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Nvidia está finalmente lidando com o mercado louco das GPUs

Após anos de escassez e preços insanos por conta da mineração de criptomoedas, Nvidia traça planos na tentativa de normalizar o mercado

26/02/2021 às 12:15

A Nvidia pode estar enfim disposta a lidar com o descontrole imposto ao mercado de placas de vídeo, que desde a ascensão das criptomoedas se tornou um território inóspito para quem apenas quer o componente para seu PC gamer, mas não quer pagar o preço de uma moto em uma GPU.

Nvidia GeForce RTX 3090: R$ 24 mil, no mínimo (Crédito: Reprodução/Nvidia)

Nvidia GeForce RTX 3090: R$ 24 mil, no mínimo (Crédito: Reprodução/Nvidia)

O mercado de GPUs começou a degringolar para os consumidores finais, sejam eles gamers ou profissionais que precisam de uma placa gráfica potente para trabalhar, quando as criptomoedas entraram em evidência. Mineradores passaram a comprar lotes inteiros de GPUs para gerar moedas digitais, aumentando em muito a demanda e consequentemente, fazendo os preços escalarem exponencialmente.

Embora a Nvidia e a AMD sugiram preços mais ou menos comportados ao introduzirem novas placas no mercado, o mesmo não é seguido pelos lojistas, que fixam os valores nas alturas principalmente porque elas venderão de qualquer jeito. O problema é que a massa compradora são os mineradores, e não os consumidores comuns, que não conseguem arcar com os custos. E falando francamente, eles deixaram de ser o foco de muitos revendedores.

Hoje, qualquer placa de entrada custa a partir de R$ 2 mil, um valor já alto, enquanto modelos de ponta, como a RTX 3090, chegam a custar quase o mesmo que um carro popular usado. Mesmo o mercado de GPUs usadas, que oferecem em geral as placas descartadas pelos mineiradores após anos sendo usadas o tempo todo na potência máxima (ou seja, deterioradas) não oferece valores camaradas.

Só que as coisas se agravaram ainda mais no último ano. Primeiro, a pandemia da COVID-19 intensificou a procura por GPUs por parte do público agora confinado em casa, de gamers e profissionais. Segundo, a valorização desenfreada das criptomoedas deu um boost ainda maior na mineração. Terceiro, a escassez global de semicondutores minou ainda mais as capacidades da Nvidia de atender à demanda crescente.

Basicamente, não há GPUs para todo mundo. Embora os mineradores tenham rendido muito dinheiro à companhia nos últimos anos, ela não pode se dar ao luxo de alienar ainda mais um mercado inteiro de consumidores individuais, que precisam trabalhar ou querem jogar seus games em seus PCs da NASA, com todos os frames a que têm direito.

Isso posto, a companhia tomou algumas medidas.

Processador dedicado exclusivamente à mineração é uma das soluções (Crédito: Divulgação/Nvidia)

Processador dedicado exclusivamente à mineração é uma das soluções (Crédito: Divulgação/Nvidia)

A primeira delas foi propor uma separação entre as placas para usuários comuns e as para mineração, introduzindo um novo tipo de processador para mineração de criptomoedas (cryptomining processor, ou CMP), que equipará periféricos sem nenhum tipo de saída gráfica. Esses componentes são bons apenas para gerar moedas virtuais e nada mais.

O segundo movimento foi tornar as GPUs desinteressantes para mineradores. Recentemente, a Nvidia anunciou que novas versões da RTX 3060 cortarão o desempenho de mineração da criptomoeda ethereum, uma das poucas ainda vantajosas para a prática, pela metade. O esforço visa diminuir a procura de placas de vídeo por mineradores e migrá-los para as CMPs, enquanto que os reles mortais ficariam com as GPUs para si.

Em uma chamada recente realizada com investidores, a CFO da Nvidia Colette Kress disse que as restrições à mineração em GPUs "começam com a 3060", e tomou o cuidado de declarar que não imporia limites em nenhum modelo disponível no mercado hoje, mas o mesmo pode não se aplicar a todas as que forem lançadas daqui por diante. Essa estratégia é um desejo do CEO Jensen Huang, para separar em definitivo os mercados consumidor e de mineradores, mantendo cada um no seu quadrado.

Os planos da Nvidia visam disponibilizar 15 milhões de CMPs para mineradores industriais ainda neste primeiro trimestre, de modo a diminuir a procura dos mesmos por GPUs e dar mais espaço aos consumidores individuais. A médio prazo, espera-se que os preços voltem a ficar razoáveis ao menos no mercado exterior, afinal, o Brasil não serve de parâmetro para nada.

Fonte: ExtremeTech

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