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Porto Rico quer reconstruir radiotelescópio de Arecibo

Governadora de Porto Rico aprova orçamento de US$ 8 milhões para início das obras de reconstrução do radiotelescópio de Arecibo

04/01/2021 às 12:23

A destruição do radiotelescópio de Arecibo em dezembro de 2020, após anos de descaso e penúria, pode não ser o fim da história afinal. De acordo com o site El Nuevo Dia, a governadora de Porto Rico Wanda Vázquez autorizou um orçamento emergencial de US$ 8 milhões, para dar início às obras de reconstrução das instalações.

Estado em que ficou o disco refletor após queda da plataforma (Crédito: Ricardo Arduengo/AFP/Getty Images)

Estado em que ficou o disco refletor após queda da plataforma (Crédito: Ricardo Arduengo/AFP/Getty Images)

A má fase de Arecibo começou em 2005, quando a Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos (NSF), agência independente que promove o ensino fundamental e a pesquisa em todos os campos da Ciência e Engenharia não relacionados à medicina, o que inclui astronomia, cortou investimentos diretos para as instalações do observatório, um complexo que incluía o radiotelescópio de 305 metros de diâmetro.

Originalmente administrado pela Universidade de Cornell, o observatório foi repassado para a Universidade Central da Flórida em 2011, mas a situação em nada mudou. Sem verba até mesmo para manutenções periódicas, as instalações começaram a se deteriorar com o tempo, até que em agosto de 2020, um dos cabos auxiliares que sustentavam a plataforma de instrumentos se rompeu, causando a queda de mais de 6 toneladas de aço sobre o refletor, abrindo um buraco de 30 metros na estrutura e danificando o Domo Gregoriano.

Em novembro um segundo cabo se rompeu, desta vez sob uma tensão de apenas 283 toneladas, quando originalmente ele fora projetado para aguentar até 544 t. No relatório, a NSF concluiu que o radiotelescópio estava além de reparos, não era seguro nem para suportar uma reforma, e seria descomissionado.

O consenso é que Arecibo iria desabar a qualquer momento, o que de fato ocorreu em 1º de dezembro de 2020.

Só que há um detalhe: o Observatório de Arecibo como um todo é uma das maiores atrações turísticas de Porto Rico, e foi um de seus cartões postais por quase 60 anos. Oficialmente a NSF não diz o que irá fazer, "não descarta nenhuma possibilidade", mas ao mesmo tempo não esclarece quais serão os próximos passos, se recuperar o radiotelescópio ou mover o observatório inteiro para outro lugar, até mesmo retirá-lo da ilha.

E isso a governadora Vázquez não está disposta a permitir. Através de uma ordem executiva, a reconstrução do radiotelescópio de Arecibo foi definida como política pública, permitindo a alocação de uma verba inicial de US$ 8 milhões para o início do processo de reconstrução. Na prática esse valor é irrisório, mas é um começo e sinaliza o interesse local em manter o observatório.

Seja por respeito à Ciência ou por política, o resultado será o mesmo e mais, será um recado mandado do quase 51º estado norte-americano para o continente, no que poderá motivar mais investimentos da iniciativa privada e do governo.

Em nota ao site Engadget, um porta-voz da NSF disse que a agência não comenta sobre planos futuros para Arecibo, mas disse que o processo de financiamento e construção de instalações científicas, o que inclui observatórios e telescópios, é um procedimento que envolve "avaliar as necessidades da comunidade científica, receber contribuições de pesquisadores e outras partes interessadas, considerar os impactos ambientais e culturais e trabalhar com o Congresso dos EUA", e que tudo isso leva anos.

O porta-voz completou dizendo que a NSF "continuará trabalhando com o Congresso" e que "o observatório continua funcionando", dando a entender que o ato da governadora de Porto Rico não irá mudar os procedimentos-padrão da agência, nem vai queimar etapas.

No mais, só nos resta aguardar pelos próximos capítulos dessa história.

Crédito: El Nuevo Dia (em espanhol), Endadget

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