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PS5 e os problemas com o armazenamento de jogos

Atualização permite salvar jogos do PS5 em SSDs e HDs externos, um mero paliativo para seus sérios problemas de armazenamento

28 semanas atrás

Fato: a atual geração de consoles possui sérios problemas de armazenamento interno, mas o PS5 se sobressai negativamente em relação ao Xbox Series X|S. Desde que a instalação de jogos, mesmo físicos, se tornou mandatória no PS4 e Xbox One, jogadores têm feito de tudo para economizar gigabytes para incluir mais games, e apelaram para soluções como armazenamento externo.

Nesta geração, Microsoft e Sony adotaram o SSD como mídia padrão para o funcionamento de jogos, e isso trouxe uma série de problemas para ambas as plataformas. Só que o PS5 possui alguns caveats a mais por design.

PS5 e controle DualSense (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

PS5 e controle DualSense (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Espaço de menos, jogos grandes demais

Quando os novos consoles foram anunciados, veio a notícia de que os jogos da atual geração só rodariam ou nos SSDs internos, ou nas unidades de expansão compatíveis com os sistemas. A Microsoft introduziu o Cartão de Expansão de Armazenamento Seagate para Xbox Series X|S (sim, esse é o nome oficial), um SSD proprietário produzido em parceria com a Seagate, que adiciona mais 1 TB ao Xbox Series X (1 TB de espaço padrão) e Series S (500 GB), ao custo de salgados R$ 2.399 no preço oficial.

A Sony possui uma solução similar, mas adotou uma porta M.2 para o uso de SSDs NVMe, que tem muitas chances de suportar apenas os Gen.4, os mais recentes e caros. Uma unidade de 1 TB, para equiparar com o cartão do Xbox Series X|S, custa também em torno de R$ 2,4 mil.

Os problemas começam no fato de que a Sony ainda não liberou a porta. Diferente da Microsoft, a companhia japonesa lançou o PS5 com o slot M.2 desativado via firmware, e afirma que a funcionalidade deverá ser introduzida ainda em 2021, provavelmente no segundo semestre.

Slot M.2 para SSDs NVMe do PS5, ainda inativo (Crédito: Reprodução/Sony)

Slot M.2 para SSDs NVMe do PS5, ainda inativo (Crédito: Reprodução/Sony)

Especialistas acreditam que o movimento se deu para que a empresa possa ter tempo de homologar unidades compatíveis de OEMs parceiras, que serão vendidas com um selo "Pronto para o PS5", como a Apple faz com os produtos MFi (Made for iPhone/iPad/iPod), o que se refletiria em royalties para a Sony.

Excluindo jogos do PS4, que podem ser executados de uma unidade externa, o jogador precisa por enquanto se virar com o armazenamento interno, oficialmente chips integrados com um total de 825 GB. O novo problema, no entanto, está no fato de que o sistema operacional do PS5 consome uma boa porção do SSD, deixando apenas 667 GB livres.

A atualização mais recente do PS5 permite que jogos do sistema possam ser salvos externamente, mas tão somente. Para jogar, será preciso copiá-los de volta para o armazenamento interno, ou para o SSD NVMe, quando este estiver disponível.

O mesmo ocorre no Xbox Series X|S, o jogador pode transferir e jogar títulos do Xbox, Xbox 360 e Xbox One em unidades externas, mas os da atual geração só rodam no SSD interno ou na unidade proprietária. Tanto lá quanto cá, o jogador perderá a vantagem de tempos de carregamento menores providos pelo armazenamento padrão ou expandido.

Aqui entra outro agravante: os jogos da atual geração ficaram ainda maiores do que os da anterior. Jogos em geral pesavam em torno de 50 GB, mas com o tempo foram ficando cada vez mais famintos por espaço, sejam com atualizações, DLCs e novos conteúdos gratuitos, ou com projetos ou ambiciosos demais, ou simplesmente mal programados.

O símbolo desse desleixo com otimização de código vem da franquia Call of Duty, que ano após ano ocupa cada vez mais espaço interno. Black Ops - Cold War, o mais recente, ocupa absurdos 200 GB nos consoles da atual geração em uma instalação completa, incluindo Warzone e os DLCs.

O armazenamento "Outros" do PS5

Por um lado, o problema de gerenciamento de espaço em consoles é geral, dada a exigência de um SSD interno ou expansão compatível, mas por outro, o PS5 se complica por ainda não ter o slot M.2 habilitado, ainda que a opção de expansão será tão ou mais cara que a unidade proprietária do Xbox Series X|S.

