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Yoshiki Okamoto ainda lamenta famigerada capa do Mega Man

Mais de 30 anos após o lançamento do Mega Man, ex-funcionário da Capcom diz que se tivesse dependido dele, capa escolhida para os EUA não teria sido aceita

12 semanas atrás

Hoje elas podem ter perdido boa parte da sua importância devido a popularização da distribuição digital, mas as capas já serviram como o primeiro contato do consumidor com um jogo, sendo uma ferramenta de marketing fundamental para que algumas cópias a mais fossem vendidas.

Assim, se voltarmos aos primórdios da indústria veremos diversas ilustrações que fugiram bastante da proposta do título que tentavam vender, com os artistas usando toda a sua “criatividade” para chamar a atenção dos consumidores. E mesmo que involuntariamente, uma capa que conseguiu se destacar foi a do primeiro Mega Man.

Bad Box Art Mega Man

O “Bad Box Art Mega Man” no jogo Street Fighter X Tekken (Crédito: Reprodução/Youtube/Capcom)

Lançado no Japão em 17 de dezembro de 1987, o jogo de estreia do Bombardeiro Azul era visto com uma certa desconfiança por parte do departamento de vendas da Capcom. Porém, bastou o Rockman chegar s lojas para que as cópias se esgotassem rapidamente, fazendo assim com que a empresa mudasse de opinião e passasse a mirar numa localização para o mercado norte americano.

O que se viu a partir daquele momento foi uma corrida contra o tempo. O plano era lançar o jogo nos Estados Unidos antes do final daquele ano e para isso seria preciso que uma nova capa fosse criada. Com um dos responsáveis pelo marketing da empresa tendo apenas um dia para a tarefa, ele pediu que um amigo fizesse uma ilustração e seis horas depois, o que surgiu foi esta aberração aqui embaixo.

Crédito: Reprodução/Capcom

Numa evidente demonstração de que o artista não tinha muita ideia do que estava criando, a capa mostrava o protagonista do jogo como um homem (e não um garoto). Além disso, ele usava uma roupa azul e amarela, mas o pior de tudo era que o canhão que o personagem carregava no lugar da mão tinha sido substituído por uma pistola.

Com o passar dos anos aquele Mega Man acabou entrando para história (também) por contar com uma das piores capas de todos os tempos, com Keiji Inafune chegando a creditar o insucesso do jogo nos Estados Unidos àquela terrível arte. Porém, ele não foi o único que ficou indignado com a mudança.

Tendo participado da criação de diversos títulos extremamente populares como Final Fight, Street Fighter II e Resident Evil, Yoshiki Okamoto relembrou sua carreira em uma entrevista e nela aproveitou para dar sua opinião sobre a lendária capa:

Então, a versão ocidental do Rockman é chamada Mega Man. Você já viu a ilustração da capa? É um velho de meia-calça azul usando um capacete. Ele está em uma pose de caranguejo, com um tubo na mão. E eu não pude acreditar que aquilo foi permitido acontecer.

Tipo, tenho certeza de que todo mundo odeia aquilo! Quero dizer, nós criamos aquele jogo juntos, sabe? Mas porque ele tinha que cruzar o oceano... nós tivemos que ouvir as opiniões da equipe de marketing de lá [Capcom USA] sobre o que era ‘atraente’ e ‘popular’.

Se eu tivesse mais autoridade então — se eu fosse mais forte — nada disse teria acontecido. Isso é o que eu pensei. Na verdade, eu *ainda* penso nisso. No fim das contas, se eu tivesse a palavra final... poderia ter dito ‘NÃO!’

É interessante pensar no que poderia ter acontecido caso Okamoto realmente tivesse o poder de vetar aquela arte. Talvez o Mega Man alcançasse vendas melhores nos Estados Unidos, talvez hoje o game designer estivesse menos incomodado, mas a certeza é que por mais que o personagem se tornasse o mesmo fenômeno que se tornou, aquela capa nunca teria entrado para a cultura popular.

De uma infinidade de cosplays a participar de um jogo como o Street Fighter X Tekken, a figura que ficou conhecida como Bad Box Art Mega Man serviu como inspiração para o nono capítulo da série principal e até mesmo para um dos pôsteres do filme Free Guy: Assumindo o Controle.

Crédito: Divulgação/20th Century Studios

É por isso que acredito que o “legado” deixado por aquela terrível capa acabou sendo positivo. Hoje até mesmo a Capcom consegue rir da própria desgraça, conseguindo utilizar o caso a seu favor e de todos os erros que uma empresa pode cometer, certamente aquela bizarra ilustração está bem longe do topo da lista.

Por outro lado, sempre defenderei que qualquer pessoa que trabalha com criação tem o direito de reclamar quando alteram o que ela fez e neste caso, é compreensível que a equipe japonesa tenha ficado tão irritada com a lambança feita pelos americanos. Se não fosse pela qualidade geral daquele Mega Man, pode ser até que a decisão do marketing tivesse sepultado a chance do jogo se transformar numa franquia tão longeva.

Isso me faz lamentar como muitas vezes falta controle aos profissionais que trabalham no desenvolvimento de jogos, algo que acontecia naquela época e que continua sendo visto até hoje. No entanto, pelo menos eles não viram a capa do Mega Man ser modificada para algo ainda pior, como por exemplo um velhinho tocando banjo.

Fonte: NintendoLife

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