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O drift em controles e o barato que sai caro (para os gamers)

Segundo o iFixit, drift em controles é um problema ligado a componente de baixa qualidade, usado por Sony, Microsoft e Nintendo

35 semanas atrás

Nova geração de consoles, novos controles sofrendo com drift, um bug em que o controle analógico continua enviando informações de movimento ao console, estando completamente parado. O problema se tornou notório recentemente com os Joy Cons e o controle Switch Pro do Nintendo Switch, mas ele também ocorre com o DualSense, o joystick do PlayStation 5, e com os novos controles do Xbox Series X|S.

Enquanto a Sony enfrenta um processo movido por consumidores nos EUA e a Microsoft tenta colocar panos quentes na situação, o pessoal do iFixit resolveu desmontar o DualSense e confirmou uma velha suspeita: ambas fabricantes vêm usando o mesmo componente, que detém a má fama de ser barato e medíocre, para poupar custos de produção.

Controle DualSense do PlayStation 5 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Controle DualSense do PlayStation 5 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A Sony vem atendendo todos os consumidores que tiveram problemas de drift com o DualSense, inclusive no Brasil, e realiza a troca do controle por um novo sem muito estresse. Nos EUA, entretanto, consumidores abriram processos formais contra a empresa, em busca de indenizações pelo transtorno causado.

É de se notar que o mesmo vem acontecendo com a Microsoft, em relação aos controles do Xbox Seres X|S, mas a empresa busca evitar que o caso seja levado à corte, enquanto tenta resolver a pendenga fora dos tribunais.

Afinal, qual é a origem do problema? O iFixit trouxe algumas ideias ao desmontar o DualSense, e identificou um componente conhecido nos potenciômetros usados.

Potenciômetro do DualSense é o mesmo presente no DualShock 4, Switch Pro e controles do Xbox One, Elite incluso (Crédito: iFixit)

Potenciômetro do DualSense é o mesmo presente no DualShock 4, Switch Pro e controles do Xbox One, Elite incluso (Crédito: iFixit)

Os dois controles analógicos utilizam cada um potenciômetro quase esférico, que apontam a posição nos eixos X e Y. Combinados, eles fornecem informações espaciais no eixo Z e diagonais.

Os potenciômetros fornecidos pela companhia japonesa Alps são conectados à placa do DualSense por um pequeno cabo flex nas pontas, que informam a resistência aplicada, e outro central, que é móvel e registra o movimento. Este ponto pode sofrer desgaste e riscar com o tempo, mas não é o único ponto fraco.

O potenciômetro em si possui uma mola, que força a alavanca para a posição original, que com o tempo, perde a tensão e passa a manter a mesa em uma posição diferente da original, o que é entendido pela placa como movimento persistente.

Por fim, elementos externos podem causar interferência, desde fragmentos de plástico e borracha do próprio controle, como sujeira externa, variando desde as mãos sujas do jogador, até mesmo fragmentos de pele que se desprendem e se acumulam com o tempo.

Controle Nintendo Switch Pro (Crédito: Divulgação/Nintendo)

Controle Nintendo Switch Pro (Crédito: Divulgação/Nintendo)

Drift não é problema recente

Ao contrário do que muitos pensam, o drift não é um problema exclusivo da geração atual. De certa forma, qualquer controle analógico está sujeito a desgaste por uso e interferência de elementos estranhos, de pó a sujeira das mãos do jogador, embora o potenciômetro da Alps seja notoriamente conhecido por sua péssima qualidade, o bug ocorria mesmo em controles de consoles mais antigos, do GameCube ao PS2.

A diferença é que os controles mais antigos apresentavam drift com muito menos frequência, e geralmente após anos de uso, o que era encarado como desgaste natural (o que faz sentido), ao invés de 2 meses de uso, como no caso dos Joy Cons, Switch Pro, DualSense e controles do Xbox Series X|S. Então, por que o bug se intensificou nos últimos anos?

Porque as fabricantes querem economizar na aquisição de componentes.

O potenciômetro Alps RKJXV Thumb Sticker foi adotado pela primeira vez no DualShock 3 em 2006, visto que a Microsoft optou um ano antes por um modelo diferente com o controle do Xbox 360. Só que a partir dali, o componente foi adotado no Gamepad e Pro Controller do Wii U, no DualShock 4, em todos os controles do Xbox One, no Switch Pro Controller, e mais recentemente, no DualSense e nos controles do Xbox Series X|S.

O motivo para o domínio da japonesa Alps em controles é simples, seus componentes são baratos e consequentemente, não são tão duráveis. O potenciômetro em questão possui uma vida operacional de 2 milhões de ciclos (movimentos), um número ridiculamente baixo, que segundo o iFixit, é atingido entre 4 e 7 meses de uso, jogando apenas 2 horas por dia.

Considerando que muita gente joga mais do que isso em média, é compreensível que os controles comecem a dar chabú tão cedo.

Controle do Xbox Series X|S (Crédito: Divulgação/Microsoft)

Controle do Xbox Series X|S (Crédito: Divulgação/Microsoft)

O problema se tornou generalizado e evidente graças a uma combinação entre a qualidade aquém do ideal do componente da Alps, e a necessidade de economizar na aquisição de partes na manufatura dos consoles e controles, de modo a lucrar mais na venda de cada unidade.

A pergunta que todos estão se fazendo, na possibilidade dos problemas do potenciômetro já serem conhecidos, por que Sony, Microsoft e Nintendo ainda mantiveram com o mesmo fornecedor? Mesmo com todos os problemas, ainda assim seria financeiramente vantajoso continuar com um produto ruim para dar dores de cabeça aos consumidores, e arcar com custos de substituição e até processos?

Segundo o iFixit, o drift nos atuais controles é um problema não apenas sem solução, mas que se tornará pior com o passar do tempo, ao menos enquanto as companhias insistirem em usar um componente de quinta categoria.

Assim, ao menos que os reparos sejam simplificados, ou no caso do Brasil, em que as relações comerciais são regidas pelo CDC, que Sony, Microsoft e Nintendo se responsabilizem e prestem assistência técnica aos consumidores.

Fonte: iFixit, ExtremeTech

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