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Marinha dos EUA resgata helicóptero a 5814 metros de profundidade

A Marinha dos EUA recuperou um helicóptero a quase 6Km de profundidade, mas o objetivo da missão não tinha nada a ver com ele.

29/03/2021 às 0:13

Em 25 de Janeiro de 2020 um helicóptero Sikorsky MH-60S Seahawk da Marinha dos EUA caiu no Mar das Filipinas. Entre mortos e feridos salvaram-se todos, mas a aeronave foi parar a quase 6Km de profundidade, muito além do alcance de qualquer equipamento, a quantidade de submarinos capazes de atingir essa profundida conta-se nos dedos da mão de um ex-presidente.

Até que está inteirinho. (Crédito: US Navy)

Mesmo assim a Marinha não desistiu do helicóptero. Buscam foram feitas com sonares de varredura lateral, vários candidatos ao naufrágio (quando é helicóptero é naufrágio?) foram identificados, e depois dos mais promissores marcados, foi a vez do CURV 21. Os robôs da série CURV (Cable-controlled Undersea Recovery Vehicle) são usados pela Marinha dos EUA desde os anos 1960 para recuperar equipamentos do fundo do mar.

Eles ficaram famosos quando ajudaram a recuperar uma bomba termonuclear que foi parar a 880m de profundidade na costa da Espanha, em 1966, quando um B-52 colidiu com o avião de reabastecimento.

O CURV 21 tem uma profundidade-limite de 6096 metros, desconfortavelmente próxima dos 5814 metros aonde estava o helicóptero, mas nisso sempre podemos contar com o Fator de Encagaçamento, quando os engenheiros falam 6069 pode contar 6500 fácil, se não 7000.

O CURV 21 (Crédito: US Navy)

Confirmada a identidade do helicóptero e a sua integridade estrutural, foi contratada uma empresa especializada em salvamento de grande profundidade. Vindo de Guam, o navio chegou no local dia 17 de Março, e no dia seguinte o helicóptero estava resgatado.

Foi uma grande vitória, um recorde absoluto em resgate em profundidade da Marinha dos EUA, mas... e daí?

Será que mobilizar vários navios, passar dias varrendo o fundo do mar, montar operação de resgate, vale à pena? O helicóptero deu PT, quanto a isso não há dúvida. Economicamente não faz sentido. Será que havia documentos importantes a bordo? As chaves do carro do Almirante? Nudes da Coronel Sarah MacKenzie? Fora isso não consigo pensar no que justificaria o gasto em uma missão dessas.

Exceto que a missão nunca foi resgatar o helicóptero, mas para entender isso vamos sair do fundo do mar para o espaço, e voltar décadas no passado.

Governos raramente são diretos, eles se envolvem em muita encrenca por agir basicamente como casais em comédias românticas e sitcoms; situações que se resolveriam com uma simples conversa, comunicação, se arrastam por dias. Ou décadas. Governos adoram soltar indiretas.

No final dos Anos 1970 a NASA divulgou fotos do delta do Nilo, usando radar de penetração (ui!) de solo, as fotos revelaram um gigantesco padrão de canais de irrigação, soterrados por milênios e há muito esquecidos.

A NASA não tinha nada a ver com a história. O radar usado foi um satélite militar secreto, e a foto foi um recado para os russos, que estavam planejando construir silos subterrâneos disfarçados para seus mísseis balísticos intercontinentais, ao invés de usar bases bem demarcadas.

A mensagem é “vocês não podem se esconder”.

Os russos por sua vez deram o troco, depois de anos negando a existência da base em Groom Lake, que é a famosa Área 51, os americanos foram surpreendidos com uma linda foto de satélite, divulgada pelos russos. Aí o jeito foi admitir que a base existia.

A Marinha dos EUA resgatar um helicóptero a quase 6Km de profundidade é uma mensagem de novo para os russos, e não tem nada a ver com helicópteros, mas com isto:

Poseidon (Crédito: Departamento de Defesa da Rússia)

É o Sistema Oceânico Multipropósito Status-6, codinome Poseidon.

A existência do equipamento “vazou”  por “acidente” quando um diagrama foi mostrado “sem-querer” durante uma reportagem da TV russa.

O Poseidon é um drone submarino completamente autônomo com propulsão nuclear. Ele tem velocidade de pelo menos 100Km/h, podendo chegar a 200Km/h se a tecnologia de supercavitação que alguns relatos dizem que ele possui, for verdadeira.

Em teoria seu alcance é de 10 mil km, mas com propulsão nuclear isso na verdade é ilimitado.

O Poseidon seria uma espécie de Arma do Juízo Final, levaria uma ogiva termonuclear entre 2 e 100Megatons, e ficaria no fundo do mar, a até 1Km de profundidade, esperando um sinal (ou a ausência de um sinal combinado) e recebendo a ordem, se encaminharia para um porto, base naval ou costa de uma cidade inimiga, detonando a ogiva e estragando o fim de semana de um monte de gente.

O Poseidon além de tudo é furtivo, e com 24 metros de comprimento e 2 metros de diâmetro ele é pequeno o suficiente para ser bem difícil de ser localizado no fundo do oceano. Quase tão difícil quanto achar um helicóptero de 19 metros de comprimento.

Os testes com o Poseidon foram finalizados em 2019, e a Rússia pretende ter pelo menos 30 em seu arsenal.

O recado que a Marinha dos EUA deu é que se um deles for posicionado nas costas americanas, ou em águas internacionais, vai ser identificado localizado e rebocado. E os russos não vão fazer nada, pois ninguém é maluco de iniciar uma guerra nuclear por causa de um drone roubado.

 

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