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Riders Republic — Corridas radicais na Sessão da Tarde

Com um enorme (e belo) mundo a ser explorado e oferecendo várias modalidades, Riders Republic é um divertido jogo de corrida com esporte radicais

04/11/2021 às 11:13

Nos últimos anos a Ubisoft tem se especializado em criar jogos repletos de conteúdo e ambientados em mapas imensos. Em 2016 esse modelo levou um estúdio baseado na cidade francesa de Annecy a lançar o Steep, título que nos colocava para disputar alguns esportes de inverno, mas aquele seria apenas o embrião para algo muito maior, um jogo que não se limitaria apenas a lugares gelados. Seu nome seria Riders Republic.

Riders Republic

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Reunindo imagens geradas por satélite de sete parques nacionais dos Estados Unidos e fazendo com que eles formassem um único mapa, no jogo teremos a possibilidade de explorar os mais variados biomas. Dos íngremes picos de Grand Tetom à árida região de Canyonlands, passaremos ainda pelas altas árvores de Sequoia, pelos vales estreitos de Zion ou suaremos frio enquanto voamos pelas peculiares formações rochosas de Bryce Canyon.

De acordo com a desenvolvedora, parte deste mundo foi gerado usando tecnologia procedural, mas a sensação que temos enquanto nos movemos pelas regiões é de que cada obstáculo, cada passagem foi feita cuidadosamente para aumentar a nossa adrenalina. Isso provavelmente se deve ao fato de membros da equipe de desenvolvimento terem visitado as localizações reais, mas também por outros seis estúdios terem participado da criação.

Contudo, essa variedade de cenários é a desculpa ideal para nos colocar para disputar diversas provas. Em Riders Republic poderemos participar de corridas de ciclismo de estrada, mountain bike, snowboard, ski, wingsuit e até mesmo voar com uma asa movida a propulsão a jato. Há ainda a possibilidade de explorarmos o mapa a bordo de um snowmobile, paraglider ou até mesmo com skis e bicicletas motorizadas.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Já algumas provas serão voltadas para a realização de manobras em alguns dos meios de transporte. Para ser sincero, estas modalidades não conseguiram me agradar, pois a menos que você se dedique bastante para decorar os muitos movimentos, no geral passará por esses desafios apenas apertando qualquer botão e tentando fazer com que o personagem não sofra um acidente.

Para mim, o ponto alto do jogo está mesmo nas suas frenéticas corridas, com a sensação de velocidade sendo muita alta, principalmente se estivermos jogando com a câmera em primeira pessoa. Felizmente a fluidez da ação em um PlayStation 5 é constante, sem quedas na taxa de frames por segundo ou mesmo longas telas de carregamento.

Sem nunca flertar com a simulação, o foco em Riders Republic está na diversão, nas situações tão absurdas quanto empolgantes e por isso não estranhe se o seu personagem despencar de um desfiladeiro enquanto estiver andando de bicicleta e mesmo assim continuar pedalando como se tivesse saltado de um simples meio-fio. Contudo, é possível notar a diferença na jogabilidade quando estiver sobre a neve ou pedalando num terreno seco.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Uma turminha do barulho, vivendo altas confusões

E por falar em diversão, temos aqui mais um jogo de corrida que gira em torno de uma comunidade descolada formada por jovens que se reúnem para participar de um grande festival onde ser “cool” é praticamente obrigatório. Isso inclui as roupas e fantasias mais ridículas possíveis, então não espere ter que correr contra alguém vestido de dinossauro ou mesmo ser obrigado a competir fantasiado de girafa

Talvez eu esteja ficando velho demais para esta baboseira, talvez eu simplesmente não seja o público-alvo que as desenvolvedoras pretendem alcançar quando idealizam este pano de fundo para tais jogos. De qualquer forma, me incomoda quase todos os títulos do gênero recorrerem a este tipo de tema para justificar uma competição.

Tudo bem, por se tratar de um jogo baseado em esporte radicais, até faz sentido a criação de um X Games de grandes proporções, mas confesso que sempre que o Riders Republic tentava entregar algum enredo, ou melhor, algum contexto para eu estar ali, o mínimo que senti foi uma enorme vergonha alheia.

