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Rússia e China fecham acordo para construção de base lunar

China quer estabelecer presença de longa duração na Lua até a próxima década; Rússia entra no projeto e dá uma banana à NASA

10/03/2021 às 11:38

A Rússia está oficialmente se distanciando dos planos da NASA para a exploração da Lua. As agências espaciais russa (Roscosmos) e da China anunciaram nesta terça-feira (8) terem assinado um acordo de cooperação, que visa a construção de uma base lunar, para assegurar a exploração científica de longa duração.

O plano é uma resposta aos Acordos Artemis da NASA, em que os Estados Unidos e a NASA se posicionariam como os "guardiões" do satélite para exploração científica e comercial, visto que ambos países se recusaram a participar do consórcio, este acusado de ser "americano demais" por Dmitry Rogozin, diretor da Roscosmos.

Uma base lunar russa pode deixar de ser ficção (Crédito: Reprodução/Sony Pictures Television/Apple)

Uma base lunar russa pode deixar de ser ficção (Crédito: Reprodução/Sony Pictures Television/Apple)

Vamos recapitular: o Projeto Artemis é um programa iniciado durante a gestão de Donald Trump, cuja manutenção foi recentemente confirmada pelo atual presidente Joe Biden, embora as datas tenham sido todas revistas. Originalmente, ele visava estabelecer acordos de cooperação entre os países participantes, que incluem o estabelecimento de padrões e tecnologias como formatação e transferência de dados, navegação, sistemas de suporte de vida, comunicações e etc.

Além disso, Trump na época comentou que os americanos voltariam à Lua em 2024, incluindo na equipe a primeira mulher a pisar no satélite. No entanto, o cronograma foi considerado "irreal" (política, afinal), e o lançamento só deve ocorrer na próxima década, se tanto.

Os problemas em torno dos Acordos Artemis se dão principalmente por ser um projeto mais político do que científico, onde os EUA serão o "caseiro" da Lua, com poder para decidir quem pode explorá-la e como fazê-lo. Todos os projetos, de foguetes a cápsulas, módulos de pouso e de futuras bases, devem ser capitaneados pela NASA, novamente batendo na tecla de que ninguém vai explorar o espaço sem que a agência se envolva.

Os termos dos acordos obviamente não agradaram Rogozin e o governo russo, bem como não despertaram o interesse de Zhang Kejian, diretor da Administração Nacional de Espaço da China, a agência espacial do País do Meio. Ambos países foram convidados, mas não assinaram e oficialmente não irão colaborar com o Projeto Artemis.

Na época, Rogozin disse que o projeto não era igualitário, e todos os participantes (até o momento assinaram os governos do Reino Unido, Canadá, Austrália, Itália, Japão, Luxemburgo e Emirados Árabes) deveriam ter responsabilidades e direitos equivalentes, ao invés dos EUA usar a lógica da OTAN, "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Tudo bem que o Pacto de Varsóvia era virtualmente idêntico à sua contraparte ocidental, mas divago.

A Lua pode ficar um pouco mais vermelha no futuro (Crédito: ktphotography/Pixabay)

A Lua pode ficar um pouco mais vermelha no futuro (Crédito: ktphotography/Pixabay)

Voltando à Rússia e China, o acordo assinado visa a cooperação mútua de ambas agências para a construção de uma "estação científica lunar internacional", que em tese seria aberta a pesquisadores de outros países, preferencialmente os que não assinarem os Acordos Artemis. As instalações seriam de longa duração, como a Estação Espacial Internacional, e poderiam permitir o revezamento das equipes.

O projeto partiu de um desejo do governo chinês em estabelecer uma presença permanente na Lua já na próxima década, mirando especificamente o Polo Sul do satélite natural, onde há grandes depósitos de gelo. O mesmo ocorre no Polo Norte, uma região que poderia ser explorada pela NASA. Os planos visam firmar a base entre 2036 e 2045, e a Agência Espacial Europeia (ESA) já demonstrou interesse em colaborar.

Vale lembrar que a União Europeia também firmou acordos com a NASA na construção do Portal Lunar (Gateway), a estação orbital que deverá ser lançada no futuro, sem data prevista. Sobre uma base em solo, não há maiores informações da agência norte-americana, bem como russos e chineses também não deram detalhes sobre seus planos, até porque não deve haver nada muito concreto.

No mais, o acordo entre Rússia e China pode ser um indício de uma nova corrida espacial, desta vez tendo os recursos naturais da Lua como alvo, tanto para gerar riqueza em terra, quanto para possíveis usos na exploração do espaço futuro nas próximas décadas.

Fonte: Roscosmos (em russo)

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