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It Takes Two e a sede das empresas por adaptações

It Takes Two será adaptado como filme ou série e nos faz questionar: sua bela história funcionará, mesmo não sendo como um videogame?

15 semanas atrás

Produzir um jogo de videogame é um processo difícil, demorado e muitas vezes financeiramente arriscado. Por isso é natural que os estúdios busquem formas de aumentar seus faturamentos e enquanto alguns preferem apelar para NFTs, microtransações etc., outros têm recorrido às adaptações para diversas mídias. No caso da Hazelight Studios e o seu It Takes Two, eles optaram pelo cinema ou TV.

It Takes two

Crédito: Divulgação/Hazelight Studios

Respondendo como uma das grandes surpresas de 2021, It Takes Two nos coloca no papel de Cody e May, um casal que está passando por momentos difíceis no casamento. Esse tema não costuma ser abordado em jogos, mas com uma narrativa fantástica que se mescla à jogabilidade, o estúdio de Josef Fares conseguiu entregar uma aventura repleta de simbolismos, num dos títulos mais criativos dos últimos anos.

Não podendo ser encarado sozinho, o jogo aproveita a cooperação entre os jogadores para falar sobre a relação entre duas pessoas, sendo mais uma grande demonstração de como Fares consegue usar a jogabilidade para incrementar o enredo das suas criações.

Mas se o It Takes Two é uma obra onde as mecânicas de jogos são tão importantes para contar a sua história, como fazer para que o impacto seja sentido em outra mídia? Pois este é o desafio que será encarado pela dj2 Entertainment. Graças a uma parceria da empresa com a Hazelight Studios, o título deverá ser transformado em uma série para TV ou um filme, com o roteiro devendo ficar a cargo de Pat Casey e Josh Miller, mesmos que assinaram a história de Sonic: O Filme.

Criar o mundo e a história de It Takes Two foi muito divertido para mim e para a equipe,” afirmou Josef Fares. “Por ter uma narrativa forte com muitos personagens malucos e loucos momentos de ação cooperativa, o potencial é imenso para uma grande adaptação para um filme ou para a TV.

Outro que também mostrou empolgação com o projeto foi Oskar Wolontis, gerente da desenvolvedora. Ele não escondeu sua alegria ao falar sobre a oportunidade de expandir a propriedade intelectual para um público muito maior, pessoas que não possuem familiaridade com videogames.

Crédito: Divulgação/Hazelight Studios

Quanto a isso, acho que não existe a menor dúvida de que a transição para outra mídia pode ser benéfica ao It Takes Two. O que me deixa um pouco ressabiado com esta adaptação é justamente no que pode ser perder pelo caminho, fazendo com que a delicadeza da mensagem passada pelo jogo — oriunda em boa parte pelo fato de nele sermos um agente ativo — nunca consiga ser reproduzida.

Longe de mim querer ser um profeta do apocalipse aqui, pois carrego comigo a tendência a não criticar adaptações de jogos antes de as assistir. Porém, no caso específica de um título onde a jogabilidade tem um impacto tão importante na narrativa, será que realmente precisamos que ele deixe de ser um videogame?

Talvez a série para TV ou filme baseado no It Takes Two acabe se mostrando apenas uma comédia romântica/aventura com elementos de fantasia, com seu enredo até conseguindo passar uma mensagem otimista e acredito estará tudo bem se os envolvidos alcançarem isso. No entanto, fico feliz por gostar de videogames e ter tido a oportunidade de experimentar a história de Josef Fares e Soni Jorgensen onde ela provavelmente entregou seu verdadeiro potencial.

A inusitada Alice de American McGee

Crédito: Divulgação/EA

Mas enquanto uma adaptação do It Takes Two me parece perigosamente difícil de funcionar, tenho uma expectativa bem menos alarmante para outro jogo que seguirá pelo mesmo caminho, o American McGee’s Alice.

Lançado em 2000 pela EA e tendo sido desenvolvido pela Rogue Entertainment, aquele título era baseado no livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, mas trazia uma ambientação muito mais sombria da história que todos conhecemos. Nele a protagonista perdeu sua família num incêndio e após passar vários anos internada numa instituição psiquiátrica, ela acaba se refugiando naquele mundo paralelo.

Em 2011 foi a vez do Alice: Madness Returns ser lançado e apesar de a franquia nunca ter se tornado extremamente popular, ela conseguiu conquistar seu público graças a atmosfera pesada que recriava um clássico, além da bela direção artística e o criativo level design.

Eis que tanto tempo após ter sido deixada de lado, a Radar Pictures adquiriu os direitos para criar uma série para TV baseada naqueles jogos. Por enquanto não sabemos qual canal ou plataforma de streaming transmitirá a adaptação, mas foi confirmado que David Hayter participará do projeto.

Famoso por ter dublado o Solid Snake na série Metal Gear Solid, Hayter tem uma longa carreira como roteirista, sendo o responsável pelos argumentos de longas como X-Men: O Filme e X-Men 2, O Escorpião Rei, Watchmen: O Filme e a série Warrior Nun. Segundo ele, o American McGee’s Alice no leva “ao coração de um corrompido País das Maravilhas e joga luz sobre cantos sombrios que o mundo nunca viu.

Eu adoraria que essa adaptação fosse feita como uma animação, principalmente se fosse uma em stop motion. Isso não quer dizer que a série não possa funcionar com atores reais e muitos efeitos de computação, mas o que me preocupa neste caso é justamente o nível de investimento que o projeto receberá.

Fonte: Gamespot e Polygon

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