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Call of Duty: Vanguard — diverte, mas não inova

Call of Duty: Vanguard marca retorno da franquia à 2ª Guerra, com modo Campanha curto e grande foco no multiplayer

23/11/2021 às 12:00

Call of Duty: Vanguard é a edição 2021 da franquia anual de FPS da Activision, desta vez de volta à Segunda Guerra Mundial. Composto pelos modos tradicionais Campanha, Multiplayer e Zumbis, o jogo oferece a ação frenética de combates online esperada e já bem conhecida, e por isso mesmo, deixa um pouco a desejar por uma falta de ousadia e inovação, ainda que haja alguns motivos para isso.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Divulgação/Sledgehammer Games/Activision)

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Divulgação/Sledgehammer Games/Activision)

De volta ao front

Originalmente, a Sledgehammer Games deveria ter sido o estúdio responsável por Call of Duty: Cold War em 2020, um título que não faria parte da subsérie Black Ops, de modo a seguir a rotatividade de 3 anos entre o estúdio e os outros dois principais encarregados da franquia, Treyarch e Infinity Ward. No entanto, devido diferenças criativas com a Raven Software, que atua como suporte, a responsabilidade passou para a Treyarch.

Isso criou uma bagunça e uma sobrecarga para o estúdio de CoD: Black Ops Cold War, por voltar à labuta apenas 2 anos depois de CoD: Black Ops 4, e permitiu à Sledgehammer assumir mais uma vez o tema Segunda Guerra Mundial, como o fez em 2017 com CoD: WWII.

Você pode pensar que a janela teórica de 4 anos (todos os estúdios trabalham em CoD: Warzone, um F2P permanente) dada à Sledgehammer permitiria que Call of Duty: Vanguard tivesse mais qualidade, principalmente nos modos Campanha e Multiplayer, mas não foi bem o que aconteceu.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Campanha podia ser maior

O modo Campanha recebeu atenção pontual, talvez por críticas a decisões passadas aos estúdios responsáveis por ignorá-lo ou deixá-lo de escanteio, mas ainda não chegou em uma forma ideal para agradar quem prefere a parte narrativa de Call of Duty. Aqui, a história gira em torno de um esquadrão formado por combatentes excepcionais, vindo de diversas nações, para cumprir uma missão suicida nos últimos dias da guerra.

O grupo é comandado pelo sargento Arthur Kingsley, paraquedista britânico que participou da Operação Tonga e inspirado em Sidney Cornell, o único negro do seu regimento e o primeiro a desembarcar na Normandia; integram o esquadrão o piloto americano Wade Jackson, que participou da Batalha de Midway e é baseado em Vernon Mitcheel, e a russa Polina Petrova, sniper do Exército Vermelho que é a versão de Lyudmila Pavlichenko, a franco-atiradora com a maior marca de alvos abatidos da história, impressionantes 309 mortes confirmadas, a maioria nazistas.

O quarto membro, o australiano Lucas Riggs, foi centro de uma polêmica por ter sido baseado no neozelandês Charles Upham, o que foi considerado como apagamento de um herói nacional em prol de uma narrativa mais conveniente, de usar o preconceito dos britânicos contra as tropas da Austrália, tratando-os como descartáveis e buchas de canhão.

A missão do time de Kingsley é interceptar um plano secreto do Reich, conhecido apenas como "Projeto Fênix", que os nazistas acreditam ser a sua tábua de salvação. Paralela a essa história, Kingsley, Jackson, Riggs e Petrova possuem missões exclusivas solo, que funcionam como prequels e contextualizam como cada um deles veio a ser o que são.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

As missões de Jackson e Petrova são bem interessantes de se jogar. O primeiro, por ser piloto, permite ao jogador se habituar com os comandos das aeronaves antes de encarar o Multiplayer, e inclusive fazer parte dos ataques aos porta-aviões japoneses em Midway, mergulhando para atacar com bombas e abatendo Zeros no ar. Há também uma missão em terra, no meio da ilha de Bougainville.

No entanto, as fases mais impactantes da Campanha são as de Polina Petrova, que no áudio original foi dublada pela atriz Laura Bailey, vencedora do BAFTA por sua atuação em The Last of Us Part II. Sua história narra a transformação de uma enfermeira em uma combatente impiedosa e aterrorizante, e mostra como suas ações na história do jogo viraram a guerra em Stalingrado.

Cada um dos membros do time possui habilidades específicas. Petrova, por exemplo, pode escalar e se esgueirar por lugares muito apertados, enquanto Jackson pode focar e mirar em câmera lenta, similar ao Olho da Morte de Red Dead Redemption II,

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

As missões não seguem uma ordem cronológica, mas respeitam um fio de narrativa que amarra as histórias individuais ao todo. Porém, o modo Campanha é muito curto e não traz grandes inovações em jogabilidade, apenas o básico "vá para o ponto A, elimine inimigos, vá para ponto B" e por aí vai. É como fast-food: pode matar a fome, mas não satisfaz de verdade.

Falando em comida...

Multiplayer, o feijão-com-arroz de Call of Duty

A Activision sempre irá concentrar os esforços de Call of Duty no modo Multiplayer, o que atrai a maioria de seu público pagante todos os anos, e em Vanguard, isso não é diferente. Aqui há uma farta seleção de operadores e skins para serem desbloqueados, diversos mapas e vários modos de jogo, alguns inéditos.

A adição mais interessante é o Batalha de Campeões, que consiste em soldados duplas ou trios se enfrentando em uma série de mapas pequenos, até que apenas uma equipe sobreviva no final. O número de vidas é limitado a 12 em duplas e 18 em trios, e o objetivo é despachar os oponentes o maior número de vezes possível, até esgotar o estoque de respawn deles.

O modo Patrulha, por sua vez, é uma reedição do clássico de capturar zona, mas em que a área de interesse está em constante movimento, obrigando os esquadrões a se deslocarem por quase todo o mapa.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Há também três filtros táticos do chamado Ritmo de Combate, que define como serão as partidas de acordo com a quantidade de pessoas online e armas usadas.

Blitz é o mais caótico, com um grande número de jogadores e voltado a confrontos absolutamente frenéticos; Tático foca em menos inimigos e uso de armas de precisão, e Assalto é a opção equilibrada, nem lá nem cá.

Cada um dos vários operadores, incluindo os 4 da Campanha e outros, possui seus próprios níveis de evolução, skins aleatórias e gestos, que são desbloqueados ao jogar e cumprir missões, como abater um número de adversários em sequência, o mesmo valendo para versões alternativas das diversas armas disponíveis.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Há muita coisa a ser feita no Multiplayer, e embora ele não seja tão inovador, não dá para dizer que ele carece de opções.

Modo Zumbis, outro Mais do Mesmo

O modo Zumbis é tradicionalmente deixado a cargo de outro estúdio que não o responsável pelos Campanha e Multiplayer; em Vanguard, a bola da vez é da Treyarch, com a Sledgehammer atuando no suporte.

Tecnicamente ele mudou muito pouco ao longo dos anos, basicamente continua sendo o cachorro correndo atrás do próprio rabo. Você já viu milhões de vezes, mas ainda consegue se divertir com isso.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Treyarch/Sledgehammer Games/Activision)

O lore é o básico "4 aliados, ambiente sombrio, zumbis para todo lado", com os nazistas cavando fundo demais graças à sua obsessão com o ocultismo, um mito alimentado com alguns fatos reais. A principal mudança é uma ambientação mais rogue-like, com pactos aleatórios para fortalecer os operadores, mas ao menos até o momento, o modo está bem incompleto.

Contando com apenas um mapa e 3 missões, o modo Zumbis pode ser totalmente explorado com menos de 2 horas de gameplay, o que chega a ser ridículo. Isso se deu provavelmente pela sobrecarga de trabalho colocada sobre a Treyarch, esta ainda comprometida com CoD: Black Ops Cold War.

Conclusão

Call of Duty: Vanguard traz o jogador de volta à insanidade da Segunda Guerra Mundial, ainda um dos temas mais fascinantes e cheios de possibilidades para o gênero FPS, mas peca pela falta de ousadia no geral.

O modo Multiplayer está bem recheado, com vários operadores, skins e elementos a serem desbloqueados, e o modo Batalha de Campeões, que fez sucesso no Alpha, é uma boa adição.

Call of Duty: Vanguard (Crédito: Reprodução/Sledgehammer Games/Activision)

Os modos Campanha, apesar de uma boa história, e Zumbis, por sua vez, não saem muito da receita de bolo tradicional, com o primeiro sendo curto demais, e o segundo tendo menos conteúdo disponível no lançamento. No final, Vanguard passa a velha sensação de mais do mesmo, embora continue suficientemente divertido.

A Sledgehammer Games deverá incluir novos conteúdos ao longo do período em que o jogo permanecer como o CoD da vez, o que manterá Call of Duty: Vanguard atraente durante seu ciclo de vida, e a grande maioria dos jogadores só se importa com o Multiplayer, o mais recheado de conteúdo e que trouxe as principais novidades.

No final, trata-se de agradar a maioria, o público que compra um novo Call of Duty a cada ano.

Disclaimer: A atual situação da Activision Blizzard, que acumula processos judiciais movidos por funcionários, por assédio moral e sexual cometidos por profissionais de alto escalão, incluindo o CEO Bobby Kotick, inflamaram os ânimos da mídia especializada, críticos avulsos e consumidores, e muitos dizem que veículos em geral deveriam ignorar os lançamentos da empresa e não publicar matérias sobre eles, muito menos reviews.

É possível separar a obra, um jogo desenvolvido por um time de profissionais dedicados a seu trabalho, com ou sem crunch (provavelmente com), da pessoa jurídica Activision, que precisa para ontem mudar sua cultura de "frat boy", pagar pelas presepadas e se livrar de Kotick, passos obrigatórios mínimos para ser encarada novamente como uma empresa que preza por fazer a coisa certa, para seus funcionários e seu público.

É essencial cobrarmos uma postura decente da companhia, e a implementação de medidas efetivas para corrigir o que está (muito) errado. Isso posto, o consumidor tem todo o direito de ignorar a Activision enquanto ela não se emendar, não comprando nenhum de seus games até lá como forma de protesto, se não a mais efetiva.

No Meio Bit, continuaremos tecendo nossas opiniões sobre a companhia, e revisando seus títulos, tudo à nossa maneira, como sempre fizemos.

Call of Duty: Vanguard — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS5, Xbox Series X|S, PS4, Xbox One e Windows (analisado no PS5, com cópia cedida pela Activision);
  • Desenvolvedora — Sledgehammer Games;
  • Distribuidora — Activision;
  • Classificação Indicativa — 18 anos.

Pontos fortes:

  • Modo Batalha de Campeões é um boa adição ao multiplayer;
  • Modo Zumbis continua divertido, mesmo com poucas mudanças e variação.

Pontos fracos:

  • Pouco inovador;
  • Modo campanha tem boa história, mas é curto.

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