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Valve, monopólio e a eterna briga pelos 30%

Valve é acusada de usar sua força para causar uma concorrência desleal no mercado de jogos para PC e taxa cobrada dos estúdio no Steam volta a ser criticada

02/08/2021 às 10:38

Durante muitos anos a Valve foi vista como uma das queridinhas da indústria, uma empresa que, graças ao seu sistema de distribuição digital, ajudou a fazer com que o mercado de jogos para PC se expandisse. Porém, junto com o sucesso do Steam veio o domínio deste setor e conforme outras lojas passaram a buscar uma fatia maior deste bolo, teve início uma guerra em que, ao que tudo indica, a empresa de Gabe Newell não está disposta a ceder.

Valve

Crédito: Reprodução/Igal Ness/Unsplash

De maneira resumida, tudo se trata da quantia que a Valve lucro com cada jogo vendido no Steam, salgados 30% que remetem a uma época em que a Nintendo dava os primeiros passos nos videogames e que se era aceito pelas desenvolvedoras e editoras até recentemente, agora é tratada como uma taxa muito alta. O problema se tornou maior quando a Epic Games passou a usar este elemento para criticar a concorrente, o que serviu para chamar a atenção dos jogadores para o assunto e acender uma fagulha de revolta nos criadores.

Mas enquanto a Valve voltava suas forças para enfrentar um inimigo que se mostrou mais poderoso (e insistente) do que muitos poderiam imaginar, houve quem se aproveitasse deste duelo de titãs para atacar em outro front e o seu nome é Wolfire Games. Mais conhecida por ser uma das responsáveis pelo Humble Bundle, em abril deste ano a empresa entrou com um processo antitruste contra os donos do Steam e a alegação foi de que a Valve estaria usando seu domínio no mercado para acabar com as chances de outras lojas.

De acordo com a reclamante, a presença do Steam no mercado de PC se tornou tão forte, que para uma desenvolvedora conseguir alcançar um público maior, fatalmente ela terá que publicar seus jogos por lá. Sabendo disso, a Valve estaria forçando a manutenção dos tais 30% — que é importante salientar, podem cair para 20% caso o jogo ultrapasse US$ 50 milhões em vendas — o que consequentemente estaria fazendo com que os custos de produção das empresas aumentassem e assim os jogos acabem ficando mais caros para os consumidores.

Além disso, outra queixa feita pela Wolfire Games diz respeito as chaves de ativação geradas gratuitamente para o Steam, algo que deveria permitir que os estúdios vendessem suas criações por preços menores em outras lojas. Porém, devido a chamada “Regra de Paridade de Preços”, a empresa impõe que tais títulos não podem ser vendidos por valores menores que os praticados no seu serviço e de acordo com o processo, isso estaria impedindo uma maior concorrência.

Um argumento que também foi utilizado é a incapacidade de outras lojas desafiarem o reinado do Steam. Mesmo admitindo que a concorrência existe, com lojas como a GOG ou a Uplay estando ativas há vários anos, até aquelas mantidas por companhias com cofres abarrotados, como é o caso da Microsoft ou da Electronic Arts, nunca conseguiram incomodar a Valve e isso fica mais claro ao notarmos que ambas preferiram voltar a oferecer seus jogos por lá.

Crédito: Reprodução/Valve

Ao se defender da ação, a Valve disse que a Wolfire não apresentou provas de que a taxa praticada estaria acima de um nível competitivo. Além disso, eles defenderam que ao criar uma experiência integrada para os consumidores e passar a vender jogos lá em 2004, decidiram pela agora criticada taxa e que “30% era um preço competitivo no começo, continuou sendo uma década depois em 2013, quando o Steam alegadamente se tornou ‘dominante’ e nada teria acontecido desde então para torná-lo supracompetitivo.

A empresa ainda afirmou que tais chaves nunca foram oferecidas com este propósito, mas sim como uma maneira livre dos criadores “venderem (ou distribuírem) um número razoável de cópias de jogos habilitados para o Steam.” Para eles, não existe a “obrigação de distribuição de Steam Keys, muito menos permitir que os desenvolvedores usem as Steam Keys para reduzir os preços do Steam em outras lojas” e que a lei antitruste não impõe “a obrigação da Valve facilitar a competição consigo mesma.

Para a Valve, o fato de outras lojas como a Epic Games Store estarem cobrando uma taxa menor é apenas uma confirmação de que os competidores enxergam o Steam como algo superior, o que por sua vez seria uma prova do quão competitivos são os preços praticados por eles. Outro indicativo do quão querida seria a plataforma estaria na maneira como os consumidores estariam reagindo às exclusividades garantidas pelos concorrentes, como aconteceu com o Borderlands 3:

A plataforma Steam é muito mais que um intermediário e oferece um valor real para os jogadores e desenvolvedores,” alegou a defesa da Valve. “Na verdade, os jogadores supostamente valorizam tanto o Steam que a Epic ter oferecido jogos populares exclusivamente na sua plataforma Epic Games Store ‘causou reações’ e ‘pedidos por boicotes’ de jogadores forçados a ‘esperar por lançamentos de jogos habilitados para o Steam ou a usarem uma plataforma de jogos para PC que eles não preferem.’

Eu adoro o Steam, é o serviço — e não apenas uma loja — de jogos para PC que mais utilizo e sempre que tenho a opção (leia-se, preços semelhantes), prefiro ter o jogo por lá. No entanto, não tenho como ignorar o quão nociva a sua liderança pode ser para nós, consumidores ou para os desenvolvedores, mesmo reconhecendo que este domínio foi fruto de muito investimento e das melhorias implementadas ao longo dos anos, das quais inegavelmente tanto usufruímos.

Também acho que seria muito bom se a concorrência fosse capaz de fazer com que as taxas praticadas pelo Steam fossem menores, na esperança de que isso realmente reduzisse o valor que pagamos pelos jogos, mas como aparentemente eles não estão fazendo nada ilegal, não consigo pintar a empresa como vilã. E verdade seja dita, eu também sou incapaz de ver mocinhos nessa história, pois a tão criticada exclusividade imposta por iniciativas como o Origin ou a Epic Games Store também foi utilizada para fundamentar o Steam e sei que a Wolfire Games não virou suas armas para a Valve apenas com a intenção de termos uma economia nas nossas compras.

Fonte: Gamespot

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