Meio Bit » Software » Windows 11 vem aí, com uma série de novos caveats

Windows 11 vem aí, com uma série de novos caveats

Microsoft anuncia o Windows 11, que trará diversas novidades, além de alguns detalhes aos quais o consumidor deve ficar atento

12 semanas atrás

A Microsoft anunciou nesta quinta-feira (24) o Windows 11, a próxima versão de seu sistema operacional (o quê, você realmente acreditou que o Windows 10 seria a última?). O software chegará no final de 2021 com um visual repaginado, integração nativa ao Teams e plataforma Xbox, com acesso ao Cloud Gaming, apps de Android rodando de forma quase direta e maior retorno financeiro para developers developers developers, entre outras coisas.

Muita gente se empolgou com as novidades, mas como sempre, caveat emptor. Há uma série de detalhes e pormenores integrados ao Windows 11, aos quais os usuários padrão, e até mesmo desenvolvedores, devem ficar atentos antes de embarcar na atualização, que inclusive, não estará ao alcance de todos.

Conheça os "detalhes" do Windows 11 antes de pensar em atualizar (Crédito: Divulgação/TriStar Pictures/Jersey Films/Sony Pictures)

Conheça os "detalhes" do Windows 11 antes de pensar em atualizar (Crédito: Divulgação/TriStar Pictures/Jersey Films/Sony Pictures)

Listamos aqui alguns dos principais pontos que merecem atenção dos usuários e desenvolvedores, antes de cogitar a atualização para o Windows 11.

1. O "fator Windows Vista"

A atualização do Windows 11 será gratuita para usuários do Windows 10, diferente do que aconteceu com a atual versão, que concedia elegibilidade a quem usava versões originais do Windows 7 e Windows 8.x.

O sistema operacional será lançado nas versões tradicionais Home e Pro para usuários finais, além da Education, para estudantes e professores através de escolas e universidades, e Enterprise, disponível via leasing para clientes corporativos de médio e grande porte.

No entanto, a Microsoft adotou algumas medidas visando forçar a atualização do hardware da base instalada, como aconteceu com algumas versões passadas, que chegaram ao mercado com maiores exigências. Embora o Windows 95 e o XP entrassem nessa categoria (o Windows 8 conseguia rodar em máquinas bem limitadas, com algumas gambiarras), o caso mais notório foi o do Windows Vista.

Windows Vista em toda a sua glória (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Windows Vista em toda a sua glória (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Lançado em 2007, ele foi intencionalmente desenvolvido como um SO pesado e exigente, para fomentar a aquisição de novos PCs pelos usuários, o que se revelou um tremendo tiro no pé. O Windows 7, 8 e até mesmo o 10, guardadas as devidas proporções e a evolução gradual, conseguiam rodar em computadores bem modestos.

O mesmo pode-se dizer do Windows 11, mas em termos. Embora ele rode em configurações com no mínimo 4 GB de RAM, processador dual-core de 1 GHz e telas de 720p, consumindo apenas 64 GB de espaço na instalação padrão, o suporte a 32 bits foi finalmente para o espaço, ainda que uma minoria bem, mas bem pequena, ainda possua PCs com CPUs tão antigas.

Em verdade, a grande mudança que está deixando muita gente de cabeça quente atende pelo nome de TPM, ou Trusted Platform Module. Também conhecido como ISO/IEC 11889111, é um padrão internacional reconhecido para a implementação de um criptoprocessador seguro, desenvolvido para realizar operações de segurança e garantir a integridade do sistema. Ele pode ser tanto um módulo físico separado, conectado à placa-mãe pelo próprio usuário ou fabricante, um componente integrado no hardware, ou uma camada de segurança implementada via firmware.

O TPM, atualmente na versão 2.0, pode processar e criptografar senhas, bem como verificar se a licença de uso do Windows é legítima, e implementar recursos de DRM para impedir a reprodução de softwares ou conteúdos protegidos pelas leis de copyright.

Tela principal do Windows 11 (Crédito: Divulgação/Microsoft)

Tela principal do Windows 11 (Crédito: Divulgação/Microsoft)

A Microsoft exige que novos laptops vendidos com o Windows 10 contem com o TPM 2.0 implementado de fábrica desde julho de 2016, mas abria exceção para desktops montados sob demanda (personalizado por uma revenda ou montado pelo usuário), para a instalação de ISOs personalizadas e modelos desenvolvidos pelas OEMs com fins específicos.

