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Notebook Alienware m15 R6: potência para bolsos fundos — Review

Notebook gamer Alienware m15 R6 oferece muito poder de fogo para rodar os jogos mais recentes, mas possui alguns caveats

10/12/2021 às 10:15

O Alienware m15 R6 é o atual notebook gamer intermediário da Dell, um passo à frente da linha G e um atrás do monstruoso Alienware x17. Equipado com GPUs Nvidia GeForce RTX 3060 ou 3070, processador octa-core Intel Core i7 de 11ª geração e um display Full HD de 165 Hz, ele promete (e cumpre) rodar qualquer game recente nas configurações mais altas, com altas taxas de quadros.

Com preços entre R$ 12.498 e R$ 14.999, o modelo nacional apresenta alguns caveats, na forma de limitações no hardware em relação à sua contraparte norte-americana, da tela à RAM.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O Alienware m15 R6 vale o que pede? Eu testei o modelo com a RTX 3070 por duas semanas e conto minhas impressões nos próximos parágrafos.

Nota de transparência

Desde 2004, o Meio Bit sempre publicou análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app.

Nós sempre fomos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos dos produtos de igual maneira, não importando a natureza dos mesmos, como forma de manter a integridade e transparência do site.

Dessa forma, ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso a este texto de forma antecipada, bem como não houve qualquer tipo de interferência ou direcionamento da Dell, ou de terceiros, em relação ao seu conteúdo.

O Alienware m15 R6 foi fornecido pela Dell por empréstimo e será devolvido à empresa após os testes.

Design e conectividade

Com o passar dos anos, a Dell percebeu que profissionais buscam notebooks gamer por conta de seu poder de fogo, e a linha Alienware era sempre preterida por causa de seu design agressivo, cheio de ângulos e RGB que só o seu público cativo gosta. Assim, os modelos mais recentes foram se tornando mais comportados, e uma vez que é possível desligar os LEDs, eles se passam por laptops comuns para quem não presta atenção.

O m15 R6 não é diferente. O seu case em preto com acabamento fosco (a empresa chama a cor de "Dark Side of the Moon", because reasons) é bem discreto, e a marca m15 na tampa pode passar despercebida. Tirando os LEDs, o único elemento chamativo que resta é a clássica cabeça do alien, também presente no botão Power.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A tela é unida ao corpo por um suporte mais estreito que a largura do laptop (não tanto quanto o do Samsung Odyssey 2), sólido e que fixa a tela na posição desejada. Há saídas de ar na parte superior, nas laterais e na parte traseira, parte do conjunto de resfriamento necessário para manter o processador, que é bem potente, de cabeça fresca.

Na parte das portas, a Dell tem sido mais econômica. Nas laterais, você vai encontrar 2 USB-A 3.2 (uma com PowerShare), 1 Ethernet e 1 P2 para fones de ouvido/microfones. Quem usa cartões de memória terá que depender de leitores acessórios.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Na parte de trás, mais economia com portas. A dedicada a seus cases para GPUs externas rodou de vez, e temos 1 HDMI 2.1, outra USB-A 3.2 e 1 USB-C 3.2, compatível com Thunderbolt 4 e DisplayPort, além de contar com o recurso Power Delivery de 15 W (5 V/3 A), além da entrada de alimentação.

É curioso lembrar que em tempos passados, a Dell atochava seus Alienware de portas e mais portas, o que ainda vale de forma parcial para o x17, que também não traz a porta para eGPUs. Aqui, no entanto, o que vale é o foco em portas com suporte a várias tecnologias, ao invés de uma penca de slots.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Com 2,42 kg (mínimo) e quase 36 cm de largura, o Alienware m15 R6 é relativamente portátil (mais sobre isso a seguir), o que não se aplica ao seu irmão maior, um "deskbook" por excelência. Mesmo contando com uma fonte exagerada (e você vai precisar dela), é possível colocar o kit na mochila e levá-lo ao trabalho ou faculdade, sem maiores problemas.

Por fim, vale mencionar que este laptop suporta Wi-Fi 6 (ax), o que deverá ser a norma para os próximos modelos de diversos fabricantes.

Tela e som

A tela é um display IPS de 15,6 polegadas, com resolução Full HD (1.920 x 1.080 pixels) e uma interessante taxa de atualização de 165 Hz. Ela permite jogar títulos com uma alta taxa de quadros, mas é preciso apontar alguns pontos negativos aqui.

O modelo nacional não conta com suporte a Nvidia G-Sync e Optimus 2.0, presentes nas versões Quad HD de 240 e 360 Hz, que não vieram para cá. Além disso, estas possuem tempo de resposta de 2 ms e 1 ms respectivamente, enquanto que a Full HD para nos 3 ms.

A bem da verdade, só será possível aproveitar os recursos do G-Sync com monitores ou TVs compatíveis, ligados à porta HDMI 2.1.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Os alto-falantes, dispostos nas laterais do laptop, oferecem uma qualidade de graves próxima do mínimo aceitável, mas são medianos e distorcem o áudio em volumes mais altos. Como sempre, prefira usar fones de ouvido ou caixas de som Bluetooth externas.

