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Mark Darrah: todos estão errados sobre a pirataria

Enquanto empresas e usuários trocam acusações, o ex-produtor das série Dragon Age diz que os dois lados estão errados quando falam sobre a pirataria

17 semanas atrás

A pirataria é um assunto espinhoso, que costuma colocar em lados opostos aqueles que a utilizam para consumir jogos, filmes e músicas, e as pessoas que trabalham criando esses conteúdos. Há muitos anos esta batalha vem sendo travada com os mais diversos argumentos, com alguns tentando justificar porque recorrem à prática e outros explicando porque ela não deveria ser adotada, mas para Mark Darrah, estão todos errados!

Pirataria

Crédito: Reprodução/cottonbro/Pexels

Mas antes de dizer porque o sujeito possui uma opinião um pouco diferente da maioria das pessoas em relação a pirataria, vale apresentá-lo. Tendo entrado para a BioWare na década de 90, o primeiro título em que Darrah trabalhou foi o Baldur's Gate, onde aparece creditado como programador. De lá para cá, ele participou de mais de 20 projetos, com o último deles tendo sido o Anthem, onde atuou como produtor executivo.

Tendo deixado o estúdio em dezembro de 2020, o veterano tem se dedicado a um canal no Youtube onde fala sobre assuntos ligados ao desenvolvimento de jogos como a tão comum (e criticada) prática de crunch; a maneira como o cabelo se comporta nos games; lições que aprendeu durante a criação de títulos como Jade Empire e Neverwinter Nights; e até mesmo sobre a nova onda de jogos vendidos por US$ 70.

Entre essas interessantes conversas, Mark Darrah decidiu dar seu ponto de vista sobre a pirataria e afirmou não concordar com as editoras utilizarem formas de DRM. Para as empresas, a justificativa costuma ser de que cada cópia de um jogo que for baixada ilegalmente significa que eles deixarão de obter uma venda pelo preço cheio. Para o game designer, os números normalmente divulgados pelas companhias e que trazem as perdas nas vendas são exagerados e muito além do que é visto na realidade.

Por outro lado, o game designer disse que aqueles que defendem que a pirataria não tem impacto na indústria “estão partindo de um lugar igualmente ridículo,” já que existe um custo para que um jogo seja desenvolvido e por mais que nem toda cópia pirateada seria revertida em venda, algumas certamente seriam. Outro argumento criticado por Darrah é aquele utilizado por alguém que diz que vai piratear um jogo como forma de boicote, o que as empresas na verdade enxergam apenas como uma motivação para aumentar as medidas de prevenção, como por exemplo utilizando DRM.

Outro comentário feito por ele diz respeito a quem costuma afirmar que não vê problema em piratear um jogo, pois não o compraria. Para o agora youtuber, se “se você nunca teria comprado um jogo, porque é tão importante pirateá-lo? Porque você precisa jogar isso, afinal?” Já em relação a países onde um jogo não se torna disponível, a pirataria pode acabar sendo a única opção, mas mesmo nestes casos ela não é recomendada, pois a longo prazo pode fazer com que as empresas percam o interesse por estes mercados, como é o caso da Rússia.

Por fim, Mark Darrah falou sobre quando os jogos simplesmente deixam de ser vendidos pelas companhias que detêm os seus direitos e deixou um conselho para quem costuma recorrer a cópias ilegais para jogar.

É difícil para mim argumentar contra isso. Você não está tirando dinheiro das mãos de alguém, porque eles optaram por não vender mais aquilo para você […] Eu sei que você possui uma justificativa para explicar porque a sua pirataria em particular está ok. Peço que você pare por um momento, pense se isso não é apenas uma desculpa e se o real motivo para a pirataria não é algo mais.

Como muito bem lembrado pelo pessoal do site PCGamer, há ainda outro fator importante que deveria servir para as pessoas pensarem duas vezes antes de baixar um jogo pirata, que é a possibilidade de termos sua máquina infectada por todo tipo de arquivo malicioso. De acordo com uma descoberta feita pelo serviço NordLocker, recentemente um trojan disseminado através de jogos e programas pirateados foi o responsável por roubar 1.2 terabytes de informações, incluindo 1.1 milhão de endereços de emails e 26 milhões de credenciais. Ao todo, entre 2018 e 2020, 3.2 milhões de computadores foram invadidos neste caso.

Quanto às declarações feitas por Mark Darrah, eu não tenho a menor dúvida de que muita gente o criticará, com os ataques provavelmente vindo mais do lado de cá desta moeda. Como ele disse, todo mundo que se vale da pirataria possui uma justificativa e particularmente, acho que a questão nem é apontar o dedo para os outros e dizer se estão certos ou errados.

Para mim, acho que o mais importante é olharmos para o que as empresas têm feito para diminuir esta prática e não estou falando aqui da adoção de DRMs draconianos, que chegam a prejudicar o desempenho do jogo ou até mesmo a experiência do usuário.

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