Com o Windows 11, a adoção do TPM 2.0 passa a ser obrigatória para todos os usuários, e muitos estão descobrindo, através da ferramenta de diagnóstico Verificação de integridade do PC (cuidado, download direto, 13,4 MB), que mesmo configurações recentes não rodarão o Windows 11.

Em alguns casos, é possível ativar o recurso via BIOS; outros, como a totalidade de donos de Macs que usam o Windows 10 via Boot Camp (meu caso), não poderão atualizar, pois o hardware da Apple não implementa o TPM desde 2006, tendo optado pelo chip T2 em modelos mais recentes com processadores Intel.

Sem contar que com humanos sendo o que são, os preços dos TPMs físicos estão inevitavelmente escalando:

No geral, se a Microsoft não rever esse ponto em específico, usuários terão que apelar ou para um módulo TPM 2.0 adicional em desktops , ou comprar novos laptops prontos para o Windows 11, algo ainda mais complicado de fazer em plena crise causada pela pandemia da COVID-19, que desencadeou uma escassez generalizada de componentes.

A virtualização do Windows 11 seria uma opção menos custosa, mas nem todos poderão contar com uma solução não-nativa, dependendo do contexto.

2. Windows 11 Home exigirá conta Microsoft

Nos últimos anos, a Microsoft incentivou ao máximo que usuários Windows deixassem de usar contas locais e adotassem a conta Microsoft como login do sistema, como forma de conceder acesso a serviços em múltiplos dispositivos, como arquivos na nuvem do OneDrive e progresso em jogos da plataforma Xbox.

Quem optar pelo Windows 11 Pro poderá continuar usando uma conta local, mas os usuários que adquirirem a versão Home, incluindo todos que comprarem novos PCs com o sistema já instalado, serão forçados a criar uma conta Microsoft, pois a opção offline não mais estará disponível.

Tela de login do Windows 11 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Tela de login do Windows 11 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Embora a conta Microsoft seja uma conveniência para quem possui diversos aparelhos com serviços Microsoft, de desktops a laptops Windows e consoles Xbox, nem todo mundo se sentia confortável com a ideia de depender de uma conta online para usar o SO, e preferiam manter tudo offline, mesmo que isso significasse ter acesso a menos recursos.

A intenção da Microsoft é forçar maior integração de usuários domésticos a seu ecossistema, e mesmo que as intenções sejam legitimamente boas, é fato que muitos não vão gostar de não ter a opção de usar contas offline com o Windows 10 Home, sendo obrigados a gastar mais com a versão Pro para ter acesso ao recurso.

3. 100% da renda para apps, mas não para jogos

A Microsoft se revelou mais flexível que Apple e Google quanto à remuneração de softwares em seu ecossistema. Como forma de atrair desenvolvedores, tanto de apps Modern quanto os clássicos Win32, que também poderão ser distribuídos pela Microsoft Store, a companhia revelou que não impedirá a implementação de lojas alternativas em softwares, de modo que estúdios poderão reverter 100% da renda com compras internas para si, sem pagar nenhum tipo de taxa para Redmond.

A pegadinha reside no fato de que o mesmo vale apenas para apps e softwares, e exclui completamente os games.

Xbox Game Pass e Game Cloud serão integrados ao Windows 11 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Xbox Game Pass e Game Cloud serão integrados ao Windows 11 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

O Windows 11 irá separar o Xbox completamente da Microsoft Store, e os jogos da plataforma passarão a serem disponibilizados apenas pelo app dedicado à plataforma de entretenimento, tanto para compra quanto para download e streaming, através dos serviços Xbox Live Gold, Xbox Game Pass e Xbox Cloud Gaming (antigo Project xCloud), para execução pela nuvem. O serviço será lançado para desktop junto com o SO e também para navegadores no iOS, macOS e Linux, e para Android via app dedicado, este atualmente em fase beta fechado para Insiders.

A decisão de manter o recolhimento de taxa sobre games, que será reduzida para 12% no PC a partir de 1º de agosto de 2021 (versões para consoles Xbox continuarão a recolher 30%), de forma a bater de frente com o Steam e não ficar para trás em comparação à Epic Games Store, é bem simples: o ecossistema dependerá de mais gente assinando o Game Pass, o que justifica sua expansão para mais dispositivos, incluindo TVs, dongles e SOs não-Windows. A Microsoft vende consoles com prejuízo, assim, o lucro do Xbox virá das compras de jogos, compras in-game e assinaturas.

Com a separação de apps e softwares dos games, os últimos não serão permitidos implementar lojas alternativas para arrecadar a totalidade do dinheiro com compras internas, e continuará valendo o esquema de sempre, com todas as transações passando pelo caixa da Microsoft, que retirará sua parte, seja 12 ou 30%, dependendo do sistema.