Teclado, touchpad e câmera

Aqui vem a parte estranha. O Alienware m15 R6 tem produção nacional (leia-se montado com peças vindo do exterior, mas para fins de fisco, considera-se como fabricado no Brasil) e mesmo assim, é equipado com um teclado padrão internacional. Eu sei que muitos preferem este design, mas a meu ver, é preciso seguir o padrão ABNT2. Sem desculpas.

O teclado em si é compacto, deixando um bom espaço nas laterais, que eu preferia que fossem ocupadas com a adição de um teclado numérico, uma opção pessoal. Lá fora, a Dell oferece a opção de upgrade para teclas mecânicas Cherry MX, que de novo, não estão disponíveis no Brasil.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O touchpad é básico, não muito grande e oferece uma resistência ao toque adequada, nem muito suave, nem muito rígido. Na parte de cima, ao lado do botão Power, há o espaço dedicado à saída de ar superior, e acredite, aquela área esquenta bem.

E há a câmera embutida. Eu nunca fui de dar bola para este componente, por ele ser por padrão negligenciado, mas em tempos de pandemia da COVID-19 e maior adesão ao trabalho remoto, seria bom que os fabricantes dessem maior atenção a este detalhe.

Bem, isso não ocorre aqui. A câmera é apenas HD (720p) e suporta Windows Hello, apenas o básico.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Em se tratando de um notebook que ocupa uma faixa de preço mais elevada, e considerando a atual situação do mundo e das relações de trabalho, eu acredito que não dá mais para contar com câmeras apenas HD em laptops de ponta; para estes, 1080p é hoje o mínimo aceitável.

Software, desempenho e autonomia

Processador octa-core Intel Core i7-11800H com clock de até 4,6 GHz, 16 GB de RAM DDR4 a 3.200 MHz e GPU Nvidia GeForce RTX 3070, com 8 GB de RAM GDDR6. Esta combinação, aliada a um SSD NVMe M.2 de 1 TB permite rodar qualquer jogo AAA de hoje, nas configurações mais altas possíveis, o que é o mínimo esperado.

Mas de novo, há alguns caveats. Sob o capô, que é de fácil remoção (uma coisa boa), você terá acesso aos dois slots dos SSDs M.2 e os dois da RAM. O primeiro suporta PCIe 4.0, embora venha de fábrica com uma PCIe 3.0, conforme apontado pelo CrystalDiskMark. O segundo, mencionado antes, é apenas PCIe 3.0, o que é uma forma estranha de economizar.

O mais bizarro é o segundo slot não permitir fixar o SSD no chassi; há o parafuso, mas não o furo no lugar certo.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A RAM é outro ponto a discutir. Segundo a Dell, o modelo nacional suporta apenas memórias de 3.200 MHz, o que limita a capacidade de expansão a até 32 GB; lá fora, no entanto, o Alienware m15 R6 também pode receber pentes de 3.466 MHz, ou seja, aguenta até 64 GB de RAM em Dual Channel.

Mesmo com esses pontos negativos, a performance do laptop gamer é fora de série. Como esperado, ele alcançou marcas altíssimas no teste de CPU do Geekbench 4, cravando 6.502 pontos no single-core e 36.995 no multi-core.

Mas como isso se traduz em performance real?

Pontuação do Alienware m15 R6 no Geekbench 4.4.4 (Créditos: Reprodução/Primate Labs)

Pontuação do Alienware m15 R6 no Geekbench 4.4.4 (Créditos: Reprodução/Primate Labs)

Muito bem, na verdade. Em meus testes, o Alienware m15 R6 atingiu entre 112 e 120 quadros por segundo (fps) em Forza Horizon 5, e entre 110 e 130 fps em Battlefield V, com os ajustes gráficos nas configurações mais altas possíveis.

Tradicionais comedores de recursos, como Genshin Impact e The Witcher III: Wild Hunt, rodaram sem nenhum tipo de problema, embora sua taxa de quadros seja limitada a 60 fps. Jogos com exigências menores, como Fortnite, ou azeitados e otimizados por anos a fio, como Final Fantasy XIV, rodaram suave no notebook gamer da Dell, sempre com as configurações gráficas no talo.

Apesar dos pesares, o Alienware m15 R6 não faz feio quando o assunto é rodar qualquer jogo que se preze, com o máximo de qualidade visual.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O suporte em software da Dell é o esperado de soluções embarcadas, girando entre o razoável e o dispensável. O programa mais interessante é o Alienware Command Center, que permite configurar os LEDs do teclado, alien da tampa e do botão Power e da traseira, além de ajustar os perfis de operação, inclusive mexendo na performance das ventoinhas.

Elas são tradicionalmente barulhentas, e entrarão em modo de decolagem enquanto você estiver jogando, mas se você estiver mesmo a fim, pode colocá-las para trabalhar a 100% o tempo todo. Claro, use protetores de ouvido.

As ventoinhas são potentes porque o processador, um octa-core de 11ª geração da Intel, é comilão e o corpo vai esquentar bastante, embora o sistema de resfriamento funcione bem. Apesar do calor e barulho, você não terá problemas de estrangulamento térmico, o temido thermal throttling.

