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Back 4 Blood — Deixados para morrer

Dos mesmos criadores do Left 4 Dead, Back 4 Blood é um jogo voltado para as partidas cooperativas e que mostra que zumbis ainda podem ser divertidos

14/10/2021 às 14:01

A luta dos humanos para sobreviver a um apocalipse zumbi é algo que já foi contado inúmeras vezes, com as obras que abordam o tema chegando a ser ignoradas por aqueles que o consideram um tanto batido. Porém, quando a Turtle Rock Studios anunciou um novo jogo chamado Back 4 Blood, a empolgação aflorou em muitos dos que adoram uma boa experiência cooperativa.

Back 4 Blood

Crédito: Divulgação/Turtle Rock Studios

O motivo para o projeto ter despertado o interesse em muitas pessoas é o fato de o estúdio ter sido o responsável por um dos títulos mais inovadores dos anos 2000, o Left 4 Dead. Além de ter estabelecido o padrão de quatro jogadores para jogos focados na cooperação, ele também introduziu a ideia de partidas realizadas com elementos aleatórios, fruto de uma inteligência artificial brilhantemente batizada como “O Diretor”.

Mesmo assim, algumas pessoas nem sabem que o L4D foi criado pela Turtle Rock Studios e um dos motivos para isso se deve a desenvolvedora californiana ter sido comprada pelos criadores do Steam na época e acabado sendo rebatizada como Valve South. Contudo, após o lançamento daquele jogo eles voltaram a ser independentes, com a propriedade intelectual ficando sob os cuidados da desenvolvedora.

Mas se o acordo poderia ter significado um futuro próspero para a franquia, ela só viria a receber um novo capítulo e algumas expansões. Então, sem que um terceiro jogo fosse oficialmente anunciado, as mentes por trás do original resolveram arregaçar as mangas, aproveitar tudo o que aprenderam ao longo dos anos e tentar novamente emplacar um grande sucesso naquele estilo.

Back 4 Blood

Crédito: Divulgação/Turtle Rock Studios

Sai o vírus, chegam os parasitas

Assim como acontecia na série Left 4 Dead, em Back 4 Blood boa parte da história será contada através de inscrições deixadas nas paredes por outros sobreviventes. No entanto, aqui os personagens que controlamos são muito mais falantes, com os diálogos travados entre eles servindo para torná-los mais profundos e interessantes.

Conhecidos como Sentinelas, os protagonistas são tratados como veteranos do apocalipse, um grupo que tem conseguido sobreviver a um catastrófico surto que dizimou grande parte da humanidade. Naquele universo, o responsável por causar tanto caos é um parasita de origem desconhecida, capaz de fazer com que aqueles chamados de Contagiados demonstrem um comportamento extremamente violento e irracional. Os bons e velhos zumbis, mas como virou moda chamar os mortos-vivos por nomes diferentes e pomposos...

Caberá então ao grupo a dura tarefa não só de sobreviver, mas fazer o possível para criar zonas seguras e salvar o máximo de pessoas que encontrarem pelo caminho — o que reflete diretamente na jogabilidade. Com missões que vão desde explodir um navio até chamar a atenção dos inimigos para que assim alguns sobreviventes possam escapar, há ainda a necessidade de levar suprimentos até um determinado ponto e uma boa variedade de coisas a fazer.

Back 4 Blood

Crédito: Divulgação/Turtle Rock Studios

Um baralho, um pouco de cobre e os oito odiados

Nos dando acesso a oito personagens controláveis, em Back 4 Blood eles não terão diferença apenas na aparência. Contando com virtudes e fraquezas, ter um grupo formado por Sentinelas que se complementam pode fazer a diferença em sairmos vivos de uma campanha, fazendo com que a coordenação entre os jogadores seja fundamental.

Por exemplo: enquanto o teórico da conspiração Howard Hoffman é capaz de gerar munição com cada morte realizada, a Mãe consegue fornecer vida extra à equipe. Já o novato Evangelo aumenta a velocidade geral da equipe, enquanto o Jim melhorará o dano causado aos pontos fracos dos mortos-vivos.

Além disso, os personagens contam com armas secundárias específicas, então, se você gosta de carregar um facão para garantir sua proteção, é melhor ignorar os Sentinelas que carregam uma submetralhadora. Isso não nos impede de trocar o equipamento durante as fases, mas aí você precisará contar com a sorte e com a boa vontade dos outros jogadores.

Com cada zona de segurança contando com uma caixa de suprimentos que fará o papel de loja, será preciso utilizarmos o cobre encontrado pelo cenário para adquirirmos armas e melhorias para elas, assim como itens de cura ou que servirão para ataque, como granadas e coquetéis molotov. Saiba no entanto que nossas carteiras serão zeradas ao concluirmos uma campanha, então não fique muito preocupado em economizar e sempre que possível torne seus equipamentos mais fortes.

Isso faz com que o título tenha um sistema de progressão típico de roguelikes, mas de todas as novidades trazidas pelo Back 4 Blood, a que tem maior influência na experiência certamente é a utilização das cartas. Servindo como modificadores para as partidas, caberá ao jogador descobrir quais combinarão melhor tanto com o seu estilo, quanto com o personagem que estiver controlando.

Por adicionarem uma boa dose de estratégia à jogabilidade, será preciso escolher sabiamente quais cartas levar conosco, pois de nada adianta uma que nos conceda munição extra se estivermos usando um personagem mais voltado para ataques com bastões ou facas. Quer ajudar a equipe curando quem tiver sido atingido? Basta focar num deck com esse propósito. Não gosta de ficar sem fôlego durante um ataque? Pois há cartas que melhorarão esse aspecto.