Isso acontece principalmente por causa de dois personagens que nos servirão como guia ao iniciarmos uma campanha, Suki e Brett. A primeira eu até consegui ignorar, já o segundo... Funcionando como o típico tiozão do pavê, atualmente o sujeito vive procurando talentos enquanto serve hambúrgueres em seu trailer, mas o que realmente chama a atenção (e irrita) são as suas falas, cheias de piadas sem graças e colocações que são no mínimo dispensáveis

Eu não vou dizer que ao iniciar um jogo de corrida/esportes tenho a expectativa de encontrar diálogos dignos de dar inveja aos irmãos Coen. Porém, a partir do momento em que um estúdio se dispõe a contar uma história, acredito que ele deveria deixar isso nas mãos de roteirista capazes de criar um roteiro minimamente interessante, mas aqui o resultado é completamente o universo.

Por sorte a dupla se faz mais presente no início da nossa jornada, mas isso não impede que outros personagens metidos a jovens radicais apareçam de vez em quando. Mesmo não estragando a experiência como um todo, a Ubisoft Annecy merecia um prêmio, pois conseguiu me proporcionar alguns dos piores diálogos que já vi em um videogame.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Jogadores, fantasmas e passeio livre

Enquanto estiver jogando o Riders Republic você verá vários competidores andando pelo mundo, atletas que poderão estar participando em qualquer uma das modalidades. Esta foi uma bela sacada por parte da desenvolvedora, fazendo com que as regiões nunca pareçam vazias e que competições estejam ocorrendo a todo momento.

O detalhe é que muitas vezes esses personagens são controlados por jogadores de verdade, já que o título foi pensado como um jogo de esporte multiplayer massivo online. No entanto, o estúdio afirma que para garantir a população sempre ativa, eles recorreram à utilização de fantasmas, competidores que replicam o desempenho de pessoas que se destacaram no jogo e que tiveram os dados armazenados nos servidores do título.

Seja esta presença em tempo real ou “gravada”, ela pode ser vista mesmo quando acionamos o mapa, com inúmeros ícones mostrando a movimentação dos personagens. Mesmo que ilusória, essa técnica consegue nos passar muito bem a ideia de que estamos experimentando um jogo vivo e a única preocupação é em relação a quando os servidores forem desligados, o que fatalmente acontecerá.

Mas até que isso aconteça, é muito bom saber que a Ubisoft conseguiu implementar o recurso de partidas entre plataformas, o que deverá garantir que Riders Republic permaneça povoado por mais tempo.

Eu também gostei da criação de um modo onde não precisaremos lidar com barreiras, com todo o mapa estando disponível desde o início e todas as modalidades podendo ser aproveitadas imediatamente. Ideal para apenas explorarmos os cenários e aproveitarmos o modo foto do jogo, será nele que poderemos nos livrar de toda a pressão — e dos personagens que parecem estar sofrendo de uma overdose de bebida energética.

Além de oferecer modos em que até 11 pessoas podem competir, no multiplayer o destaque vai mesmo para as corridas em massa. No PC e nos consoles da nova geração, nestas provas até 64 pessoas poderão participar (mas sem poderem se socar, o que é uma pena) e para entrar na disputa, basta ficar de olho nos eventos que aparecerão aleatoriamente no mapa.

Riders Republic

Crédito: Divulgação/Ubisoft

A diversão presente na simplicidade

Jogos de corrida baseados em esportes radicais não são novidade, mas quando a Ubisoft decidiu aproveitar sua experiência na criação de enormes mundos abertos para explorar este gênero, eles conseguiram entregar algo muito divertido.

Tirando toda a fanfarronice do pseudo enredo, Riders Republic se mostra muito competente naquilo que se propõe, que é ser um jogo rápido, cheio de cenários belíssimos e principalmente, muito empolgante.

O que mais me agradou nele foi a maneira despretensiosa como pode ser aproveitado, nos permitindo entrar em corridas rapidamente e simplesmente descer uma montanha em alta velocidade, seja em cima de uma bicicleta, equilibrando-se sobre um par de skis ou dando um rasante com nossas wingsuits.

No início eu fiquei um pouco incomodado por não gostar muito das provas em que precisamos fazer manobras, preferindo apenas pedalar pelo mapa do jogo. Pois essa frustração acabou quando me dei conta de que este é um jogo em que o principal mérito está justamente em fazer o que quisermos, um sandbox de esporte radicais onde pouco importa as regras do mundo real.

Por isso, deixo aqui algumas dicas para quando você for iniciar uma partida em Riders Republic: tente ignorar a imposição de ser um jovem descolado, tire proveito da liberdade que lhe será oferecida e aproveite a viagem.

Riders Republic — Ficha Técnica

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Amazon Luna e Google Stadia;

Desenvolvedora: Ubisoft Annecy;

Distribuidora: Ubisoft;

Data de lançamento: 28/10/21.

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