Meio Bit » Games » Starbreeze: o estúdio que mirou em Ícaro e acertou na fênix

Starbreeze: o estúdio que mirou em Ícaro e acertou na fênix

Após passar por problemas de gerenciamento e ficar muito perto de fechar, a Starbreeze Studios está renascendo — e muito por causa dos fãs do Payday 2

22 semanas atrás

De acordo com a sabedoria popular, se chegar ao topo é algo difícil, ainda mais desafiador é manter-se por lá e uma empresa que passou por esta situação foi a Starbreeze Studios. Fundada em 1998 na cidade de Härnösand, Suécia, a desenvolvedora foi idealizada pelo programador Magnus Högdahl, uma espécie de “John Carmack nórdico” que vinha se destacando em um grupo local especializado em criar demos técnicas para PC.

payday 2- Starbreeze

Crédito: Divulgação/Starbreeze Studios

Tendo a ambição no seu DNA, a empresa mirava alto, com uma engine própria sendo produzida e um protótipo de um novo jogo tendo sido apresentado na E3 do mesmo ano. Porém, desde o início eles tiveram que lidar com as dificuldades impostas pelo mercado e se durante a feira conseguiram um acordo com a Gremlin Interactive para a criação de um jogo chamado Sorcery, dois anos depois esta foi adquirida pela Infogrames e a parceria com a Starbreeze virou pó.

O primeiro sucesso internacional daquela empresa só viria em 2002 com um divertido jogo medieval chamado Enclave. Contudo, a sua criação só foi possível graças à fusão que a Starbreeze fez anteriormente com outra desenvolvedora sueca, a O3 Games. A partir daquele momento vimos alguns bons jogos sendo produzidos por lá, como o The Chronicles of Riddick: Escape from Butcher Bay (e sua continuação, o Assault on Dark Athena), The Darkness e Syndicate, mas o fraco desempenho comercial deste último novamente colocou o estúdio em problemas.

Nesta época boa parte da equipe fundadora da Starbreeze já tinha debandando para a MachineGames, incluindo o próprio o Högdahl e diante das dificuldades financeiras, eles acabaram sendo vendidos para a Overkill Software, quando passaram a apostar na criação de um título menor, o que em 2013 nos deu o fantásticos Brothers: A Tale of Two Sons. Foi também neste ano que o estúdio lançou o Payday 2, jogo que viria a ser tanto o início de uma nova queda, quanto a sua tábua de salvação.

Com o simulador de assaltos tendo enchido os cofres da empresa e feito com que ela tivesse o maior faturamento de sua história, os responsáveis acreditaram que estava na hora de alçar voos mais altos, mas assim como aconteceu com o filho de Dédalo, aquilo seria uma viagem sem volta. Em 2015 a companhia divulgou planos para publicar jogos criados por outros estúdios, assim como criar um dispositivo de realidade virtual, o Project Star VR. Já no ano seguinte a aposta foi nas aquisições, com eles tendo assumido o controle de desenvolvedoras como a Cinemaware e a Dhruva Interactive.

Ao mesmo tempo, a Starbreeze adquiriu os direitos para desenvolver um FPS baseado na franquia The Walking Dead e por se tratar de um estúdio que já tinha provado sua capacidade de trabalhar com material licenciado, o que poderia dar errado? Pois a resposta simples é: tudo! Tendo passado por inúmeros problemas durante sua criação, o Overkill's The Walking Dead chegou às lojas em 2018 e a recepção foi péssima, com o jogo tendo se mostrado um enorme fracasso.

Para piorar ainda mais a situação, depois de ter que lidar até com uma indesejada visita da polícia em seu escritório, a empresa precisou passar um ano (entre 2018 e 2019) se reestruturando, chegando ao ponto de o novo responsável pelo estúdio ter admitido que estavam prestes a encerrar as atividades. Tudo indicava que a outrora admirada desenvolvedora não tinha salvação, mas numa improvável reviravolta, os ajustes feitos nos bastidores — e a paixão dos fãs pelo Payday 2 — deram resultado.

Crédito: Divulgação/Starbreeze Studios

Tendo diminuído absurdamente o escopo e apostando na expansão do jogo que foi lançado em 2013, isso resultou em ainda hoje vemos o lançamento de conteúdos pagos e gratuitos, o que tem feito com que a comunidade em torno dele continue bastante ativa. E quem falou sobre como a empresa mudou e a importância da franquia para que a Starbreeze Studios ressurgisse das cinzas, foi o atual CEO, Tobias Sjögren.

Eu não poderia pedir por um melhor ponto de início do que este. Brincando, dizemos que somos a Starbreeze 4.0 agora, considerando há quanto tempo a Starbreeze está por aí. Nós certamente temos uma companhia muito diferente se comparada a o que era antes da reconstrução. Isso é em parte em termos de pessoas, especialmente da equipe de gestão.

Temos algumas pessoas fantásticas que estiveram com a propriedade intelectual Payday durante seu ciclo de vida e que ainda estão conosco, mas parece uma nova companhia, uma startup, e estamos realmente ansiosos para voltar ao topo. E quando olhamos para como o Payday 2 está se saindo e como tantas pessoas o jogam diariamente, penso que já estamos lá.

Contudo, Sjögren tem plena noção de que sua empresa não conseguirá se sustentar para sempre apenas com um jogo, ainda mais um lançado há tanto tempo e por isso já trabalham numa continuação. Segundo ele, quando em 2023 o Payday 3 finalmente for lançado, a ideia é fazer com que ele também permaneça relevante por muitos anos, permitindo assim que possa ser monetizado ao longo do tempo.

Mas mesmo que tal jogo não consiga repetir o sucesso do seu antecessor, impressiona o fato da Starbreeze Studios ter conseguido pagar suas contas e ainda ter garantido um investimento de US$ 50 milhões junto a Koch Media para que este novo projeto seja desenvolvido. Resta saber se um dia eles repetirão o erro de arriscar voar tão perto do sol.

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários