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Tim Sweeney defende uma loja para todas as plataformas

Para CEO da Epic Games, consumidores querem poder comprar um software em uma loja e usar em todas as plataformas. Mas quem ficaria responsável por isso?

17/11/2021 às 9:53

Hoje quando queremos comprar um jogo ou algum aplicativo para smartphones, temos que ir até a loja virtual da plataforma em que o usaremos e concluir o negócio. Imagine então ter a possibilidade de fazer uma compra e ela ficar disponível em qualquer console que possuímos, no celular ou no PC. Parece um tanto utópico? Pois é isso o que gostaria Tim Sweeney, CEO da Epic Games.

Apenas uma loja: loucura ou futuro inevitável? (Crédito: Reprodução/Epic Games)

Participando de um evento na Coreia do Sul chamado Conferência Global de Equidade de Ecossistema para Dispositivos Móveis, o executivo aproveitou para elogiar o país asiático pela sua postura anti-monopólio. Além disso, o fundador da Epic não perdeu a oportunidade de reforçar a crítica à porcentagem que Google e Apple abocanham nas vendas em suas lojas.

Travando há alguns meses uma grande batalha judicial contra essas gigantes, Tim Sweeney tem utilizado a sua loja para mostrar que é possível oferecer uma fatia maior aos desenvolvedores, mas ele acredita que é possível ir além deste simples rateio. Em entrevista ao Bloomberg, o CEO afirmou que o ideal seria podermos “comprar um software em um lugar, sabendo que o teríamos em todas os dispositivos e plataformas.

O que o mundo realmente precisa agora é de uma única loja que funcione em todas as plataformas. No momento, a propriedade de software é fragmentada entre a App Store do iOS, a Google Play do Android, diferentes lojas no Xbox, PlayStation e Nintendo Switch, e então a Microsoft Store e a Mac App Store.

O que não ficou claro é o que exatamente a Epic Games tem feito para solucionar este problema e se considerarmos a resistência que a Sony teve para permitir a simples realização de partidas entre plataformas, torna-se muito difícil imaginar que esta unificação um dia acontecerá.

Como consumidor, é claro que eu adoraria ter a oportunidade de adquirir um jogo, por exemplo, em um PlayStation e poder aproveitá-lo no PC ou num Xbox. Porém, exceto pela possibilidade de passar uma boa imagem ao público, não vejo muitas vantagens para uma fabricante de consoles aderir a este modelo de negócios.

O interessante é que quando se trata de Sony e Microsoft, tais companhias possuem visões distintas em relação a ter seus jogos no PC. Enquanto a empresa americana acredita em nos dar acesso aos títulos nas duas plataformas cobrando apenas uma vez, a japonesa não tem o menor pudor de vender suas obras separadamente, inclusive cobrando bem caro quando elas chegam aos computadores.

No caso da Sony, o conceito de cross-buy acaba valendo apenas para suas próprias plataformas, com ele remetendo à época do PSP e valendo ainda hoje (para alguns jogos) no PlayStation 4 e PlayStation 5. Sendo assim, será que o sonho de Tim Sweeney um dia poderá se tornar realidade? Pois eu não acredito.

Epic Games Store - Tim Sweeney

Epic Games Store (Crédito: Reprodução/Dori Prata/Meio Bit)

Para ser sincero, eu já fiquei bastante contente quando o cross-play finalmente passou a ser adotado. Poder participar de um multiplayer com amigos que não estavam na mesma plataforma que a minha era algo que sempre desejei e por mais que eu continue achando que mais títulos deveriam aderir a ele, ao menos houve um avanço nesta área.

Quanto a uma loja unificada, algo que poderia se valer do conceito de metaverso, me incomoda um pouco a ideia de centralizar todo esse conteúdo, pois mesmo que várias empresas tivessem o poder de decisão, ainda dependeríamos de um só lugar para comprar nossos jogos. Como bem disse John Carmack, “o problema é que se você toma uma decisão ruim no nível central, ninguém pode corrigir isso.”

Isso me faz pensar no quão curioso é ver Tim Sweeney bradando contra o monopólio e defender que deveria existir apenas um serviço de distribuição digital que atendesse todas as plataformas. Pois fico imaginando qual seria esta loja onipresente se dependesse apenas dele e é neste momento que passo questionar toda essa imagem de benfeitora vendida pela Epic Games.

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