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Resenha: Star Trek Prodigy

Star Trek Prodigy é a nova série animada de Jornada nas Estrelas, desta vez voltada para o público infantil. Acertaram? Sim, e muito.

05/11/2021 às 20:17

Prodigy a princípio lembra muito pouco Star Trek. Na verdade a quase totalidade da primeira hora do desenho lembra muito mais Star Wars, mas aos poucos percebe-se a semente de algo muito maior, e muito familiar.

A "tripulação" da USS Protostar (Crédito: Paramount+)

Eu sempre falo que estamos vivendo a Era de Ouro de Jornada nas Estrelas, com opções para todos os gostos, da lacração mais panfletária ao mais politicamente incorreto, mas até então um público estava sendo negligenciado, o que se tornou um problema crônico para a franquia.

Antigamente, quando só existiam uns 3 canais de TV e o total de séries no ar não passava de 4 ou 5, o público experimentava Star Trek por falta de opção. Com a explosão das TVs a cabo, chegamos a um momento em que a quantidade de conteúdo é maior do que a capacidade de consumo do indivíduo, mesmo assistindo TV 24/7. Engajar público novo para uma franquia “velha” é complicado.

O ideal é começar cedo esse processo de catequização, e George Lucas sabe disso. Seus filmes sempre tiveram apelo para o público infantil, incluindo o famigerado Especial de Natal, os filmes dos Ewoks e desenhos como Clone Wars, Rebels, Resistance e The Bad Batch.

Star Trek não tinha nada disso. As séries sempre foram cerebrais e complicadas demais para crianças, incluindo a primeira Série Animada: Prodigy, lançada no canal Nickelodeon.

A premissa da série é bem simples: No Quadrante Delta, um sujeito conhecido como Diviner (algo como profeta, adivinho) comanda uma operação de mineração no asteróide de Tars Lamora. Ele usa como mão de obra escravos – sorry, aliens em situação de escravidão – de diversas espécies, e os compra bem jovens.

Yay, tráfico de crianças, nada como um tema leve num programa infantil (Crédito: Paramount+)

Um desses aliens é Dal R’El, um adolescente meio roxo que vive tentando fugir. Durante uma dessas tentativas ele descobre uma nave estelar no fundo da mina, e monta um grupo de prisioneiros, também jovens, para reparar e fugir com a nave.

A nave é a USS Protostar, uma nave da Federação, e é essa nave que o Diviner estava atrás. Os jovens conseguem fugir, e passam a ser perseguidos pelo Diviner e seu assistente robô Drednok, que parece um General Grievous menos gente boa.

Na Protostar a tripulação improvisada é auxiliada pelo Holograma de Treinamento da Capitã Janeway, interpretada por Kate Mulgrew em pessoa. Sim, crianças, a Januária está de volta!

Januária For The Win! (Crédito: Paramount+)

O primeiro episódio, com uma hora de duração é bem pouco Star Trek, ele lembra muito, muito as animações de Star Wars, incluindo nos visuais, que estão lindos. Os personagens são distintos, cada um com um design único, e há ótimos momentos de “aprendizado” (lembre-se, é para crianças a série), como quando Dal vivia morrendo de medo Rok-Tahk, um alien da espécie Brikar, uma criatura muito grande, com exterior de pedra e rugido ameaçador.

Quando eles ativam o Tradutor Universal na Prodigy, Dal descobre que Rok na verdade é uma menina, de 8 anos de idade.

A maior parte do primeiro episódio é usada apresentando os personagens, definindo a situação e caracterizando os vilões. Janeway só aparece nos segundos finais, um teaser pro próximo episódio.

Como é Star Trek, claro que há phasers atirando, mas a violência é bem tranquila, eles usam o velho truque de todo desenho: As tropas inimigas são robôs, do mesmo jeito que a gente pensava que os Stormtroopers eram, quando assistimos Star Wars pela primeira vez.

A Holograma Janeway tem como função aclimatar os jovens, ensinando para eles o be-a-bá de Jornada nas Estrelas e da Federação. Sim, o alvo são os jovens da série e os que estão assistindo. Com a premissa de que nenhum deles sabe nada sobre a Federação, é possível contar uma história que não tem pré-requisitos.

É o literal oposto de Lower Decks, uma série maravilhosa, mas só apreciada por quem conhece Star Trek a fundo.

