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EA gostaria de mais crédito pelos estúdios adquiridos

Para diretor da EA, empresa não tem recebido o devido crédito pela maneira como tem cuidado dos estúdios que adquiriu nos últimos anos. Você concorda?

06/08/2021 às 10:40

É inevitável, sempre que uma gigante anuncia a compra de alguma desenvolvedora, boa parte dos fãs correm para especular sobre como isso poderá afetar o futuro de suas franquias favoritas, lamentando previamente por um destino que parece certo. Entre as empresas que costumam estar nesta agourenta bola de cristal, a EA talvez seja aquela mais temida e o passado serve para explicar por que tantas pessoas temem quando eles saem às compras.

EA - Apex Legends

Crédito: Divulgação/Respawn Entertainment

Basta darmos uma rápida olhada no portfólio da EA para encontrarmos diversos estúdios que foram adquiridos, minguados ou tiveram suas filosofias profundamente alteradas, para posteriormente serem encerrados, num ciclo que teima em ser quebrado e que por isso nem surpreende mais. Foi esse o destino de companhias como a Bullfrog Productions, Danger Close Games, Mythic Entertainment, Pandemic Studios, Visceral Games e a Westwood Studios, isso só para ficar nas de maior expressão.

Mas apesar deste histórico comprometedor, aparentemente alguns executivos da EA acreditam que a editora tem feito um ótimo trabalho quando se trata da maneira como essas aquisições têm sido tratadas e quem publicamente saiu em defesa da empresa foi Blake Jorgensen. Ao apresentar o mais recente relatório financeiro da Electornic Arts, o diretor financeiro começou defendendo a recente compra da Codemasters, num negócio que lhes custou US$ 1,2 bilhão.

De acordo com Jorgensen, o primeiro lançamento pós-aquisição (F1 2021) tem registrado um desempenho comercial acima da expectativa da EA, mas ele reconhece que por não estarem no controle do estúdio há muito tempo, neste período de transição lhes coube integrar as equipes e garantir que o pessoal do marketing conseguisse fazer o melhor trabalho possível na divulgação.

Por isso ele acredita que a editora deveria receber o devido crédito pelo bom trabalho, mas aquilo que realmente estaria demonstrando o quão competente tem sido a empresa no gerenciamento destas aquisições seria a Respawn Entertainment. Com o principal título do estúdio no momento contando com cerca de 13 milhões de jogadores ativos semanalmente e com previsão de crescimento, o executivo aproveitou para usar o Apex Legends como exemplo positivo.

Acho que o garoto-propaganda aqui é quando você olha para a Respawn e para o que aconteceu com o Apex. Este é um esforço em equipe e a Respawn obviamente conduziu o incrível desenvolvimento do Apex, mas eles fizeram uma parceria extremamente boa conosco para chegar a o que o jogo é agora, chegando a quase US$ 2 bilhões em negócios ao longo de dois anos. Isto é inédito na nossa indústria e não tenho certeza se recebemos crédito suficiente por causa disso. Eu realmente não me importo, mas no fim das contas, é incrível o que as nossas equipes são capazes de fazer.

[…] Posso dizer que a combinação de grandes equipes e grandes marqueteiros é realmente poderosa nesta indústria e acho que fomos capazes de provar que podemos fazer isso com todas as aquisições que fizemos nos últimos quatro ou cinco anos.”

Contando atualmente com mais de 40 estúdios, entre as últimas compras da EA temos companhias renomados como a DICE, a Criterion Games e a BioWare. Porém, enquanto a primeira costuma receber elogios principalmente devido ao trabalho realizado com a série Battlefield e a engine Frostbite, as outras duas são alvos fáceis de críticas e muitas vezes apontadas como exemplos dos riscos de empresas deixarem de ser independentes.

Para muitas pessoas, trata-se apenas de uma questão de tempo até que a Electronic Arts resolva encerrar as atividades de qualquer uma das suas subsidiárias, bastando a diretoria cansar de esperar até que o resultado financeiro melhore ou que a política do estúdio não se encaixe no que eles julgam ser correto.

Hoje a Respawn é defendida como modelo? Ok, mas quem garante que este cenário não mudará caso o próximo jogo não se saia tão bem? E a Codemaster? Será que a desenvolvedora britânica não acabará sendo relegada a criar um medíocre Need for Speed após o outro?

É claro que aqui estou pensando apenas nas piores situações, mas considerando a falta de apego que a empresa demonstrou ao longo dos anos, é difícil ignorar tal possibilidade e me sinto muito à vontade para falar isso, pois ao contrário da maioria, não considero a EA a vilã que muitos pintam. Sim, é uma empresa que comete muitos erros, mas não vejo uma situação muito melhor entre boa parte das outras. Isso posto, exceto por algumas exceções, não tenho a menor dúvida de que há muito tempo eles passaram a preferir abandonar o lado artístico que carregam no próprio nome.

Fonte: PCGamesN

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