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VSS Unity realiza 1º voo com passageiros da Virgin Galactic

A VSS Unity entrou para a História como a primeira nave espacial turística, ao levar quatro passageiros da Virgin Galactic

12/07/2021 às 19:33

A VSS Unity realizou um vôo histórico levando pela primeira vez passageiros em um passeio suborbital, no que foi talvez a pior transmissão da História, e uma irritante celebração da vida e Obra de Richard Branson, mesmo assim, foi incrível.

VSS Unity (Crédito: Virgin Galactic)

Em verdade o evento não foi pensado para os nerds espaciais. Foi uma celebração para o grande público, com direito a uma hilária, mesmo que deslocada apresentação de Stephen Colbert, arquiinimigo fake de Sir Richard Branson.

Além de especialistas da Virgin Galactic, a mesa de “comentaristas” contou com o astronauta canadense Chris Hadfield, mas infelizmente para quem queria ver o lançamento, o foco foi Richard Branson, com vídeos da chegada dele no Espaçoporto América, no Novo Mexico, vídeos da história da Virgin Galactic e até vídeo sobre sua mãe (a dele, não a sua).

A transmissão teve erros primários, os segmentos com Stephen Colbert foram pré-gravados e mesmo assim entravam fora de sincronismo e com o vídeo retardado, então depois de alguns segundos era como se a “fita” fosse acelerada e tudo ficava normal.

O streaming começou com o VSS Eve, o avião que leva a VSS Unity até a alta atmosfera já no ar. Não vimos o embarque dos astronautas, não vimos as preparações e nem a decolagem.

Foi bonito. (Crédito: Virgin Galactic)

Durante o vôo vimos mais vídeos, algumas imagens do exterior da nave, e mais nada. Por volta de 40 mil pés de altitude foi feita uma contagem regressiva, a VSS Unity se desprendeu e o motor foi acionado. Conseguimos receber alguns fragmentos de vídeo durante a subida.

Quando o combustível se esgotou a Unity continuou subindo, enquanto os passageiros desprendiam os cintos de segurança e se maravilhavam, flutuando pela cabine. Richard Branson mandou uma mensagem para as crianças do mundo, falando de perseguir seus sonhos, etc, etc. Não que alguém tenha ouvido, a Virgin Galactic não conseguiu manter um link de áudio funcionando.

Mesmo assim foi bonito. (Crédito: Virgin Galactic)

Depois de três minutos, foi a vez de todo mundo voltar aos assentos e a nave iniciou seu longo vôo planado, até pousar sem maiores problemas. Depois disso rolou um show de um rapper ou algo assim, mas todo mundo já tinha fechado a janela do browser.

Dito assim parece que foi decepcionante, e foi. A transmissão. O evento em si foi magnífico, os vídeos foram baixados editados e disponibilizados, e é evidente a alegria e emoção dos passageiros, foi a viagem de uma vida, e o início de uma nova era.

Turismo Espacial já existe, mas é exclusivo aos super-ricos. Os vôos da Virgin Galactic e da Blue Origin são para os ricos, e é assim que funciona, com novas indústrias e tecnologias. As pessoas criticando “bilionários brincando de construir naves espaciais” dificilmente pensam que 114 anos atrás estariam falando as exatas mesmas bobagens sobre esse sujeito rico e seu hobby de construir geringonças voadoras sem uso prático, enquanto criancinhas passavam fome na Abissínia.

Hobby de rico!!! (crédito: Domínio Público)

Toda, TODA indústria nova começa cara, é preciso muito investimento a fundo perdido, muita vontade de ser pioneiro até vencermos o paradoxo Tostines, de que vôos espaciais são muito caros por não haver economia de escala, e não há economia de escala por causa dos custos dos vôos.

Em 1919 foi inaugurado o primeiro vôo diário comercial entre Londres e Paris. O avião era este aqui:

Pelo menos o assento na janela era garantido (Crédito: Topical Press Agency/Hulton Archive)

Um Airco DH.4, um bombardeiro da Primeira Guerra Mundial adaptado para transporte de passageiros, ou melhor, passageiro. No caso um tal George Stevenson-Reece, jornalista do Evening Standard. A passagem, obviamente paga pelo jornal custou 20 Guinés, o equivalente hoje a US$1400 em valores de 2021. O vôo durou duas horas e meia, e a passagem era só de ida, claro.

Hoje o mesmo vôo (ok, não o mesmo, o avião é maior) custa US$90, e se você procurar nas empresas low fare, consegue promoções até por US$30,00.

Sobre a questão de ser um “beco sem saída”, da nave decolar e pousar no mesmo lugar, primeiro vamos ignorar completamente a fila de cientistas esperando para realizar seus experimentos em microgravidade com a Blue Origin e a Virgin Galactic.

Eu disse que foi lindo? (Crédito: Virgin Galactic)

A pergunta então é: Para onde vai a Roda Gigante de Londres? Quando você faz um cruzeiro, faz por precisar chegar no destino? OK a maioria volta pro porto de partida. Ninguém faz uma viagem turística para chegar a algum lugar, você faz por causa da experiência.

Ao criar esse mercado os Bransons e Bezos da vida estão criando mais expertise na área, abrindo vagas para preciosos engenheiros e cientistas espaciais, estão desenvolvendo novos métodos de fabricação, e tornando corriqueiro algo que antes era restrito a alguns poucos eleitos.

A briga no Twitter esses dias era se turistas podiam ser chamados de astronautas, “só” por terem ido ao espaço.

Eu acho que no momento em que ir ao espaço se tornou algo que pode ser definido com um “só”, estamos no caminho certo, e nossos bisnetos vão achar inacreditável como era caro fazer um vôo espacial. Sem falar na insanidade dos primórdios de uma indústria aonde até pouco tempo os foguetes só eram usados uma vez.

Branson também achou bonito. (Crédito: Virgin Galactic)

Como Elon Musk falou: “Na História da Exploração Espacial foguetes descartáveis serão tão relevantes quando aviões descartáveis foram para a aviação”.

Ah sim, a brincadeira não acabou. Dia 20 de Julho de 2021 será a vez da Blue Origin decolar com o Blue Shepard, Jeff Bezos, seu irmão Mark e um passageiro misterioso.

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