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Manuscrito 512: A Cidade Perdida Brasileira na Bahia

O Manuscrito 512 é um documento do Século XVIII que narra a descoberta de uma cidade perdida na Bahia, que pode estar lá até hoje....

26 semanas atrás

O Manuscrito 512 é um daqueles documentos históricos imensamente influentes, mas que ninguém conhece fora da Academia. Mesmo assim ele foi fundamental para a ficção, para a exploração do interior do Brasil e até hoje seu mistério continua sem ser desvendado.

OK na verdade essa é Petra, na Jordânia, não nada a ver com a História (Crédito: Wikimedia Commons)

Tudo começou em 1839, quando Manuel Ferreira Lagos encontrou por acaso o Manuscrito (ou Documento) 512, perdido em meio ao acerto da Biblioteca da Corte, mais tarde Biblioteca Nacional.

O Manuscrito foi doado para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), e tempos depois uma transcrição completa de suas dez páginas foi publicada na revista do Instituto, o que serviu para atiçar a curiosidade geral.

O Manuscrito 512, cujo título original é Relação histórica de huma oculta, e grande Povoação, antiguissima sem moradores, que se descubrio no anno de 1753, traz um relato de uma expedição anônima de bandeirantes no interior da Bahia.

O texto não é assinado, e embora seja referente a 1753, o estilo de prosa usado aponta para uma transcrição mais tardia, talvez o Manuscrito 512 seja uma cópia ou versão de um documento em mais antigo.

No texto é narrada como a expedição avançou pelo sertão até achar uma montanha formada principalmente por cristais, que reluziam ao Sol e ofuscavam os exploradores. Por três dias eles tentaram achar um caminho sem sucesso, somente depois que um dos negros da expedição vislumbrou e foi atrás de um veado branco (obviamente o patronum de alguém) descobriu-se uma trilha.

Atravessando a montanha, chegaram a um vale aonde vislumbraram uma grande povoação. Um índio da expedição se aventurou a ver se havia alguém em casa, mas a cidade estava abandonada.

O Manuscrito 512 foi digitalizado e está disponibilizado em Alta Resolução no site da Biblioteca Nacional. (Crédito: você acabou de ler, uai)

Na entrada da cidade, um enorme pórtico com três arcos, e inscrições altas demais para que pudessem tentar ler, e ninguém quis esperar drones serem inventados, então seguiram.

As casas estavam todas destituídas de mobília e decoração, algumas tinham mais de um andar, e tetos abobadados. Dentro de uma delas acharam uma moeda de ouro, com a imagem de um rapaz ajoelhado em uma das faces, e na outra uma coroa, um arco e uma flecha.

No meio da cidade uma praça ostentava uma coluna de material negro, com a estátua de um homem usando uma coroa de louros, apontando para o Norte.

Um rio cortava a cidade, com margens urbanizadas e sem entulhos. Depois de vários dias seguindo seu curso chegaram a uma grande cachoeira. Nas margens do tal rio os bandeirantes prospectaram e acharam grandes indícios de que a região era riquíssima de ouro e prata.

A descrição do Manuscrito 512 é bem amadora, não é algo que um naturalista faria, então é difícil determinar a origem do que é narrado. Mesmo assim a arquitetura do pórtico da cidade lembra arquitetura etíope antiga, e parte das inscrições encontradas são bem semelhantes a grego ptolomaico.

As teorias são muitas, há quem acha que a tal Cidade Perdida é uma colônia egípcia, outros acham que são remanescentes de uma expedição viking. O Tsoukalos não foi contactado, mas ele acha que são aliens.

O Manuscrito 512 atraiu a atenção de um monte de gente lendária, como Sir Arthur Conan Doyle, que em 1912 publicou O Mundo Perdido, que descreve um platô na Amazônia aonde ainda vivem dinossauros. Em 1885 , Rider Haggard publicou As Minas do Rei Salomão, que embora ambientada na África é claramente inspirada no Manuscrito 512.

Acabei de descobrir que O Mundo Perdido viu série. Parece interessante. (Crédito: Amazon)

As Minas de Prata, de José de Alencar também foi baseado no Manuscrito 512.

Sir Richard Burton, um dos maiores exploradores de todos os tempos era cônsul britânico no Brasil em 1865 e fez uma grande expedição indo do Planalto Central até Paulo Afonso, descendo o São Francisco de canoa, sempre de olho para ver se descobria a tal cidade perdida da montanha de cristais.

Bem mais tarde outro inglês famoso tentou achar a Cidade Perdida do Manuscrito 512: O Coronel percy Harrison Fawcett.

Sir Richard Burton e percy Harrison Fawcett (Crédito: Domínio Público)

Familiar com o país desde 1906, quando veio mapear uma região de fronteira entre Brasil e Bolívia, o Coronel Fawcett era obcecado com uma cidade perdida chamada “Z”, que ficaria no Mato Grosso. Quando soube do Manuscrito 512, a Cidade Perdida baiana virou seu objetivo secundário.

Em 20 de Abril de 1927 Fawcett partiu de Cuiabá com o filho, um amigo do filho e dois trabalhadores locais. Em 29 de Abril foi recebida a última comunicação do grupo, uma carta de Fawcett para a esposa dizendo que estavam entrando em território hostil. Depois disso Fawcett nunca mais foi encontrado, o consenso é que ou morreram de fome na mata ou foram mortos por índios hostis.

Várias expedições foram tentadas, entre o Império e o início da República, mas nenhuma foi adiante. Hoje em dia no meio acadêmico a Cidade Perdida da Bahia é tratada como mito, ninguém mais leva a sério a hipótese de que uma civilização perdida tenha florescido e desaparecido no Interior da Bahia. Talvez o Manuscrito 512 seja uma obra de ficção desde sua origem, criada por algum sujeito entediado.

Mas também é possível que, perdida no interior da Bahia, haja uma cidade inteira coberta pela mata, cheia de animais selvagens e construções, aguardando para ser descoberta e reescrever a História do Brasil e do mundo.

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