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Contrariando George Lucas, existe roupa de baixo no espaço, e isso é um problema

Trocar a roupa de baixo com frequência é algo que aprendemos desde cedo. Infelizmente astronautas não podem se dar a esse luxo

13 semanas atrás

Quando viu Carrie Fisher chegando no set, George Lucas imediatamente apontou que ela não poderia usar sutiã do baixo do vestido da Princesa Leia. Carrie indagou o motivo. George foi taxativo: “Não existe roupa de baixo no espaço”.

George Lucas tinha problemas. (Crédito: Lucasfilm)

Diante do argumento, Carrie cedeu, o que envolveu contra-regra e uma nefasta quantidade de fita-crepe, visto que o espaço é muito frio e os tecidos de Alderaan são muito finos, mas o maior problema é que George Lucas estava errado. Existe sim roupa de baixo no espaço, e isso é um grande problema para a NASA.

Que espaço não é nada glamouroso já contamos, fora o termômetro retal Alan Shepard fez seu vôo histórico deitado numa poça da própria urina, mas a situação piora. Em 1965 Frank Borman e Jim Lovell passaram 14 dias em órbita, na Gemini 7. A nave era essencialmente isto:

James McDivitt Ed White em sua Gemini. Não exatamente a Enterprise. (Crédito: NASA)

Imagine passar duas semanas morando em um carro, sem banco traseiro, tendo que se aliviar em um tubo e fazer o número 2 em um saco plástico, ao lado de seu companheiro. E banho? Nem pensar.

Banho no espaço aliás não existe até hoje.

Astronautas não podem se dar nem ao luxo de um Banho Tcheco, água é um bem muito precioso e escasso no espaço, ao menos dentro das cápsulas e estações espaciais. A solução é usar toalhinhas úmidas pra esfregar as partes mais estratégicas, e se molhar minimamente.

Aí temos outro problema: Por mais que você use o truque de vestir a roupa de baixo pelo avesso, em algum momento ela vai estar andando sozinha, o mesmo vale para suas meias, shorts e camisetas.

A recomendação da NASA é que os astronautas usem as roupas o máximo de tempo possível, mas e quando o cheiro e a pegajosidade atingirem níveis inaceitáveis? Uma das amenidades que a ISS não tem é uma máquina de lavar.

A roupa de baixo usada acaba se acumulando, e no final é descartada como lixo, e lixo caro. Dependendo de quem leve Cada Kg de material entregue na porta da Estação Espacial Internacional custa entre US$5 mil e US$10 mil. Não tem Amazon Prime no espaço.

Embora uma cueca ou uma calcinha no espaço não pesem muito isoladamente, um astronauta consome em média 68Kg de roupas por ano, e isso precisa mudar, é uma questão de dignidade humana.

Agora a NASA e a Procter & Gamble iniciaram um projeto para tentar resolver isso. Estão desenvolvendo uma versão do Tide, aquele detergente, especialmente projetado para ser usado no espaço. Em Dezembro enviarão uma amostra que será testada por seis meses, para identificar se a radiação e a microgravidade afetam as enzimas.

Saber que a Sandy estava umas duas semanas sem tomar banho ou trocar a roupa de baixo meio que tira o glamour, né? (Crédito: Warner brothers)

Com os resultados desse experimento em Maio de 2022 mandarão um conjunto de paninhos úmidos com o novo detergente, e “canetas tira-manchas”, que serão usadas para limpeza de áreas especialmente problemáticas e remoção de marcas de freadas espaciais. Ah, o glamour...

Junto com isso a Procter & Gamble vai projetar uma lavadora e secadora capaz de funcionar em Marte e na Lua, usando um mínimo de água e sabão. A água da lavadora será, claro, reciclada de outros usos, e após tratada voltará para o pool hídrico da base lunar ou marciana.

Isso não quer dizer que os astronautas vão abandonar as toalhinhas tão cedo, mas ao menos poderão aliviar a situação de sua roupa de baixo, afinal é muito complicado pensar no espaço com tudo coçando lá onde o Sol não brilha. <inserir piada com Uranus aqui>

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