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Google se rende à França e vai pagar para publicar notícias

Pela primeira vez e após anos de briga, Google concorda em pagar a agências de notícias para republicar artigos em seus serviços

16 semanas atrás

Os tempos estão mudando no Google. No passado, a companhia se recusava veementemente a pagar a agências de notícias pela veiculação de links e uso de artigos em seus serviços, do motor de busca ao Google Notícias, e quando foi obrigada a fazê-lo por força de lei, como aconteceu na Alemanha e Espanha, ela retaliou ou tornando a participação opt-in, ou removendo todas as indexações.

O resultado foi catastrófico... para os jornais.

A França seguiu pelo mesmo caminho, e implementou uma lei similar, que para surpresa de todo mundo foi acatada pelo Google, que fechou acordos com agências locais pela primeira vez.

Jornais diversos (Crédito: kalhh/Pixabay)

Jornais diversos (Crédito: kalhh/Pixabay)

O cabo de guerra entre o Google e as agências de notícias é antigo, e obviamente envolve dinheiro. Sites, jornais e portais nunca gostaram que Google, Facebook e etc fossem livres para veicular seus artigos ou mesmo publicar os links de suas matérias, sem que isso revertesse um único tostão para os autores e/ou detentotes dos direitos autorais.

Mountain View sempre usou o alcance do Google Search como seu principal trunfo, as empresas dependem dele para serem acessadas, e assim, ele deveria ser pago (através de anúncios) e não o contrário.

As agências sempre viram a política do Google, Facebook e cia. ltda. de fazerem dinheiro com conteúdo alheio algo inadmissível, e dessa forma, as companhias deveriam ser obrigadas a pagar por cada link de redirecionamento, ou artigo publicado em suas redes e portais. Rupert Murdoch, diretor executivo da News Corp., é um dos que defendem com unhas e dentes a remuneração dos portais, por parte das empresas tech.

Só que a Comissão Europeia em geral não vai com a cara do Google, principalmente por conta da visão tolerância zero da comissária linha-dura Margrethe Vestager. Em 2016, o bloco apresentou um projeto que foi posteriormente refinado e integrado à nova regulação de direitos autorais do continente, aprovada em 2019. Sob entendimento da UE, veículos como Google, Facebook e cia. são obrigados a pagar por cada link e matéria que vierem a veicular.

A França tratou de aplicar as normas em 2020, determinando que o Google especificamente passasse a pagar às agências pela indexação e veiculação. A princípio a gigante não queria desembolsar um centavo sequer, e deu a entender que tomaria medidas similares às postas em prática na Alemanha e Espanha.

O azar do Google, Facebook e outros é que a filosofia do seu Barriga é geral, o aluguel será cobrado em toda a Europa quer queiram ou não. O Google entendeu que não importa o quanto argumentem, o entendimento da Comissão não vai mudar e Vestager, na posição de autoridade reguladora mais poderosa do mundo, é absolutamente inflexível.

Remover todos os links e artigos de veículos de mídia de toda a União Europeia seria a opção lógica para o Google, como forma de forçar uma renegociação, mas considerando como o vento sopra no Velho Mundo, isso só causaria mais problemas e renderia mais processos contra a empresa, e vale notar, ela não ganhou nenhum até hoje contra a Comissão Europeia, sendo derrotada em todos.

Além disso, tirar as indexações afetaria o caixa do Google, visto que mais de 90% da renda da companhia vem de anúncios em seu motor de busca. Apagar as luzes de um continente inteiro afetaria os jornais e portais locais, sem dúvida, mas também a si própria, algo que não agradaria seus acionistas.

França neste momento para o Google (Crédito: Reprodução/Python (Monty) Pictures/Columbia/Tri-Star/Sony)

França neste momento para o Google (Crédito: Reprodução/Python (Monty) Pictures/Columbia/Tri-Star/Sony)

Dessa forma, ainda em 2020 o Google anunciou que se submeteria às novas regras estabelecidas pelo governo francês, e agora, fechou um acordo com a Alliance de la presse d'information générale (APIG), o lobista qe representa veículos locais, para a negociação de pagamentos referentes à publicação de artigos no Google News.

Cada veículo poderá negociar individualmente, e quesitos como número de visitantes mensais, teor dos textos (assuntos gerais ou de cunho político) e quantidade diária de publicações serão levadas em conta nos cálculos.

O acordo também determina que as agências e portais terão acesso ao Google News Showcase, e poderão publicar artigos completos ou parte deles, de forma a forçar o visitante a acessar o site e ler o resto da matéria. Sites com paywall poderão publicar alguns artigos de acesso livre, enquanto os demais permanecerão fechados.

As informações sobre com quem o Google negocia na França são em geral confidenciais, mas acordos já foram fechados com jornais como Le Monde e Le Figaro. No momento, as conversas com a Agência Francesa de Notícias (AFP) e revistas locais estariam em andamento.

Como o Google acabou se sujeitando na França, é provável que a companhia acabe fazendo o mesmo em outros países da Europa, que são regidos pelas regras da União Europeia. Por outro lado, não há qualquer indício de que a gigante das buscas faça o mesmo em outras regiões, Brasil incluso.

Crédito: Google Blog France (em francês), Reuters.

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