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Hyundai compra Boston Dynamics e seus robôs

A Boston Dynamics foi vendida. De novo. Dessa vez para a Hyundai. Esperemos que isso seja suficiente para salvar a admirada e temida empresa.

22/06/2021 às 19:16

A Boston Dynamics é o mais próximo que temos de uma Cyberdyne Systems, e isso é ótimo. Por anos acompanhamos seus robôs, cada vez mais avançados, mas ironicamente a empresa nunca foi a lugar nenhum.

Admito, o Atlas é meio assustador (Crédito: Boston Dynamics)

Fundada em 1992, a Boston Dynamics começou desenvolvendo softwares para a Marinha dos Estados Unidos, na área de simulações. Aos poucos o foco foi mudando para a criação de robôs, com a empresa ganhando várias verbas de fomento de pesquisas da DARPA, a Agência de Projetos Avançados dos Departamento de Defesa.

Nem sempre os projetos davam certo, o BigDog, o primeiro robô militar da Boston Dynamics era de certa forma impressionante, carregando 140Kg e andando com quatro patas, mas ele era movido por um motor de dois tempos, gasolina, e extremamente barulhento. Acabou sendo cancelado. Ou errou o gênero de algum general, sei lá.

Os robôs da Boston Dynamics são inegavelmente avançados:

Só que eles não são avançados o suficiente. O Atlas é impressionante, mas ele é uma marionete. Ele só é mostrado em ambientes controlados, é incapaz de reagir a comandos simples como “pegue aquela caixa”, ou “abra a porta”. A Boston Dynamics ainda está anos, talvez décadas de produzir um robô com autonomia suficiente para ser útil no caótico mundo dos humanos.

O departamento de pesquisa deles é excelente, mas os robôs apresentados são soluções caras demais, e mesmo o maior sucesso da Boston Dynamics, o robô Spot é um luxo. Com sua bateria de sensores ele é excelente e está sendo usado para patrulhar perímetros industriais, mapear ambientes e muito mais.

Só que cada Spot custa US$75 mil e demanda muita programação antes de se tornar uma ferramenta útil. Até um Aibo (pergunte a seus pais) era mais user-friendly.

Por essas e outras a receita da Boston Dynamics não era lá essas coisas. Com 240 funcionários, a receita projetada para 2021 é de US$61 milhões, o que convenhamos é troco de pinga. Note: São 61 milhas de RECEITA, não lucro.

Não que o potencial da empresa não seja apreciado. Em 2013 o Google adquiriu a Boston Dynamics por um valor não-divulgado, mas em 2017 durante uma reestruturação repassaram a BD para o Softbank, um conglomerado japonês. Faz sentido, japoneses adoram robôs.

A Boston Dynamics continuou a produzir e aprimorar seus robôs, principalmente o Spot, que foi disponibilizado para o público em geram em Junho de 2020.

Muito tarde, muito pouco. A Boston acabou sendo oferecida ao mercado. Em Dezembro de 2020 a coreana Hyundai mostrou interesse, e agora em Junho de 2021 a transação foi completada. Por um valor em torno de US$880 milhões de dólares, 80% da Boston Dynamics agora estão sob controle da Hyundai.

A perspectiva é que a empresa da Pior Coréia use o know-how da Boston Dynamics para revolucionar o uso de robôs industriais, enquanto mantém as pesquisas de longo prazo como o Atlas.

Curiosamente, o vídeo de divulgação da Hyundai carece de uma parte importante:

Mesmo o conglomerado sendo ativo participante do complexo industrial-militar, construindo e vendendo até navios de guerra, a Hyundai mostrou uma visão idílica dos robôs. Nada de patrulhas de segurança, controle de perímetros, apenas situações benignas, como um Spot branco em um hospital, servindo de suporte para um iPad com um médico fazendo tele-visita.

Talvez a Hyundai tenha feito o dever de casa e entendido o que Isaac Asimov já havia percebido: As pessoas possuem muita desconfiança, ainda mais de robôs humanóides, mas todos são mal-vistos.

Recentemente em Nova York a polícia iniciou um programa de testes usando um Spot para auxiliar em ações policiais. Calma, não é nenhum Robocop, ele funcionava apenas como uma bateria de sensores, fazendo reconhecimento de cenas de crimes em andamento, sem colocar em risco vidas de policiais.

Não deu certo. Um monte de gente chilicou, vereadores começaram a cobrar explicações e os cenários eram basicamente gente dizendo que era o início de uma distopia com robôs assassinos. O programa foi suspenso e a Boston Dynamics perdeu um leasing de US$94 mil.

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