O enorme problema do console da Sony reside na forma com que o console gerencia o espaço interno. Por usar um SSD ao invés de um HD, o sistema operacional precisa alocar parte do armazenamento a “dados de sistema necessários para que jogos e apps funcionem corretamente".

Essa é a descrição oficial que a Sony fornece para o armazenamento "Outros", mas seu funcionamento é um mistério que a empresa não se dignou a explicar até agora. E diferente do Ruby, ele escala. MUITO.

160 GB de espaço ocupado pelo "Outros", em um SSD de 667 GB disponíveis (Crédito: Reprodução/Sony)

160 GB de espaço ocupado pelo "Outros", em um SSD de 667 GB disponíveis (Crédito: Reprodução/Sony)

No meu caso particular, eu tenho 6 jogos instalados, sendo 5 do PS5 (Fortnite, Mortal Kombat 11, Control, Marvel's Spider-Man Remastered e o open beta de Final Fantasy XIV) e apenas um de PS4 (Genshin Impact). Na parte de apps, apenas YouTube, Twitch (para fins de streaming de jogos) e Crunchyroll (que a TV não possui).

Todos os jogos e apps respondem por 260,5 GB do espaço interno, mas há os 159,9 GB ocupados pelo "Outros". Esses dados não são descritos, não podem ser movidos ou apagados, e seu tamanho flutua conforme o que você tiver instalado no sistema. O problema é que seu funcionamento é completamente aleatório, e varia até mesmo de um console para outro.

O site Kotaku fez uma série de experimentos com o "Outros", e constatou que além de aumentar de tamanho com a inclusão de jogos e diminuir ao apagá-los, o que é esperado, ele também apresenta um comportamento de aumentar após a remoção, ou diminuir após uma instalação. Em um caso bizarro, ele continuou a ocupar 76 GB mesmo após a restauração de fábrica, que apaga todos os jogos e apps e retorna o PS5 à condição inicial, ao tirá-lo da caixa.

No meu caso, eu vi o armazenamento "Outros" do PS5 inflar até 176 GB e recuar muito pouco após remover jogos do PS4, que ao que tudo indica, são os principais responsáveis pelo seu tamanho. Acredita-se que o PS5 cria uma espécie de memória virtual para rodar os recursos de retrocompatibilidade, que não são completamente apagados por nenhum tipo de intervenção do usuário, mesmo uma restauração.

Até o momento, a Sony não deu nenhuma explicação de como o "Outros" funciona, nem forneceu meios concretos de reduzir seu tamanho de forma efetiva, visto que todos os métodos criados por usuários podem funcionar para uns e não para outros.

Vale lembrar que embora o Xbox Series X tenha um SSD interno de 1 TB, ele disponibiliza apenas 802 GB para o usuário. No Series S, os números são respectivamente 500 GB e 364 GB, no entanto, ambos consoles não parecem sofrer de um problema similar ao "Outros" do PS5. Ao menos, não visivelmente.

O jogador terá que escolher bem o que instalar no PS5 (Imagem: Divulgação/Sony)

O jogador terá que escolher bem o que instalar no PS5 (Imagem: Divulgação/Sony)

Há solução?

O "Outros" é um problema de armazenamento do PS5 que até o momento não tem solução, e a Sony não demonstrou interesse em resolvê-lo, ou mesmo explicar o que acontece, até o momento. Já o slot M.2 deverá ser ativado em breve, permitindo que o usuário possa comprar uma unidade NVMe compatível para instalar mais jogos. O problema, assim como no Xbox Series X|S, deverá ser o preço, ainda mais em tempos de escassez de semicondutores e componentes.

Já sobre os jogos cada vez maiores, seria interessante ver maior dedicação por parte das desenvolvedoras de jogos AAA em otimizar o código de seus títulos, pois nada, nem uma mudança de geração, justifica um único jogo ocupar mais de 200 GB.

Enquanto isso não acontece, o jogador terá que pensar muito bem sobre o que instalar em seu console da atual geração, principalmente quem optou pelo PS5, e praticar a rotatividade de games, seja removendo-os e baixando-os novamente, ou transferi-los para SSDs e HDs externos, o que impede o jogador de curtir os títulos mais recentes.

Fonte: Ars Technica

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