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O carro autônomo da Apple e a disputa com a Tesla

Primeiro modelo do carro da Apple pode não ter volante ou pedais, enquanto empresa se prepara para bater de frente com a Tesla

08/02/2021 às 10:27

Não é novidade que a Apple está desenvolvendo um carro elétrico desde 2017, e inúmeros rumores vêm circulando desde então. Para uma companhia com zero expertise na área, muita gente acha esquisito sua entrada em um mercado tão antigo e muitas vezes, com clientes cativos desta ou daquela montadora.

No entanto, o alvo da Apple não seriam montadoras tradicionais, mas sim as que são primariamente empresas de tecnologia, com plataformas diferenciadas. Sem surpresa, seu alvo prioritário seria a Tesla, e num primeiro momento, visando o mercado de carros 100% autônomos.

Não, o carro da Apple não será tão horrível assim (Crédito: Aristomenis Tsirbas/Freelancer)

Não, o carro da Apple não será tão horrível assim (Crédito: Aristomenis Tsirbas/Freelancer)

Na última semana, novas informações surgiram acerca do carro da Apple, de que ele seria voltado para a "ultima milha", ou seja, um raio de atuação mais restrito, e exatamente por isso, o primeiro modelo seria absolutamente autônomo, tal qual o carro do Google.

Ele sequer teria volante ou pedais, e seria equipado apenas com lugares para os passageiros. Você entra, diz para a Siri o destino e o carro segue. Há restrições severas de legislações e códigos de trânsito, em diversos países quanto a veículos que não oferecem a opção de controle manual, o que limitaria enormemente a área de atuação do "iCar".

Por outro lado, a Apple estaria considerando o modelo totalmente autônomo como um test drive: num primeiro momento, ele seria direcionado para serviços de transporte de passageiros e mercadorias, podendo ser usado como um robotáxi, ou como um transporte interno em empresas. É um tanto óbvio que o carrinho será usado em primeiro lugar no próprio campus da Apple em Cupertino, antes de ser adotado em outras áreas.

Os planos não seriam imediatos, a perspectiva é para que o primeiro modelo do "iCar" só saia da montadora em 2024, e este é outro problema. Inicialmente, a Apple estaria negociando com Hyundai e Kia Motors, para que a segunda fosse a companhia responsável pela produção do veículo, mas segundo informes da Bloomberg e Reuters, tudo não passou de rumores e ambas as partes não estariam discutindo o assunto.

Ao menos a Siri não vai tentar te acertar se não pagar a corrida, eu acho (Crédito: Reprodução/Carolco Pictures/TriStar/Sony)

Ao menos a Siri não vai tentar te acertar se não pagar a corrida, eu acho (Crédito: Reprodução/Carolco Pictures/TriStar/Sony)

Independente de qual seja a companhia contemplada para montar o carro elétrico autônomo da Apple, a perspectiva é que a iniciativa da maçã não represente uma real ameaça para as companhias tradicionais. Primeiro, as que produzem modelos populares não serão afetadas porque o tal veículo será fixado em uma faixa de preço premium, porque a Apple sabe muito bem que trabalhar para pobre é pedir esmola para dois.

Segundo, a empresa também não tem a menor chance contra montadoras de supercarros, como Aston Martin, Ferrari, Rolls Royce, Porsche, McLaren, Bugatti e cia ltda, pois seus consumidores compram o nome em primeiro lugar e depois o carro. Uma fabricante de celulares e computadores não os convencerá de que seu futuro e inevitável segundo veículo, com direção manual (e opção de autodrive), que deve surgir quando a Apple tiver aprendido o bastante com a versão 100% autônoma, vale seu dinheiro.

Por isso mesmo, o objetivo principal de Cupertino deverá ser tomar o lugar de destaque da Tesla Motors.

A companhia de Elon Musk ganhou espaço como uma opção alternativa ao mercado de veículos elétricos, livre dos vícios de décadas das montadoras tradicionais, o que lhes permitiu adotar uma estratégia diferente. Um Tesla é majoritariamente um computador com rodas e motor, e o "iCar" deve seguir a mesma lógica.

Hoje, um Model 3 custa em torno de US$ 25 mil com subsídios e sem firulas adicionais, sendo um modelo acessível de carro familiar. A Apple, no entanto, deve mirar no Model S, um sedã de tiozão que se comporta como um supercarro (0 a 100 km/h em 2 segundos), e oferecer um veículo numa faixa de preço próxima.

O Model S, que vende mais que supercarros na Europa, deve ser o alvo primário da Apple (Crédito: Divulgação/Tesla Motors)

O Model S, que vende mais que supercarros na Europa, deve ser o alvo primário da Apple (Crédito: Divulgação/Tesla Motors)

Vale lembrar que a Tesla também está investindo no setor de carros 100% autônomos, nos mesmos moldes que a Apple estaria considerando para o primeiro modelo de seu carro, mirando em serviços de robotáxi e entregas, sempre na "última milha", de modo a se manter alinhada com a lei.

Claro que a trajetória de ambas empresas é bem diferente, a Tesla hoje não pode se dar ao luxo de não produzir veículos acessíveis, o que explica a existência do Model 3, um modelo até bem acessível para o padrão de vida do americano médio, e considerando que o futuro será elétrico, por bem ou por mal. A Apple, por sua vez, é a companhia mais valiosa do mundo, e pode muito bem focar só em produtos de alto nível sem sofrer grandes prejuízos, se escorando na venda de iPhones.

Além disso, é importante notar que a Apple não possui uma linha de montagem própria, diferente da Tesla. Assim como já faz com a Foxconn e outras parceiras com seus demais produtos, a maçã fornecerá o design e especificações, além dos sistemas integrados que deverão ser 100% compatíveis com iOS, macOS, Siri e etc, e a montadora parceira (que a essa altura, ninguém sabe quem será) que se vire para atender às exigências.

Claro que estas são meras especulações de algo que pode demorar a acontecer, mas seria ingênuo pensar que Cupertino permitirá que a Tesla permaneça na frente como "a Apple do mercado automotivo" por muito tempo mais. A maçã não costuma entrar em um setor para ser a segunda colocada, e de certa forma, seu futuro carro elétrico (100% autônomo ou não) servirá para colocar pressão na Tesla. Concorrência é sempre bom, afinal.

Crédito: Ars Technica.

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