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Quando Austin Powers foi parar no Canal de Suez

O Canal de Suez é uma das maiores obras de engenharia da História, mas ele não contava com um navio desgarrado que ficou atravessado na pista

19 semanas atrás

Em 1869 o Homem fez algo inédito: Tal qual o Pernalonga com um serrote, separou dois continentes. África e Ásia não estavam mais ligadas. O Canal de Suez separou para sempre os dois continentes.

Basicamente isso. (Crédito: NewLine Cinema)

Depois de dez anos de obras, 193Km de canais foram escavados, criando uma entrada para o Mediterrâneo. Agora ao invés de contornar toda a África, navios rumo à Europa e aos EUA podiam seguir pelo Mar Vermelho e Gibraltar.

A idéia não é nova. Vários pequenos canais foram construídos, desde o tempo dos faraós, mas embora cogitado desde o Século XV, um canal de grandes proporções nunca saiu do papel, até o final do Século XIX, quando um consórcio internacional iniciou um projeto de dez anos.

O custo acabou sendo o dobro do planejado, o consórcio gastou o equivalente a US$3 bilhões em 2021, mesmo com a maior parte do trabalho sendo feito por escra-digo, prisioneiros com empregos.

No começo de sua operação o Canal de Suez não atraiu muitos navios, mas aos poucos as empresas de navegação perceberam que mesmo com as taxas caras de travessia economizavam muito, tanto em tempo quanto em dinheiro.

Claro, aquela região é um barril de pólvora em cima de um barril de petróleo, e o Canal é estratégico pra todo mundo na região. A ponto de durante a Crise de Suez o Presidente Nasser, do Egito nacionalizar o Canal.

USS America atravessando o Canal de Suez. Sim, é tenso. (Crédito: W. M. Welch / US Navy)

Depois de um arranca-rabo com Israel, na Guerra dos Seis Dias, o Egito disse “não brinco mais”, e fechou o canal, afundando navios nas entradas do Grande Lago Amargo, no meio do Canal de Suez. O Canal permaneceu fechado de 1967 a 1975, para desespero de 15 navios que estavam no tal Lago, e só foram liberados oito anos depois.

Em 2016, a um custo de US$9 bilhões foi inaugurada uma duplicação do canal, que agora podia suportar um tráfego de 100 navios por dia.

O que o Canal de Suez não suporta, é um acidente como o de 23 de Março de 2021.

Canal de Suez (Crédito: Yolan Chériaux / Wikimedia Commons)

Nas partes mais apertadas o Canal de Suez tem menos de 270 metros de largura. Não seria problemas pro mega-cargueiro de containers Ever Given, de 200 mil toneladas, 58.8 metros de largura e 400 metros de comprimento. Exceto que por algum problema, o navio perdeu o controle e... virou de lado.

O Ever Given, operado pela empresa Evergreen está atravessado no Canal de Suez, encalhado na proa e na popa. Vários rebocadores estão tentando mover o navio, sem sucesso. Dos dois lados do Canal, não passa nada. Navios se acumulam esperando a solução do problema.

O Ever Given na contramão atrapalhando o trânsito (Crédito: Marine Traffic)

Da última vez que o Canal foi interrompido, o resultado foram preços de bens e produtos subindo, por causa do atraso nas entregas de matérias-primas. Não é difícil imaginar que se demorar muito a ser removido o Ever Given vai causar uma nova carestia.

A única razoável certeza é que não foi barbeiragem, todo navio é comandado por um piloto funcionário da Organização do Canal. Esses pilotos, chamados Práticos conhecem o canal como as costas das mãos.

Olha a caca, OLHA A CACA! - Ah sim notem a escavadeira minúscula tentando abrir espaço pra proa do navio passar (Crédito: Reprodução Twitter)

Aliás, outra razoável certeza: A multa será ÉPICA. O custo normal de travessia para um navio tipo o Ever Given pode chegar a US$700 mil. Se você calcular quantos navios não passaram no Canal de Suez hoje, já dá pra imaginar que a Organização do Canal vai arrancar o couro da Evergreen.

]ATUALIZAÇÃO] habemus foto de satélite

tsc tsc tsc... (crédito: ROSCOSMOS)

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