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Metaverso como tendência? Não pelos lados da Nintendo

Por não enxergar como entregar a diversão característica da empresa, presidente da Nintendo diz que eles não cogitam entrar para o metaverso

13 semanas atrás

Enquanto algumas empresas começam a se preparar para explorar a ideia do metaverso, nem todas parecem muito interessadas nessa nova moda. Entre essas que ainda não pretendem entrar para este universo virtual compartilhado está a Nintendo e o motivo para isso seria a incapacidade da companhia de saber como levar sua “magia” para esse espaço.

Animal Crossing: New Horizons - Metaverso

Animal Crossing: New Horizons, o "metaverso da Nintendo" (Crédito: Divulgação/Nintendo)

Quem deixou isso claro foi Shuntaro Furukawa, após o presidente da BigN ser questionado (PDF) por um acionista durante uma sessão de perguntas e respostas. Na ocasião, a pessoa quis saber sobre os planos da empresa tanto para o metaverso quanto para a utilização de NFTs e ele disse o seguinte:

O metaverso capturou a atenção de muitas companhias ao redor do mundo e tem um grande potencial. Quando o conceito de metaverso é introduzido na mídia, jogos como o Animal Crossing: New Horizons às vezes são trazidos como exemplos. Neste sentido, o metaverso é do nosso interesse.

Mas, neste momento, não existe uma maneira fácil de definir especificamente que tipos de surpresas e divertimento o metaverso pode entregar aos nossos consumidores. Como uma companha que fornece entretenimento, nossa principal ênfase está em entregar novas surpresas e diversão aos nossos consumidores. Podemos considerar algo se pudermos encontrar uma maneira de transmitir uma ‘abordagem Nintendo’ ao metaverso e que muitas pessoas possam entender prontamente, mas não pensamos que esta seja a situação no momento.

Se considerarmos a maneira como a Nintendo costuma tratar algumas tendências que surgem na indústria de games, a declaração de Furukawa não chega a ser surpresa. Com a empresa vivendo numa espécie de universo paralelo, pode ser que eles só resolvam apostar no metaverso depois que todos já tiverem construído seus alicerces nesse mundo virtual, talvez até chegando tarde demais à festa.

Porém, acho interessante ver como a Nintendo parece quase sempre preocupada em como cuidar da imagem das suas franquias. O que temos visto hoje são algumas companhias anunciando espaços virtuais de muito mau gosto, passando a impressão de que, na tentativa de pegar carona na palavra que está em evidência no momento, não se importam em queimar um pouco da sua imagem.

"Cliqui aqui" — Empresas miram em Jogador Nº 1 e acertam no Second Life (Crédito: Divulgação/TIM)

Mesmo as empresas que revelaram investimentos milionários nesta área ainda não mostraram exatamente o que pretendem entregar. Um exemplo é a Bandai Namco, que recentemente anunciou que gastará US$ 130 milhões na criação de uma propriedade intelectual para o metaverso, mas limitou-se a dizer que estão “se antecipando nos espaços virtuais que permitirão aos clientes desfrutar de uma vasta gama de entretenimento” em torno da marca.

Algo que também desperta a curiosidade (para não dizer ceticismo) em algumas pessoas é como essas empresas conseguirão criar um metaverso que seja diferente — e muito mais divertido — do que aquilo que temos visto por aí há muito anos. Produtos como o Second Life já exploraram essa ideia e eventualmente perderam tração, ou alguém aí ainda lembra do PlayStation Home? Até jogos como o Animal Crossing: New Horizons reunem as pessoas antes mesmo do tão propagado termo ter ganhado as manchetes.

Curiosamente, se tem uma empresa que poderia se aproveitar das suas muitas franquias para criar uma espécie de “Disney World virtual” é justamente a Nintendo. Imagine um lugar onde pudéssemos encontrar os amigos, conversar, compartilhar arquivos e nos preparar para entrar em um jogo multiplayer da empresa? O pior é que isso já existe, se chama Discord e a diferença é que ele descarta toda a perfumaria e dificuldades propostas pelo tal metaverso.

Brincadeiras a parte, o que lamento é não ter visto Shuntaro Furukawa tecer comentários sobre os NFTs. Seria interessante saber como a Nintendo enxerga a ideia de vender alguns tokens baseados em seus personagens, mas como o executivo simplesmente ignorou o assunto, acredito que o silêncio diga muito mais do que qualquer palavra poderia explicar.

Fonte: NintendoEverything

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