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Paradox, Leviathan e o comportamento tóxico

Desenvolvedores de uma expansão cheia de problemas para o Europa Universalis IV são alvo de ataques e companheiros da Paradox lamentam comportamento dos fãs

13 semanas atrás

Ao longo dos anos, a Paradox Interactive se tornou um dos nomes mais conhecidos quando se trata de jogos de estratégia. Tendo em seu portfólio diversas franquias do gênero, qualquer lançamento feito por eles consegue atrair a atenção de uma enorme quantidade de jogadores, mas o problema é que a expectativa criada por essas pessoas pode gerar uma grande decepção e foi justamente o que aconteceu com uma expansão para o Europa Universalis IV.

Europa Universalis IV - Paradox

Crédito: Divulgação/Paradox Interactive

Intitulada Leviathan e tendo chegado ao jogo no dia 27 de abril, não demorou para que os fãs começassem a descobrir o quão ruim estava o conteúdo, com as reclamações indo de problemas estruturais ao mau balanceamento, passando é claro pelos mais variados bugs, como por exemplo um que impede a inteligência artificial de construir monumentos.

Vendida por pouco menos de R$ 40, a situação ficou tão crítica que a expansão se tornou o pior lançamento do Steam, com apenas 7% das avaliações feitas pelos usuários sendo positiva. Para tentar apagar o incêndio, o gerente do estúdio até soltou um pedido de desculpas (que depois foi apagado) e a Paradox correu para lançar uma atualização, porém, mesmo com algumas correções tendo acontecido, o estrago estava feito.

Para algumas pessoas que vinham acompanhando o jogo desde o seu lançamento, que aconteceu lá em 2013, o erro da editora foi deixar o desenvolvimento nas mãos de um no novo estúdio fundado em Barcelona. Assim, ignorando completamente o fato de que na maioria das vezes não temos a menor ideia do que acontece nos bastidores e certamente sem conhecer os relatos do quão maltratados são os profissionais responsáveis pelo setor de Controle de Qualidade da Paradox, alguns covardes deixaram as críticas de lado e partiram para os ataques pessoais, no caso àqueles que trabalham na desenvolvedora espanhola.

Então, indignados com a maneira como a comunidade estava protestando, outro braço da editora decidiu se manifestar e isso aconteceu através do diário de desenvolvimento de outra popular série, a Hearts of Iron 4. Publicado por um designer de conteúdo do jogo, no desabafo ele afirma que um dos motivos que o levou a trabalhar na Paradox foi a abertura para conversar diretamente com os jogadores, mas que o preço cobrado por isso está se tornando muito alto.

Como muito de você notaram, temos ficado um pouco esparsos nesses fóruns nos últimos meses, ou mesmo anos. O motivo para isso é que muitas vezes enfrentamos uma cultura de debates da qual não é divertido fazer parte, onde é dado como certo que os desenvolvedores são preguiçosos ou incompetentes e onde tudo o que fazemos é visto por esta lente. Não é apenas incrivelmente desmoralizante gastar meses da sua vida criando algo, apenas para ver as pessoas para quem fez isso o destroçando, também são debates que não levam a nada. Nós não somos pagos para vasculhar páginas de abuso para encontrar algumas migalhas de feedback e tal feedback não ser levado em consideração.

O comunicado segue dizendo que a intenção dos funcionários da Paradox não é serem bajulados ou ter um fórum onde as decisões tomadas pela equipe não possam ser discutidas. Por isso eles acreditam que o feedback dos jogadores é importante, mas que se eles querem ter acesso a um canal de comunicação com as pessoas que criam os títulos que tanto gostam, é responsabilidade dos fãs construir um lugar onde os profissionais se sintam bem vindos, onde as discordâncias funcionem de uma maneira produtiva.

Um exemplo dado por ele foi a dificuldade de acesso que eles têm a materiais escritos em línguas que não dominam, como por exemplo o plano de uma ferrovia turca feito em 1936. Presente num livro local e fornecido a eles através de um jogador, eles utilizaram a informação em uma atualização que o jogo recebeu e conforme dito pelo autor da publicação, não custa nada às pessoas presumirem que os desenvolvedores estão agindo de boa fé, afinal nenhum deles acorda pela manhã e vai trabalhar com a intenção de fazer um trabalho ruim.

Pois é esta falta de empatia e a presunção de que a internet é terra de ninguém que tem feito com que se torne cada vez mais comum vermos casos de pessoas sendo estúpidas com quem trabalha com a criação de jogos. É claro que ninguém gosta de adquirir algo e descobrir que o resultado ficou aquém do esperado, mas isso jamais deveria servir de motivação para fazer com que alguém desfira ataques pessoais ou se julgue no direito de ameaçar os outros.

Com isso não quero dizer que uma empresa não deva ser criticada ao cometer erros, o que em se tratando da Paradox, o Leviathan nem foi o primeiro deles. O problema é que existem diversas maneiras de expressar o nosso descontentamento e é triste perceber como boa parte da dita “comunidade gamer” é tóxica, imatura e inconsequente.

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