japão.

Em 1943 ele visitou a Muralha do Atlântico, as defesas na Normandia com as quais Hitler planejava deter uma invasão aliada. Essa mensagem em particular consumiu 20 páginas, com todos os detalhes de armas, bunkers, guarnições, rotinas, etc.

Só havia um problema: Os americanos haviam decifrado o PURPLE em 1940, antes mesmo de entrarem na Guerra. Os alemães avisaram a Ōshima que o PURPLE não parecia confiável, mas nem ele nem seus superiores deram bola.

Para piorar as mensagens também eram interceptadas por Moscou, os russos haviam obtido os códigos japoneses por outros meios. No final os Aliados recebiam as mensagens de Ōshima antes mesmo de seus mestres em Tóquio.

Ops.

Leia mais sobre: , , .

relacionados


Comentários