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Guerra dos consoles? Só se for por parte dos fanboys

Por muito tempo acompanhamos (e até fizemos parte) da famosa guerra dos consoles, mas para Reggie Fils-Aimé, indústria é mais unida do que pensamos

17/02/2021 às 10:47

É da natureza do ser humano gostar de romantizar histórias, fazer com que elas pareçam muito maiores e mais emocionantes do que realmente foram. No mundo dos games isso costuma ser feito em relação ao confronto entre as empresas, que para algumas pessoas deveriam ser ferrenhas rivais, com executivos cujo objetivo principal não seria fazer sua companhia crescer, mas sim destruir aqueles que estão do outro lado do muro. Porém, a dita guerra dos consoles realmente existe?

Mario & Sonic at the London 2012 Olympic Games (Crédito: Divulgação/Sega)

Pois na opinião do ex-presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aimé, a animosidade entre as pessoas que trabalham na indústria é algo que passa muito longe da realidade.  A declaração foi dada durante uma entrevista ao GamerTag Radio, onde ele tentou desmistificar um pouco esse conceito:

Por maior que a indústria seja, para os executivos neste negócio, todos nós nos conhecemos. Como executivos, compartilhamos uma refeição, como executivos podemos ter a necessidade de telefonarmos uns para os outros, conversar sobre problemas relacionados à indústria. Então, os fãs enxergam a, entre aspas, guerra dos consoles. A batalha. Veja, não se engane, cada executivo quer vencer. Cada executivo quer guiar seu próprio negócio, mas o fato é que esta é uma indústria muito pequena.

Eu gostaria que houvesse mais oportunidades públicas para mostrar a união da indústria.

Alguns poderão dizer que Reggie foi apenas político, que está tentando proteger seus ex-companheiros, mas basta olharmos para o passado recente para vermos que esse é um sentimento compartilhado por todas as fabricantes. De parcerias entre a Sony e a Microsoft para explorar os jogos pela nuvem, até uma feita entre estas duas e a Nintendo para tornar os ambientes online mais saudáveis, tem sido comum vermos as empresas se tratarem de maneira cordial.

O que também temos visto com frequência são executivos elogiando os produtos desenvolvidos pelos rivais e um dos que mais defende esta ideia de que a guerra dos consoles não é boa para ninguém, é Phil Spencer. Principal nome da divisão Xbox, ele chegou a afirmar que, “de um ponto de vista de inovação e modelo de negócios”, esta competição pode ser benéfica, mas quando isso passa para o nível humano ou punitivo, acaba impedindo que o setor cresça.

Uma guerra fabricada pelo marketing

Porém, não há como negar que por muito tempo foi interessante manter viva esta ideia de que a indústria estava em pé de guerra e até inflamar aqueles que adoram gastar seus tempos atacando cegamente a marca rival. Isso teve início no final da década de 80, quando a Sega contratou Tom Kalinske e ele conseguiu convencer os caciques da empresa de que seria preciso disparar uma ofensiva contra a Nintendo.

O que se viu a partir daquele momento foi uma campanha de marketing agressiva, onde a Sega tentava vender a ideia de que os jogos da concorrente eram feitos para crianças e apenas com um Mega Drive era possível ser cool. Aquilo fez com que a indústria de games fosse dividida entre duas partes, com um lado defendendo tudo o que a Sega colocasse no mercado, enquanto o outro seria capaz de dar a vida pela BigN.

Guerra dos consoles

Propaganda vista em qualquer revista americana de games na década de 90 (Crédito: Reprodução/Sega)

Mas se durante os anos que se seguiram este embate resultou apenas em algumas discussões mais ásperas na hora do recreio, com o passar do tempo aqueles que foram recrutados pelos departamentos de marketing da Sega e da Nintendo cresceram, com alguns carregando consigo aquele ímpeto em defender com todas as forças a sua empresa predileta. Nasciam ali os fanboys.

Ou seja, a guerra dos consoles até pode ter surgido como uma ferramenta para ajudar as fabricantes a alcançarem um público maior, mas esta é uma estratégia que há muito tempo foi deixada de lado e hoje os únicos que ainda teimam em adotá-la são aqueles incapazes de se divertir com um jogo independentemente da plataforma em que ele se encontra. Pode parecer absurdo falar que gente assim existe, mas basta dar uma rápida olhada nas redes sociais para perceber como eles adoram destilar seu ódio contra qualquer um que não faça parte do seu grupinho (leia-se, que jogue em outro console).

Isso sem falar nas oportunidades de negócios, já que a famosa Guerra dos Consoles abriu espaço para que livros fossem escritos, documentários fossem produzidos e toda uma linha de produtos chegassem às lojas, de adesivos a camisetas, dando origem a uma indústria que enxergou naquela disputa uma oportunidade de lucrar. Particularmente não vejo muito problema nisso, mas com os nervos estando cada vez mais inflamados, vez ou outra me pego pensando se chegará o dia em que seremos ofendidos na rua apenas por estarmos usando uma camiseta do Super Nintendo, do Sonic ou do PlayStation.

Espero que nunca cheguemos a este ponto, mas a verdade é que quando você estiver se preparando para disparar uma saraivada de ofensas pela internet, tudo por causa da guerra dos consoles (e que só existe na sua cabeça), lembre-se que enquanto isso os executivos de diversas empresas estarão reunidos... comendo, bebendo, conversando amistosamente e provavelmente até rindo das suas lamentáveis atitudes.

Fonte: TheGamer

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