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Days Gone não terá continuação? A culpa pode ser sua

Para diretor criativo do Days Gone, apenas aqueles que compram jogos pagando o preço cheio tem direito de pedir por uma continuação

19/04/2021 às 9:47

Lançado para PlayStation 4 em abril de 2019, Days Gone foi um jogo que nunca conseguiu corresponder à expectativa que gerou durante o seu desenvolvimento. Com um nível de qualidade abaixo dos grandes exclusivos do console, ele estava fadado ao esquecimento, mas nas últimas semanas a criação do Bend Studio voltou a ganhar alguma relevância.

Days Gone

Crédito: Divulgação/Bend Studio

Além da chegada da sua versão para o PC ter sido marcada para o dia 18 de maio, o Days Gone surgiu como um dos títulos da PlayStation Plus de abril e assim, uma quantidade muito maior de pessoas poderá experimentar o apocalipse zumbi protagonizado por um motoqueiro e que se passa no Oregon. Entre este novo público, certamente haverá os que gostarão da experiência e se você estiver entre eles, não tenha muita esperança de que uma continuação venha a ser produzida.

Recentemente o Bloomberg chegou a publicar um artigo onde afirma que apesar de ter sido sugerida a criação do Days Gone 2 à Sony, os executivos da empresa japonesa preferiram colocar os profissionais do estúdio para trabalharem em um novo Uncharted, projeto este que estaria sendo tocado sob a supervisão da Naughty Dog. A decisão teria sido tão mal recebida pelo pessoal do Bend Studio, que vários pediram para deixar a desenvolvedora, com o argumento de que cedo ou tarde os estúdios serão fundidos.

Como a Sony nunca divulgou o número de cópias vendidas, não temos como saber exatamente se o Days Gone foi um grande sucesso, mas de acordo com o diretor Jeff Ross, ele “vendeu mais cópias do que todos os jogos que o estúdio fez combinados.” Então, se um título conseguiu superar desta forma o desempenho de uma desenvolvedora, porque a editora estaria tão reticente em relação a uma continuação?

Pois quem acredita ter a resposta para esta pergunta é John Garvin, diretor de criação e roteirista do jogo. Ao conceder uma entrevista ao canal de David Jaffe, ele emitiu uma opinião que tem deixado muitos jogadores indignados, já que ela coloca nas nossas costas a culpa por uma franquia não receber novos capítulos.

Tenho uma opinião sobre algo que o seu público pode achar interessante e que pode irritar alguns. Se você ama um jogo, compre-o pelo maldito preço cheio. Não sei lhe dizer quantas vezes vi jogadores dizerem ‘sim, eu comprei numa promoção, peguei pela PS Plus, seja o que for’.

Não reclame se um jogo não receber uma sequência se não o apoiou no lançamento. É como se o Gof of War tivesse qualquer número de milhões de vendas no lançamento e, você sabe, o Days Gone não. Falando apenas por mim, como desenvolvedor — eu não trabalho para a Sony — não sei quais são os números.

Para reforçar o seu ponto de vista, Garvin ainda citou o caso do Syphon Filter: Dark Mirror, jogo que ajudou a desenvolver para o PSP e que teria sido muito atrapalhado pela pirataria. Para ele, na época a Sony não conseguiu perceber como a distribuição ilegal de cópias estava prejudicando as vendas, mostrando que de nada adianta um título chegar a muitas pessoas e gerar engajamento.

A comparação feita por John Garvin tem a ver com o fato de as vendas do Days Gone só terem aumentado consideravelmente um bom tempo após o seu lançamento, provavelmente pelo receio dos jogadores ao lerem análises que não eram muito positivas, mas também porque o preço cobrado pelo título do Bend Studios acabou sendo reduzido. No seu ponto de vista, o importante é que o consumidor pague pelos jogos o preço de um lançamento, já que é assim que estamos ajudando os criadores.

Crédito: Divulgação/Bend Studio

Bom, por mais que eu tente entender a opinião, considero praticamente impossível concordar com ela. Primeiro que considero absurdo alguém comparar um jogo que não vendeu bem inicialmente com pirataria; segundo que a partir do momento em que ele diz que o seu jogo deveria ter mantido o valor cheio por tanto quanto o da Santa Monica Studio, um dos títulos mais elogiados da geração passada, não há muito o que argumentar.

Se o diretor criativo tivesse dito que aqueles que pirateiam um jogo não podem pedir uma continuação, eu estaria de acordo. Se ele afirmasse que pessoas que o compraram usado não tem o direito de fazer exigências, eu até poderia achar que faz sentido (embora não concorde), mas colocar sobre as costas de quem não comprou no lançamento?

Talvez ele não saiba, mas para boa parte das pessoas, comprar um jogo apenas quando ele se torna (bem) mais barato ou quando é disponibilizado em algum serviço de assinatura não é apenas uma questão de escolha, mas a única maneira delas terem acesso a tais obras. Vale dizer que em ambos os casos os estúdios recebem por isso e por mais que seja menos do que numa venda por preço cheio, está longe de desqualificar alguém a querer uma continuação.

E aproveitando que John Garvin citou o God of War, aparentemente ele não se deu conta disso, mas algo que pesou muito para que tal jogo vendesse tão bem e seu preço demorasse mais para cair foi a qualidade que ele nos entregava. Portanto, não acho que tenha havido favorecimento a um e perseguição a outro, apenas a boa e velha oferta e demanda.

Acho até que ele nem poderá dizer que foi mal interpretado, pois pareceu bem ciente do quanto poderia irritar as pessoas ao começar a falar. De qualquer forma, é uma pena, mas ao jogar a culpa no consumidor, o game designer só contribuiu para piorar a imagem da sua própria criação, que mesmo com seus defeitos, conseguiu me divertir.

Fonte: Screen Rant

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