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Mark Cerny: ray tracing trouxe a terceira era dos games

De acordo com o arquiteto de sistema do PlayStation 5, a chegado do ray tracing fez com que tivesse início uma nova era nos games. Será?

24/11/2021 às 11:20

Perceber que a história está sendo escrita em tempo real não é uma tarefa simples e isso também vale para a indústria de games. Muitas vezes só nos damos conta de uma grande revolução anos depois dela ter ocorrido e de acordo com Mark Cerny, é justamente isso o que está acontecendo agora, com a chegada da nona geração de consoles e a popularização do ray tracing.

Guardians of the Galaxy - ray tracing

Ray tracing e a beleza visual do Marvel's Guardians of the Galaxy (Crédito: Divulgação/Square Enix)

Ao falar sobre o processo de criação do PlayStation 5, o chefe de arquitetura de sistema deu a sua opinião sobre as três eras em que os videogames podem ser divididos. Com potencial para iniciar uma longa discussão, ele disse:

Se você olhar para os 50 anos de história dos games, ela se divide perfeitamente em duas eras. A primeira era — Pac Man, Sonic the Hedgehog — são os jogos criados inteiramente com componentes planos. A segunda era — Crash Bandicoot, Uncharted — são os jogos criados com triângulos 3D com efeitos sobre eles.

Graças ao ray tracing, estamos agora entrando na terceira era e os visuais possuem a capacidade para ser como nada que tenhamos visto. O ray tracing é uma tecnologia radicalmente diferente: é pura computação. Existe um banco de dados na RAM que contêm a descrição do mundo do jogo, na maioria triângulos e caixas. E então há suporte ao hardware da GPU para ver se uma linha cruza essa geometria. Se o hardware for rápido o bastante, isso desbloqueia novas abordagens para a iluminação, sombras e reflexos.

Embora seja bastante comum no cinema, graças ao aumento do poder computacional só recentemente passamos a ver o ray tracing sendo utilizados nos jogos e concordo que a técnica tenha dado uma grande melhora nos gráficos.

Valendo-se de inteligência artificial, essa tecnologia consegue trazer aos jogos melhores efeitos de iluminação e sombreamento, tornando os visuais bem mais realistas. Ver um jogo como o Marvel's Guardians of the Galaxy ou o Metro Exodus rodando com o ray tracing ligado é uma experiência muito legal, sendo que a técnica obviamente ainda evoluirá bastante.

No entanto, seria justo apontar isso como o início da terceira era dos videogames? Por mais sensacional que seja pensarmos em efeitos de iluminação tão realistas sendo gerados em tempo real, daria para comparar o ray tracing ao impacto causado pela adoção dos gráficos 3D? Estaria o PS5 em relação ao seu antecessor, assim como esteve o primeiro PlayStation para o Super Nintendo?

Colocando em perspectiva, a declaração dada por Cerny me parece um pouco exagerada, mas como disse no início, talvez eu esteja apenas tendo alguma dificuldade em enxergar a tão grandiosa revolução citada por ele.

Crédito: Reprodução/Tigran Hambardzumyan/Unsplash

De qualquer forma, existe outra adoção feita na nova geração de consoles e que considero tão, ou até mais importante que o ray tracing e estou falando do SSD. Só depois de usar o PlayStation 5 por alguns meses é que pude me dar conta de como um menor tempo de carregamento é algo excelente. Hoje quando jogo em qualquer console maios antigo tenho a sensação de que estou esperando por horas até o título terminar de carregar e imediatamente passo a sentir muita falta do SSD.

Pois de acordo com Mark Cerny, optar pelo SSD foi fruto de muitas conversas com estúdios externos, reuniões acaloradas onde aqueles profissionais diziam tudo o que gostariam de ver num novo console. Para eles, os discos mais lentos estavam travando o que os estúdios podiam fazer e o ideal seria ter uma velocidade de leitura de pelo menos 1 GB por segundo.

Estou procurando os desenvolvedores que me dão mais trabalho e aqueles que realmente possuem fortes opiniões sobre aquilo que precisam para fazer o jogo com o qual eles sonham. Aqueles foram encontros brutais de se estar, mas bons de se ter, porque no fim das contas você está criando um console mais forte.

E entre aqueles que mais batiam nesta tecla estava Tim Sweeney, CEO da Epic Games e que após tanto defender a utilização de um SSD, a Sony lhe deu ouvidos e foi um pouco além, chegando a uma unidade com velocidade de 5.5 GB/s, permitindo assim que os desenvolvedores tivessem uma boa folga para dar vida às suas ideias.

Cerny ainda elogiou a maneira como o I/O integrado do PS5 permitiu que os jogos se tornassem muito mais leves. Como exemplo ele citou os casos do Subnautica e Control: Ultimate Edition, pois enquanto o primeiro teve seu tamanho reduzido de 14 para 4 GB no novo console, o segundo viu seu tamanho cair pela metade quando comparado aos 50 GB do PlayStation 4.

Tudo isso pode não passar de mera propaganda, não sendo o suficiente para colocar o PlayStation 5 (e o Xbox Series) como o nascimento de uma nova era dos games. Mesmo assim, entendo que a nona geração tenha trazido coisas muito interessantes em relação a anterior, sendo um salto maior do que o visto quando o PS4 e o Xbox One chegaram ao mercado.

Fonte: TweakTown

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