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Conhecendo o fenômeno chamado Valheim

Mais novo queridinho dos games, Valheim é um jogo de sobrevivência viking que deixa de lado alguns paradigmas do gênero e agrada por apostar na diversão

18/02/2021 às 10:39

De tempos em tempos a indústria dos videogames é sacudida por uma nova febre, um jogo que chega sem muita divulgação, mas que rapidamente conquista a admiração de várias pessoas, tonando-se um grande sucesso. As vezes isso acontece com um título que inaugura um gênero ou subgênero, mas há também as produções que simplesmente dão uma oxigenada naquilo que já existia e o Valheim é um desses casos.

Valheim

Crédito: Divulgação/Iron Gate Studio

Desenvolvido pela Iron Gate, um estúdio sueco formado por apenas cinco pessoas, Valheim é um jogo de sobrevivência que chegou ao Steam no dia 2 de fevereiro de 2021 e mesmo ainda estando em estágio de Acesso Antecipado, conseguiu se tornar um dos maiores sucessos dos últimos tempos. No momento em que escrevia esse artigo, mais de 209 mil pessoas estavam aproveitando o jogo no Steam, com o seu pico diário tendo alcançado 374 mil pessoas.

Tais números por si só já seriam suficientes para demonstrar o quão adorado o título tem sido, mas é ao olharmos para a quantidade de cópias vendidas que temos uma melhor noção do seu sucesso. Até agora, mais de dois milhões de pessoas adquiriram o Valheim, desempenho mais do que suficiente para eliminar uma das maiores preocupações da equipe envolvida com a criação do jogo, que era conseguir bancar o seu custo de desenvolvimento.

Mas o que seria responsável por tamanho sucesso? Pois quando os próprios criadores admitem que não esperavam que a obra poderia chegar tão alto, a resposta para esta pergunta não é muito simples, mas ela pode começar pela própria ambientação: a tão adorada mitologia viking.

No jogo seremos um guerreiro morto em combate e que tem sua alma levada para Valheim, o décimo mundo nórdico. Lá nossa missão será fazer o possível para nos tornarmos cada vez mais fortes e assim termos alguma chance contra seres que se tornaram rivais de Odin, trazendo ordem ao lugar. Com a aventura se passando num enorme mundo gerado proceduralmente, nele poderemos explorar florestas, montanhas cobertas de neve e vastos oceanos.

Crédito: Divulgação/Iron Gate Studio

Uma pitada de complexidade

Mas assim como acontece em qualquer jogo de sobrevivência, em Valheim teremos que dedicar boa parte do nosso tempo coletando recursos que poderão facilitar nosso progresso. De pedaços de madeira para construir ferramentas a comidas para nos alimentarmos, a receita é seguida a risca no jogo, o que não quer dizer que o pessoal da Iron Gate Studio não tenha buscado maneiras de diferenciar sua criação de outros títulos do gênero.

Algo que tem chamado a minha atenção durante as partidas é o nível de complexidade entregue pelo “simulador”. Por exemplo, quando você for construir uma bancada de trabalho, descobrirá que para utilizá-la será preciso que ela esteja sob um teto, mas isso não é nada perto das exigências para podermos dormir. Como de costume, a cama precisará ser colocada dentro de uma casa, mas o lugar precisará estar aquecido por uma fogueira.

A grande sacada por parte do estúdio é que se não deixarmos uma saída para a fumaça gerada pelo fogo, ela rapidamente tomará nossa casa e nos causará dano. Além disso, teremos que encontrar uma maneira de proteger a fogueira da chuva e este foco no realismo pode ser visto também no fato de que teremos que tomar cuidado com a direção do vento para que os animais não sintam o nosso cheiro, ou na maneira como a gravidade afeta os objetos.

São pequenos detalhes, mas que contribuem muito para a imersão e que nos fazem ter que calcular bem antes de tomarmos algumas atitudes. Quer cortar uma enorme árvore para aproveitar sua madeira? Tudo bem, mas saiba que ela poderá  derrubar outras sobre a bela moradia que você acabou de construir ou até mesmo acabar com a sua vida num piscar de olhos.

Crédito: Divulgação/Iron Gate Studio

Uma sobrevivência menos punitiva

Contudo, ao mesmo tempo em que Valheim aposta na simulação, ele abre mão de algumas mecânicas típicas de jogos de sobrevivência, o que particularmente achei acertado. No purgatório viking não teremos que nos preocupar com sede, nem em termos que interromper o que estamos fazendo para procurar comida. Embora haja uma barra ligada a alimentos, eles servem para nos dar alguns benefícios, como aumentar nossa energia. Armas e itens que se desgastam com o tempo? Aqui eles também existem, mas para consertá-los basta visitarmos a bancada de trabalho e rapidamente deixá-los como novos, sem a necessidade de gastarmos recursos para isso.

Embora essas decisões de design possam ser vistas por algumas pessoas como facilitadoras (e realmente são), elas permitem que dediquemos nosso tempo a o que realmente é mais divertido: construir e explorar. Isso também ajuda a aproximar a aventura a um jogo de ação, além de torná-lo muito mais acessível a quem não está acostumado com títulos de sobrevivência ou que procuram uma experiência menos focada no gerenciamento de recursos.

Ao deixar de lado um dos aspectos mais chatos dos jogos de sobrevivência, Valheim brilha por mostrar que aquela fortaleza a que dedicamos tantas horas na sua construção não parecerá mais bonita ou imponente só porque tivemos que fazer seguidas pausas para comer, dormir ou ir ao banheiro.

Crédito: Divulgação/Iron Gate Studio

Some a isso a maneira como os chefes do jogo fazem parte fundamental do progresso, com os itens deixados por eles nos permitindo conseguir recursos que antes não estavam à disposição e fica mais fácil entender como a Iron Gates conseguiu implementar elementos de jogos single-player em um sandbox.

Mesmo contando com multiplayer para até nove pessoas, o que nos permitiria dividir as chatas tarefas de coletar comida, água, etc, acho louvável a desenvolvedora ter optado por focar na diversão e por mais que alguns prefiram algo mais hardcore, é bom ver um projeto que ousou romper com alguns paradigmas do estilo, fazendo com que a parte da simulação sirva muito mais para incrementar a experiência, do que para atrapalhar.

Um futuro muito promissor

Ainda é muito cedo para sabermos até onde o Valheim poderá chegar, com o interesse dos jogadores podendo até desaparecer na mesma velocidade que surgiu. Porém, os próximos meses prometem ser muito bons para quem já está encarando esta aventura viking e como dinheiro não deverá ser problema para a desenvolvedora, acredito que os novos conteúdos prometidos por eles deverão ser entregues.

E se acontecer, o jogo que já é muito bom deverá se tornar cada vez melhor, talvez até recebendo versões para consoles no futuro e assim mais pessoas deverão se render a este novo fenômeno dos games.

Enquanto isso, pretendo continuar explorando e conhecendo mais deste mundo fascinante, onde os gráficos possuem um charmoso estilo “3D antigo”, a diversão está em primeiro plano e as árvores podem ser mais perigosas que monstros gigantes.

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