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Reino Unido vai investigar compra da ARM pela Nvidia

Autoridade para a concorrência do Reino Unido irá analisar se compra da ARM pela Nvidia representa risco para empresas britânicas

42 semanas atrás

A compra da ARM pela Nvidia deve passar por diversos escrutínios em 2021, antes de ser efetivada. Em setembro de 2020, o governo chinês deu indícios de que poderia barrar a aquisição, e agora, a CMA (Competition and Markets Authority, ou Autoridade de Concorrências e Mercados) do Reino Unido, autarquia responsável por analisar casos do tipo, irá investigar a compra.

Sede da Nvidia em Santa Clara, Califórnia (Crédito: JHVEPhoto/Getty Images)

Sede da Nvidia em Santa Clara, Califórnia (Crédito: JHVEPhoto/Getty Images)

A compra da ARM pela Nvidia, até então uma divisão do Grupo SoftBank, foi orçada em US$ 40 bilhões e é uma das maiores no cenário de tecnologia dos últimos anos, e criaria um dos maiores conglomerados do setor, respondendo principalmente pelo fornecimento da arquitetura ARM para uma infinidade de clientes, a princípio empresas que imprimem chips.

A Nvidia é uma empresa "fabless", ou seja, não imprime seus próprios chips, tarefa que fica à cargo da TSMC, que tem clientes como Apple, AMD, Broadcom, MediaTek, Qualcomm, HiSilicon e várias outras, todas também sem uma linha de impressão própria.

O temor dos reguladores é de que com a aquisição, a Nvidia se torne um monopólio devido a dependência da arquitetura ARM por seus concorrentes, ainda mais agora que a divisão apresentou produtos voltados para desktops, com a intenção de disputar o mercado da Intel (que se complica com seus chips há anos) e AMD.

Há também a possibilidade de que com a mudança de nacionalidade da ARM, de uma empresa britânica para norte-americana, ela se torne uma divisão fechada e seja considerada até mesmo estratégica pelo governo dos Estados Unidos, contrariando a declaração inicial de que o licenciamento aberto da arquitetura seria mantido.

Por essas e outras que o governo chinês demonstrou que irá barrar a compra da ARM pela Nvidia, visto que o processo deve ser aprovado em comissões antitruste de diversos países e regiões para ter validade.

A Comissão Europeia também tem poder de veto, e embora não tenha se posicionado oficialmente sobre o caso, há quem se manifeste para que o bloco impeça a aquisição.

Processador ARM Cortex A-15 (Crédito: Divulgação/ARM)

Processador ARM Cortex A-15 (Crédito: Divulgação/ARM)

O que nos traz ao Reino Unido, recentemente desmembrado da União Europeia. Até recentemente, era a Comissão Europeia a autarquia responsável por cuidar deste caso no que diz respeito ao país, mas após a conclusão do Brexit, a responsabilidade passou para a CMA, que irá lidar com a situação.

Em nota oficial, o órgão informa que teme um cenário onde a Nvidia reajuste os preços de licenciamento da arquitetura ARM, ou bloqueie o acesso a concorrentes diretos, o que pode prejudicar empresas de tecnologia britânicas de vários setores.

Segundo a executiva-chefe da CMA Andrea Coscelli, a arquitetura ARM é "crítica" e "empregada em produtos que usamos todos os dias", e por conta disso, a autarquia irá analisar o caso com outras agências antitruste, o que inclui as comissões norte-americana, europeia e chinesa.

Oficialmente, a Nvidia diz que o quartel-general da ARM será mantido no Reino Unido e irá expandir seu quadro, para contratar mais profissionais locais, mas não é possível assegurar que tais promessas serão de fato cumpridas, dependendo do que acontecer nos Estados Unidos nas próximas semanas.

Assim, a compra pela Nvidia deverá ser analisada ao longo de 2021 e deve demorar a ser concluída, o que em casos normais pode levar até 18 meses.

Crédito: GOV.UK, BBC.

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