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Far Cry 6: sobre política, coragem e antigos consoles

Equipe responsável pelo Far Cry 6 diz que jogo não será uma declaração sobre situação política de Cuba e promete um bom desempenho mesmo no PS4/Xbox One

31/05/2021 às 10:19

Por mais que tente se vender como uma forma de entretenimento madura, os videogames ainda demonstram um grande receio quando se trata de assuntos delicados, como por exemplo a política. Entre as empresas que mais se arriscam por este caminho está a Ubisoft, mas com os seus executivos insistindo em se distanciar das polêmicas, alguns até podiam imaginar que o Far Cry 6 se distanciaria do tema, o que não parece ser o caso.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Com sua campanha se passando na fictícia ilha caribenha de Yara, caberá ao jogador participar de  um levante contra um terrível ditador que controla o local — e que será interpretado pelo excelente Giancarlo Esposito. Dizendo assim, esta poderia ser uma história sem muita inspiração direta na realidade, mas conforme as primeiras imagens do jogo passaram a ser divulgadas, algumas pessoas notaram semelhanças com Cuba, com as ruas estando repletas de carros clássicos e arquitetura barroca.

Pois ao ser questionado sobre as influências na criação do Far Cry 6, o diretor de narrativa Navid Khavari afirmou que ele e sua equipe estiveram naquele país, além de ter tentado explicar como eles procuram se distanciar da realidade.

A inspiração original foram as guerrilhas e o que é a fantasia de guerrilhas, que obviamente está ligada à revolução. Quando você fala sobre guerrilhas, você pensa nas guerrilhas dos anos 1950 e 1960, na verdade nós fomos lá para conversar com guerrilheiros que lutaram no passado e simplesmente nos apaixonamos pelas suas histórias.

Mas também nos apaixonamos pela cultura e pelas pessoas que encontramos. Quando saímos de lá, não é como se tivéssemos sentido que tínhamos que fazer Cuba, nós percebemos que aquela é uma ilha complicada e o nosso jogo não queria fazer uma declaração política sobre o que está acontecendo em Cuba especificamente. Além disso, tiramos inspiração de movimentos de guerrilha ao redor do mundo ao longo da história. Para nós, sentimos que fazer a ilha de Yara poderia nos ajudar a contar aquela história, sendo muito abertos em relação às nossas políticas e inspirações.

É claro que sem ainda ter colocado as mãos no Far Cry 6, fica difícil dizer se Khavari foi sincero, mas a sensação que tenho é de que novamente a Ubisoft está apenas tentando evitar se meter em polêmica. Aparentemente a revolução que faremos parte tem muito a ver com aquela que derrubou o ditador Fulgencio Batista e levou Fidel Castro ao poder, por isso acho natural eles buscarem se distanciar, pois  fico imaginando como boa parte do público — especialmente o americano — reagiria ao saber que uma empresa criou um “simulador de comunistas”.

Fra Cry 6

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Embora alguns títulos da Ubisoft abordem tópicos que resvalam desde no extremismo religioso até o terrorismo, passando pelo tráfico de drogas e o controle por parte do estado, o que me incomoda é que ao defender esta suposta neutralidade política, vez ou outra os artistas da Ubisoft acabam perdendo uma boa oportunidade de colocar o dedo na ferida, algo tão comum em filmes, livros e músicas, mas ainda bastante raro nos games. Para mim, o maior exemplo desta falta de coragem está no capítulo anterior da franquia, quando um líder religioso usa uma espécie de gás para convencer as pessoas a lhe seguirem. Ora, se os criadores queriam fazer uma crítica, porque não dizer que o sujeito simplesmente fazia uma lavagem cerebral nas pessoas?

Bom, o fato é que as contas precisam ser pagas e verdade seja dita, a série sempre teve um pezinho na galhofa. No caso do Far Cry 6, isso pode ser visto no trailer que mostra um pouco da jogabilidade, onde temos um crocodilo de camiseta, um simpático cachorrinho numa cadeira de rodas e armas tão absurdas quanto uma capaz de disparar CDs enquanto toca uma famosa música dos anos 90.

O efeito Cyberpunk 2077

Já outra polêmica em que a Ubisoft quer evitar se envolver diz respeito ao desempenho do Far Cry 6, mais precisamente sobre como o título se comportará nos consoles da geração passada. Quem falou sobre o esforço da empresa para não repetir o que vimos acontecer com o jogo da CD Projekt Red foi o chefe de design de jogabilidade, David Grivel.

Nós realmente almejamos a qualidade máxima em todas essas plataformas. Conforme avançarmos pelas próximas semanas ou meses, nós definitivamente começaremos a mostrar mais nas diferentes plataformas. O que posso dizer, e não posso entrar em muitos detalhes sobre especificações ou coisas assim, é que tanto na geração anterior quanto no novo Xbox Series e PS5, o jogo está rodando bem.”

Segundo Grivel, nos novos consoles o título será executado em todo o esplendor dos 60 fps e 4K, mas isso não significa que no Xbox One ou PlayStation 4 o Far Cry 6 tenha sido “abandonado”. É claro que haverá diferenças significativas na parte visual, mas depois de todos os problemas relatados com o Cyberpunk 2077, é muito bom saber que um título de mundo aberto desta magnitude está sendo bem tratado pela desenvolvedora.

Ainda assim, com o lançamento do Far Cry 6 estando marcado para o dia 7 de outubro, acho importante que Ubisoft não demore muito para começar a soltar esses vídeos mostrando como o jogo funcionará na geração anterior. Apenas desta maneira eles poderão reduzir os estragos causados pela decepção, pois infelizmente tem muitas pessoas que devem olhar para o que foi mostrado até agora e achar que o jogo rodará desta maneira mesmo nos primeiros modelos do One/PS4.

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