O caveat revelado posteriormente pelo site The Verge já rendeu uma pérola excelente, e uma lição para que da próxima vez o CEO da Epic Games Tim Sweeney, que está travando uma guerra judicial contra Apple e Google justamente por não querer pagar taxas sobre as compras in-game bilionárias de Fortnite, espere antes de tuitar.

Então, Tim, é o seguinte... (Crédito: Reprodução/Twitter)

Então, Tim, é o seguinte... (Crédito: Reprodução/Twitter)

4. Apps de Android via Amazon, sem Google Play Services

Os apps de Android estão chegando ao Windows, mas apenas para quem migrar de versão. Na versão 11, a Microsoft vai implementar a tecnologia Intel Bridge, que atuará basicamente como um pós-compilador para as aplicações do sistema móvel do Google.

O Intel Bridge, que poderá ser usado também em PCs com processadores AMD, rodará uma segunda compilação sobre o app ou game, de modo que ele possa ser reconhecido pelo Windows como uma aplicação nativa, baseada em x86-64 (IA-32), ao invés de fazer com que o SO entenda os binários ARM diretamente. É uma abordagem similar à do Chrome OS, que roda os aplicativos Android em um container virtual separado.

O problema dessa abordagem está no fato de que nem todos os apps são reconhecidos por sistemas x86-64, o que leva a alguns rodarem, outros não, e nem todos são otimizados para desktops, e estamos falando de dois sistemas pertencentes à mesma empresa.

Agora imagine uma experiência em desktop que dependerá da integração entre três companhias.

Amazon Appstore será a mediadora e curadora dos apps Android (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Amazon Appstore será a mediadora e curadora dos apps Android no Windows 11 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Em uma decisão curiosa, a Microsoft optou por deixar a curadoria de apps do Android compatíveis com o Windows 11 (de forma oficial, que fique bem claro) nas mãos da Amazon, homologando apenas uma versão de sua Appstore para desktop. Ao acessá-la, o usuário terá à disposição a mesma seleção de aplicativos e games hoje disponíveis nos dispositivos da gigante das compras, que incluem os tablets Fire e dongles/set-top boxes Fire TV.

Isso cria alguns problemas. Primeiro, o que a Amazon não incluir na sua loja de apps não poderá ser instalado (de novo, legalmente) no Windows 11. Segundo, o usuário Windows não terá acesso ao Google Play Services, ausente nas versões distribuídas na loja digital, e que exclui também alguns dos Google Apps essenciais ao ecossistema do Android.

Por fim, a decisão de jogar tudo para a Amazon Appstore levanta a dúvida sobre quem será responsável por otimizar os apps e games para o Windows 11, se a companhia de Jeff Bezos ou o desenvolvedor. Na possibilidade da tarefa ficar a cargo do último, a mais provável, é certo que muitos não se darão ao trabalho e optarão por não mexer uma palha, enquanto outros, assim como aconteceu com os apps de iOS no macOS, não permitirão que os mesmos rodem em outros dispositivos que não os originalmente planejados.

Note que na apresentação foi mostrado o app do TikTok funcionando no Windows 11 de forma nativa, mas não os de outras redes sociais, que já barraram a mesma opção nos Macs com processador Apple M1.

Windows 11, a conclusão

O Windows 11 trará uma série de novidades que o sistema operacional da Microsoft carecia de implementar, para ficar alinhado principalmente à concorrência do macOS, mesmo respondendo por quase 90% do market share em desktops e laptops, entre todas as suas versões usadas atualmente pelos usuários.

Porém, a Microsoft levantou significativamente a barra para quem deseja atualizar, visando aumentar a segurança em primeiro lugar, mas que indiretamente levará parte dos usuários a trocarem seus hardwares, um passo complicado considerando a atual crise.

A exigência de contas Microsoft na versão Home vai incomodar quem prefere usar login offline, enquanto que a manutenção das taxas sobre games e a experiência dos apps Android podem criar complicações e um mal-estar para desenvolvedores, principalmente no que diz respeito ao tratamento dado a apps e softwares, que poderão ficar com toda a receita.

O Windows 11 deve chegar ao mercado antes do fim de 2021, e até lá, algumas das medidas anunciadas pela Microsoft poderão mudar, ou não. Dependendo do cenário, restará ao usuário decidir se vale a pena migrar, e no futuro veremos se o SO terá uma recepção mais próxima do Windows XP e 7, ou do Windows Vista.

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários