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Aumento no roubo de carros? Vamos banir os jogos violentos!

Após ver o roubo de carros aumentar consideravelmente em Chicago, deputado decidiu propor uma lei para que jogos violentos tenham suas vendas proibidas

31 semanas atrás

Basta algo ruim acontecer no mundo real para que algumas pessoas se sintam no direito de (re)iniciar uma cruzada contra os jogos, principalmente os violentos. Este é um movimento que temos visto há muitos anos e seja pela vontade de aparecer, seja pela sua incapacidade em tomar uma medida que realmente resolva o problema, foi a estratégia adotada por um deputado norte-americano.

GTA 5 - Jogos violentos

Grand Theft Auto V (Crédito: Divulgação/Rockstar)

Representante da região de Chicago, Marcus C. Evans Jr. estava incomodado com a quantidade de carros que tem sido roubados por lá. Só em janeiro a cidade registrou 218 destes crimes e como políticos adoram seguir pelos caminhos mais fáceis ou criar ilusões para fazer o povo acreditar que eles estão fazendo algo, o Sr. Evans propôs uma polêmica emenda para uma lei que vigora desde 2012 no estado de Illinois.

Segundo o que já existia, não podem ser vendidos ou alugados para menores “jogos que permitam que o usuário ou jogador assuma o controle de um personagem que seja incentivado a perpetuar violência em que o jogador mate ou cause sérios danos físicos ou psicológicos a outro humano ou um animal.

A proposta do deputado é para que o trecho “cause sérios danos físicos ou psicológicos” seja alterado para “danos físicos ou psicológicos, abuso infantil, sexual, animal, violência doméstica, violência contra mulheres ou roubo de veículo motor com um motorista ou passageiro dentro dele quando o roubo começar.” Além disso, o desejo do político democrata é para que o acesso a estes títulos não seja limitados apenas a menores, mas à toda a população.

A projeto proibiria a venda de alguns desses jogos que promovem atividades com as quais vem sofrendo a nossa comunidade,” afirmou Evans. “O Grand Theft Auto e outros jogos violentos estão entrando na mente dos nossos jovens e perpetuando a normalidade do roubo de carros. O roubo de carros não é normal e o roubo de carros precisa parar.

Ainda sem uma data para ser votada, a ideia para a emenda HB3531 surgiu do filantropo Early Walker, criador de uma campanha chamada Operation Safe Pump. A intenção da iniciativa era enviar seguranças particulares para regiões onde os roubos eram mais frequentes, o que o teria levado a enxergar semelhanças entre os roubos que estão acontecendo em Chicago e aqueles vistos em jogos eletrônicos (?!).

Entidades saem em defesa da indústria

Sabendo que a notícia tem um enorme potencial para se tornar uma bola de neve, a Entertainment Software Association (ESA) correu para emitir uma nota, onde tenta desmistificar (mais uma vez!) a ideia de que os jogos violentos podem ter influência negativa nas pessoas. Ela diz:

Apesar da nossa indústria entender e compartilhar das preocupações sobre o que acontece em Chicago, simplesmente não existe evidências de uma ligação entre o entretenimento interativo e a violência no mundo real. Acreditamos que a solução para este complexo problema reside em examinar minuciosamente os fatores reais que impulsionam tais comportamentos, em vez de atribuir erroneamente a culpa aos videogames com base apenas na especulação.

Esta é uma posição semelhante a defendida pela American Psychological Association (APA), que em 2020 publicou uma carta reafirmando não existir provas de que os games interfiram diretamente no comportamento dos jogadores. Para a presidente da associação, Sandra L. Shullman, “a violência é um problema social complexo que provavelmente se origina de muitos fatores” e atribuí-la aos videogames “não é sólido cientificamente e desvia a atenção de outros fatores, como um histórico de violência.

No entanto, a APA admite uma pequena associação dos games com o aumento de agressões naqueles que jogam, como “gritos ou empurrões”, o que não quer dizer que tais comportamentos evoluirão para violência em graus mais perigosos.

Crédito: Divulgação/Warner Bros. Interactive

Mas independentemente de quem está certo nesta disputa, o fato é que a proposta de Marcus C. Evans Jr. dificilmente resultará no banimento desse tipo de jogos. Isso é algo que políticos norte-americanos tem buscado desde meados da década de 90, sendo que em 2005 a Califórnia até chegou a pedir a proibição da venda de jogos violentos.

Após criar uma lei para impedir que tais títulos fossem vendidos, o estado se viu no meio de uma enorme briga jurídica, com as empresas ligadas à indústria dos games vencendo a disputa em vários tribunais inferiores, até que em 2011 a Suprema Corte acabasse com todos os recursos. A justificativa estava na liberdade de expressão, já que para os membros da corte, “videogames grosseiramente violentos, programas de TV de mau gosto e romances e revistas baratos não são menos formas de linguagem do que A Divina Comédia, e as restrições a eles devem sobreviver a um estrito escrutínio.

Mesmo assim, não tenho a menor dúvida de que cedo ou tarde veremos outro político ou pessoa com alguma influência na sociedade surgindo com a proposta de que os jogos violentos precisam desaparecer. O que eles não explicam é: atrás do que iriam após cortar esse mal e perceberem que a violência não acabou? Afinal, a humanidade está se matando estupidamente desde muito antes dos videogames surgirem.

Fonte: Polygon

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