Lower Decks não é para crianças. (Crédito: Paramount+)

Os Personagens

Dal R’El

Dal é mala bagarai. (Crédito: Paramount+)

É um jovem bem marrento, de uma espécie desconhecida, ele tem um ego enorme, lembra um James Kirk novo, mas não competente. Ele se autodeclara capitão, diz que faz e acontece, mas é extremamente inseguro por dento. No terceiro episódio ele está extremamente chato, um moleque arrogante que tenta o tempo todo passar ser muito melhor do que é. Espero que melhore.

Gwyn

Gwyn tem bagagem pra caramba, mas nem de longe é chata como a Michael de Discovery (Crédito: Paramount+)

Da espécie Vau N'Akat, ella é uma adolescente também com 17 anos, como Dal. Gwyn é filha do Diviner, e tem dúvidas sobre as atividades do pai, mas cumpre suas ordens sem questionar muito o pai. Ela acaba sendo tomada como refém e levada pela tripulação da Protostar, e se torna a antagonista dentro da nave. Espera-se que ela acabe ficando do lado dos protagonistas e se volte contra o pai.

Jankom Pog

Esqueça, cada série mostra Telaritas de forma diferente (Crédito: Paramount+)

É um Telarita de 16 anos. Os Telaritas são um dos fundadores da Federação, são aliens com aparência meio javalinesca, e sem muito trato social. Ele era uma espécie de mecânico na mina, e assume o papel de engenheiro/consertador da Protostar.

Rok-Tahk

Rok e Murf (Crédito: Paramount+)

É a menina de 8 anos com aparência de um monstro malvado. Ela é uma criança extremamente forte, então não tem muito filtro, o que Gwyn descobre da pior forma, quando tenta brigar com Rok.

Murf

É uma espécie de lesma / bolha de protoplasma que não se sabe se é realmente inteligente, mas que salvou o dia pelo menos uma vez. As crianças com certeza vão adorar o Murf, que é antes de tudo um bichinho simpático.

Zero

É a personagem com mais potencial (Crédito: Paramount+)

Essa vai fundo. Zero é uma Medusana, um personagem sem gênero, mas calma, não tem nada de “woke”, ela é uma criatura de pura energia, com poderes telepáticos. Zero criou um exoesqueleto para poder interagir com seres corpóreos, pois olhar diretamente para um Medusano causa insanidade.

Os Medusanos apareceram pela primeira vez no episódio “Is There in Truth No Beauty?”, da 3ª Temporada da Série Clássica, em 1968.

Zero é uma espécie de mistura de Data e Spock, com senso de humor. Sua telepatia é ÓTIMA para baixar a bola de Dal.

A USS Protostar

Navinha porreta (Crédito: Paramount+)

Não é possível uma série de Star Trek sem uma nave estelar, a nave é sempre uma das principais personagens, e a Protostar não é diferente. Os cenários estão lindos, detalhados e o desenho da nave em Prodigy é diferente o bastante para ser considerado novo, mas mantém as linhas básicas originais da Primeira Enterprise, de Matt Jeffreys lá no tempo de Kirk.

Na abertura dá pra perceber que a Protostar tem um motor central, é dito que a nave tem dois núcleos de dobra. Não é explicado ainda como a nave foi parar no Quadrante Delta.

Conclusão

Prodigy é uma série para crianças que respeita sua inteligência. Não é bobinha, não é “fofinha”, há conflito real, o vilão tem cara de malvado, e não há Mary Sues, nenhum personagem é 100% bonzinho e se sai bem em todas as situações.

Também não há lição de moral explícita nem o He-Man aparecendo no final para explicar a história. Os roteiristas sabem que as crianças são inteligentes o bastante para entender o enredo e aprender com os episódios.

Incrivelmente, a série funciona para a turma mais velha também, justamente por não ser uma série de Teletubbies, mas personagens consistentes e tridimensionais. Menos o Murf mas o Murf é fofo demais.

Se você tem um filho pequeno, e quer contaminá-lo com os Ideais de Jornada nas Estrelas, Star Trek Prodigy é uma ótima opção.

Onde Assistir:

Star Trek Prodigy irá passar no Brasil no Paramount+. Eventualmente.

Cotação:

5/5 Porgs, só pra lembrar que se inspiraram bastante em Star Wars.

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