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Colette, games e um Oscar para a história

Ao contar a bela história de Colette Marin-Catherine, documentário fez a Respawn Entertainment ser a primeira desenvolvedora de games a ganhar um Oscar

22 semanas atrás

A vida de Colette Marin-Catherine não foi fácil. Nascida na França em 1929, ela viu os nazistas invadirem a vila em que morava na Normandia quando ainda era muito nova e aos 14 anos decidiu entrar para a Resistência Francesa, ajudando a tratar os feridos nas batalhas. Foi também durante a Segunda Guerra Mundial que seu irmão foi capturado pelos alemães e quando Anthony Giacchino e Alice Doyard conheceram sua história, imediatamente souberam que ela precisava ser contada a mais pessoas.

Colette

Colette Marin-Catherine (Crédito: Divulgação/Respawn/Oculus)

O contato da dupla com a nonagenária sobrevivente aconteceu enquanto eles estavam filmando um documentário sobre um veterano norte-americano que havia feito um pouso de emergência em Sainte-Mère-Église, durante a Operação Overlord, também conhecida como a Batalha da Normandia. Fascinados pelo passado de Colette e sua família, eles tiveram a ideia de produzir um documentário que a levaria até Nordhausen, Alemanha, mas a tarefa não seria nada fácil.

O problema é que foi na naquela cidade que os nazistas criaram o campo de concentração de Mittelbau-Dora, onde Jean-Pierre e cerca de mais 20 mil pessoas morreram enquanto eram forçados a ajudar os nazistas a construírem o foguete V-2. Aquela seria uma viagem que ela evitava fazer pelos últimos 74 anos, mas foi aí que entrou uma pessoa fundamental para que o projeto saísse do papel: Lucie Fouble, uma garota de apenas 17 anos.

Participando de um projeto do La Coupole Museum que visa documentar os casos de franceses que foram enviados para o terrível local, a historiadora aspirante havia passado alguns meses pesquisando sobre o irmão de Colette, o que fez Giacchino e Doyard perceberem como o trauma vivido por aquela senhora poderia impactar as novas gerações. A partir daí, tornou-se mais fácil convencê-la a participar das gravações e fazer a tão dolorosa visita.

E como um dos objetivos da equipe era justamente um público mais jovem, eles não poderiam ter encontrado parceiros melhores do que empresas ligadas aos videogames para poder levar o projeto adiante, mas aquele documentário mostrou ter potencial para ir muito além.

Respawn, Oculus e Medal of Honor

Medal of Honor: Above and Beyond (Crédito: Divulgação/Respawn/Oculus)

Para várias pessoas da minha geração, os videogames foram um dos principais responsáveis por despertar o interesse pela Segunda Guerra. Ao tentar recriar algumas passagens que aconteceram durante o conflito, séries como a Medal of Honor tiveram um papel fundamental neste processo e quando a Respawn Entertainment recebeu a missão de criar um capítulo em realidade virtual para a franquia, eles sabiam que aquela poderia ser uma ótima oportunidade para nos trazer novas histórias.

Assim, enquanto parte da equipe se preocupava em lapidar a jogabilidade do Medal of Honor: Above and Beyond e garantir que ela funcionasse da melhor maneira possível com um head-mounted display, alguns se dedicavam a criar uma galeria, onde o jogador poderia navegar por uma espécie de museu virtual. Lá encontraríamos pequenos documentários com entrevistas com veteranos, visitas a locais importantes e conversas com pessoas que viveram um dos momentos mais terríveis da nossa história.

Em busca de material de qualidade, a desenvolvedora tomou conhecimento do projeto encabeçado por Anthony Giacchino e através de uma parceria com o Oculus Studios, produziu o curta documentário intitulado Colette. Contando a bela história daquela francesa que ajudou os Aliados e tanto perdeu por causa das atrocidades cometidas pela humanidade, o material chamou a atenção mesmo de pessoas fora da indústria dos games, incluindo aí a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

O resultado foi uma indicação ao Oscar como Melhor Documentário Curta-Metragem e apesar de muitos terem considerado A Concerto Is a Conversation como o grande favorito da categoria, a história de Colette Marin-Catherine acabou sendo escolhida a grande vencedora — e por mais incrível que possa parecer, justamente no dia em que a protagonista completou seu 92º aniversário.

Com isso, a Respawn Entertainment passou a ser considerada a primeira desenvolvedora de games a vencer na principal premiação do cinema, mesmo com o Medal of Honor: Above and Beyond não tendo sido citado pelos organizadores do Oscar. Porém, não acho que a associação seja forçada, afinal o estúdio esteve diretamente envolvido na produção do documentário, com nomes conhecidos como Peter Hirschmann e Vince Zampella tendo assinado a obra.

Pode ser que um dia um jogo consiga romper esta barreira e seja ao menos indicado a um Oscar, algo que considero pouco provável, mas enquanto isso não acontece, aperte o Play no vídeo abaixo e delicie-se com o excelente Colette na íntegra. Infelizmente o vídeo não possui legendas em português, mas se o inglês não for um impeditivo, entenderá porque o documentário fez por merecer e a importância que algumas flores podem ter em certas ocasiões.

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