Alienware Command Center (Crédito: Reprodução/Dell)

Alienware Command Center (Crédito: Reprodução/Dell)

Sobre a autonomia, não é preciso dizer muito. Você sabe que todo notebook gamer depende de estar conectado na tomada o tempo todo para jogar, mas boa parte deles funciona de modo satisfatório por conta própria, quando usado para outras atividades. Bem, não é o que ocorre aqui.

O Alienware m15 R6 é equipado com uma bateria de 6 células e 86 Wh, que em teoria aguenta um bom período de tempo longe da tomada, mas nos meus testes, bastaram 1 hora e 15 minutos de streaming de vídeo para a energia ir de 100% para 5%, um recorde negativo.

A fonte de alimentação é um tijolo de 240 W, um pouco mais comportado do que o presente em modelos antigos da Alienware, mas ainda assim, é bem avantajado.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Para o caso particular deste notebook, será quase impossível usá-lo sem que ele esteja ligado na tomada, o que limita seu uso on the go; daí o "relativamente portátil" mencionado antes.

Conclusão

O Alienware m15 R6 é um notebook gamer muito bom, embora venha com uma série de vícios difíceis de ignorar. A Dell, talvez para economizar com a linha de produção nacional, colocou restrições na tela, teclado e memória RAM, limitando inclusive as opções de futuros upgrades.

Mesmo assim, não dá para ignorar sua performance ao rodar jogos recentes e pesados, sem nenhum tipo de complicação. Ainda que seja uma pena que ele não se compare a seus irmãos estrangeiros, este é um laptop com bastante poder de fogo, tanto para a Glorious PC Gamer Master Race, quanto para profissionais.

Alienware m15 R6 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Agora falemos dos preços. O modelo testado, que é a configuração de ponta, tem valor sugerido de R$ 14.499, enquanto que a de entrada, com a RTX 3060 e SSD de 512 GB, sai por R$ 12.498.

Embora os preços da Dell sejam puxados, o Alienware m15 R6 acaba sendo uma opção melhor na relação custo/benefício, quando comparado a seus concorrentes. O Avell A65 MOB, com display Quad HD e mesmo processador, mas com GPU RTX 3060, tem preço sugerido de R$ 13.899,60, enquanto o Lenovo Legion Slim 7, que oferece a 3050 ou 3060 como opções, mas usa chips AMD Ryzen, é bem mais caro.

No final, o Alienware m15 R6 é uma máquina potente para jogar e interessante para quem precisa trabalhar, e dado que hoje é quase impossível adquirir uma GPU dedicada sem gastar uma fortuna, um notebook gamer acaba sendo a opção mais simples para colocar as mãos em um hardware atualizado, mesmo que as opções de upgrade sejam limitadas.

Ao consumidor que deseja ter uma estação de games, ou que precisa de um PC parrudo para atividades profissionais, cabe avaliar se vale mais a pena investir em um desktop ou um notebook. Caso opte pelo segundo, o Alienware m15 R6 é uma escolha sólida, mesmo com os seus caveats.

Notebook Alienware m15 R6 — Ficha Técnica

  • Processador: Intel Core i7-11800H, octa-core Tiger Lake com clock de 2,3 GHz, TurboBoost até 4,6 GHz e 24 MB de memória cache;
  • Placa de vídeo: nVidia GeForce RTX 3070, com 8 GB de RAM GDDR6;
  • Memória: 16 GB de RAM DDR4 a 3.200 MHz (expansível até 32 GB);
  • Armazenamento: SSD de 1 TB NVMe M.2 (slot PCIe 4.0), segundo slot NVMe M.2 PCIe 3.0 livre;
  • Tela: LCD IPS de 15,6 polegadas;
  • Resolução: 1.920 x 1.080 pixels;
  • Taxa de atualização: 165 Hz;
  • Tempo de resposta: 3 ms;
  • Teclado: Padrão US, retroiluminado;
  • Câmera: 720p;
  • Conectividade: Wi-Fi 802.11 ax e Bluetooth 5.0;
  • Portas: 1x HDMI 2.1, 3x USB-A 3.2 (uma com PowerShare), 1x USB-C 3.2 com Thunderbolt 4, DisplayPort e Power Delivery de 15 W (5 V/3 A), 1x Ethernet, 1x P2 para fone de ouvido/microfone;
  • Bateria: 86 Wh e 6 células;
  • Alimentação: Adaptador CA de 240 W;
  • Dimensões: 35,6 x 27,2 x 2,28 cm;
  • Peso: 2,42 kg;
  • Sistema operacional: Windows 11 Home.

Pontos fortes:

  • Incrivelmente potente, roda qualquer coisa;
  • Design comportado para um Alienware;
  • Suporte a Wi-Fi 6, que deve se tornar padrão daqui em diante.

Pontos fracos:

  • Segundo slot NVMe M.2 limitado a PCIe 3.0, e sem fixação;
  • Você não vai conseguir usá-lo longe de uma tomada por muito tempo;
  • Já passou da hora de notebooks gamer virem com teclado ABNT2;
  • Especificações limitadas em relação aos modelos internacionais.

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