Também precisaremos levar em consideração que a inteligência artificial terá acesso a cartas que modificarão a partida, como ao adicionar neblina ao mapa, invocar mutações para alguns Contagiados ou nos dando bônus por concluirmos uma fase sem acionarmos alarmes.

Além disso, podemos esperar situações aleatórias disparadas por esta versão do Diretor. De acordo com a maneira como a nossa equipe estiver progredindo, a IA poderá fazer com que uma horda se torne perigosamente maior ou enviar diversos Contagiados especiais para nos caçar.

Tudo isso faz com que o Back 4 Blood entregue uma experiência muito mais cerebral que aquelas vistas na série da Valve, já que a todo momento tomaremos decisões que farão a diferença entre prosseguir ou sucumbir diante dos inimigos que nos cercam. O problema é que ao mesmo tempo em que este pode ser considerado o maior diferencial do jogo, também serve como o seu calcanhar de Aquiles.

Crédito: Divulgação/Turtle Rock Studios

Antes só, do que mal acompanhado(?)

Para quem gosta de um bom desafio, se desconsiderarmos o nível de dificuldade mais baixo, o Back 4 Blood é um jogo que será impiedoso, principalmente com equipes que não contem com uma boa comunicação entre seus membros. Com os zumbis especiais surgindo a todo momento e contando com bastante resistência, com a munição sendo escassa e os nossos personagens caindo rapidamente, é bom você se preparar para sofrer.

O mesmo vale para aqueles que quiserem encarar as fases no modo solo, quando três bots nos acompanharão pelas missões. Embora a inteligência artificial funcione melhor do que aquela vista nos dois Left 4 Dead, ela ainda passa muito longe do comportamento de seres humanos, especialmente se estivermos jogando com amigos.

Sim, é muito bom poder contar com a generosidade do computador quando precisamos de munição ou ao sermos derrubados. Porém, irrita ver que um bot é incapaz de carregar uma caixa até a zona seguramais próxima, montar uma metralhadora no cenário ou simplesmente não ficar cruzando a nossa linha de fogo toda hora.

Mas se tem algo que pesa ainda mais contra a ideia de curtirmos o jogo sozinhos, são as várias limitações impostas pela desenvolvedora, como a incapacidade de desbloquearmos conquistas/troféus ou não ganharmos pontos de suprimentos.

Servindo como uma moeda para a compra de novas cartas, esses pontos são parte fundamental da experiência e só poderão ser obtidos ao participarmos de partidas com outras pessoas, o que tem desagradado boa parte do público.

A possível explicação para essas travas está no fato de que no modo solo não precisamos desbloquear as cartas, com elas estando disponíveis desde o início. Esta foi a maneira escolhida pelo estúdio para nos permitir experimentar diversos decks e como as pessoas poderiam abusar do sistema e até mesmo quebrar a economia do Back 4 Blood, optou-se por fazer com que os dois modos funcionassem de maneira independente.

No entanto, é importante dizer que as cartas não podem ser adquiridas com dinheiro real e que a Turtle Rock Studio já admitiu implementar mudanças no sistema de progressão para o modo solo. Se tais mudanças serão suficientes para reverter o atual cenário, só com o passar do tempo poderemos saber.

Ou seja, este é mais um jogo em que apesar de termos a opção de jogar sozinhos, a sua verdadeira qualidade só poderá ser vista quando estivermos juntos de três outras pessoas, principalmente se elas forem conhecidas. Nas vezes em que encarei campanhas com jogadores aleatórios a raiva que passei foi quase tão grande quanto ao estar ao lado dos bots, chegando ao cúmulo de em uma das fases um dos membros da equipe ter disparado TODOS os alarmes que encontramos pelo caminho. Eu não sei se ele fez de propósito, mas isso não minimiza a irritação que o sujeito causou não só em mim, mas nas outras duas pessoas que participaram da partida.

Crédito: Divulgação/Turtle Rock Studios

De volta para mais sangue (e diversão)

Ao implementar algumas novidades interessantes em sua jogabilidade como a possibilidade de indicarmos pontos dos cenários (sistema também conhecido como ping) ou ouvir os personagens avisando que encontraram armas e itens, o Back 4 Blood merece crédito por conseguir nos dar uma boa noção de como seria um Left 4 Dead 3.

O jogo poderá ser criticado por ser muito parecido com aqueles que lhe serviram de inspiração, mas o que para algumas pessoas é um defeito, considero uma virtude. Sim, desde a própria mecânica até os zumbis especiais, que apesar das diferenças visuais possuem comportamentos muito parecidos com os da série da Valve, tudo remete diretamente ao jogo que a própria Turtle Rock Studios ajudou a criar.

Mesmo assim, tentar replicar a fórmula de sucesso utilizada por um jogo muito adorado é uma prática comum, mas que raramente leva a um produto tão bom quanto o original. Eu não ousaria dizer que esta nova tentativa chega a superar o que foi feito por eles mesmos há mais de uma década, mas se se este título não é melhor, também não fica devendo em nada ao L4D.

Conseguindo entregar um nível bem alto de tensão em alguns momentos, Back 4 Blood pode ser considerado por alguns como algo próximo de um remake, já para outros como um reboot ou “apenas” um sucessor espiritual. De qualquer forma, seu maior mérito está na capacidade de suprir a necessidade que muitos de nós sentíamos por um novo Left 4 Dead e até que a Valve decida voltar à série, dificilmente haverá maneira melhor de experimentar algo tão parecido com ela — e em alguns aspectos, até superior.

Back 4 Blood — Ficha Técnica

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series S|X;

Desenvolvedora: Turtle Rock Studio;

Distribuidora: Warner Bros. Interactive Entertainment;

Data de lançamento: 12/10/21.

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