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Resenha: Moonfall - Muito, muito menos idiota do que você imagina

Moonfall é o novo filme de Roland Emmerich, diretor de Independence Day, e 2012. É um filme-catástrofe bem menos burro do que aparenta

30/03/2022 às 20:33

Moonfall é um típico filme-catástrofe, com um toque de ficção científica. Confesso que fui assistir com uns três pés atrás e extrema má-vontade. Confesso também que me enganei totalmente, o filme é danado de divertido.

Uma senhora lua. (Crédito: Netflix)

O Cinema tem focado bastante nessas catástrofes globais, desde que o filme do Al Gore deu dinheiro, comprovando assim o Aquecimento Global, mas algumas vezes os cineastas perdem a mão. 2012 não fez nenhum sentido, e não há muito o que dizer daquela bobagem, Terra à Deriva, em que para salvar a Terra a Humanidade constrói motores gigantes para mudar a órbita do planeta.

Moonfall resolveu apostar na premissa de quanto mais estapafúrdia a teoria conspiratória em que o filme é baseado, melhor, e escolheram uma excelente. No filme a órbita da Lua por algum motivo está decaindo, e em alguns meses ela se chocará com a Terra.

A descoberta foi feita simultaneamente pela NASA e por KC Houseman (John Bradley). Um teórico da conspiração, daqueles bem zureta das idéias, ele tenta convencer o mundo que a Lua é uma construção artificial, uma Esfera Dyson criada por aliens com fins nefastos.

Nossos três heróis (Crédito: Netflix)

Houseman acaba encontrando Brian Harper (Patrick Wilson), um ex-astronauta que caiu em desgraça depois que um membro de sua tripulação morreu durante um encontro com o que ele descreve como um ataque alienígena, mas a NASA registrou como uma chuva de meteoros. Spoilers: Eram aliens. Nesses filmes, sempre são aliens.

Uma missão é lançada para investigar um misterioso buraco na Lua, mas a cápsula dos astronautas é atacada por uma nuvem de nanomáquinas alienígenas malignas. O fim do mundo está se aproximando, até que nossos heróis convencem a NASA, com a ajuda da ex-astronauta e agora diretora Jocinda Fowler (halle Berry) que provavelmente há algo errado com o mecanismo alienígena na Lua, e uma missão pode ser mandada para tentar consertar as máquinas.

Em meio a várias catástrofes causadas pela gravidade lunar, a missão é lançada, e nossos heróis agora precisam enfrentar os aliens, reiniciar a Lua e correr contra o tempo, pois os miliares (sempre eles) querem lançar ogivas nucleares contra a Lua.

Infelizmente os motores RS-25 dos shuttles em museus foram removidos... (Crédito: Netflix)

Durante a ação no 3.º ato do filme, a história muda para um foco bem ficção científica, com várias revelações interessantes, ampliando muito a mitologia de Moonfall. No final, entre mortos e feridos salvaram-se todos, exceto algumas dezenas de milhões, a Lua voltou para sua órbita normal, mas uma ameaça muito maior paira sobre a Humanidade, tcham ramram!

Dito assim, parece uma premissa besta, e é. Não difere muito do excelente Independence Day, do mesmo diretor Roland Emmerich, mas Moonfall funciona justamente por levar sua premissa a sério, mesmo sendo besta.

A tal premissa besta, de que a Lua é oca e uma espaçonave construída por aliens é bem antiga. Apareceu em 1901 em um livro de H.G. Wells, mas rapidamente se moveu da ficção científica para a arena das psicopatologias. Vários ufeiros e conspiracionistas adotaram a teoria da Lua Oca, como uma derivação da igualmente risível Terra Oca, e até espaços mais sérios perderam tempo com isso.

Há pessoas adultas que acreditam nisso. (Crédito: By derivative work: Bromley86 — Wikimedia Commmons)

Em 1970 por dois cientistas da Academia Soviética de Ciências, Michael Vasin e Alexander Shcherbakov publicaram um artigo especulando que a Lua poderia ser uma criação de uma espécie inteligente.

Até hoje há teóricos da conspiração que acreditam piamente na teoria da Lua Oca.

Moonfall — O que funcionou?

Por incrível que pareça, a Ciência. Os roteiristas fizeram o dever de casa. Muita gente reclamou do trailer de Moonfall por mostrar os ônibus espaciais sendo usados, apesar de a frota ter sido aposentada em 2011.

Pois bem; o filme começa com uma cena em um ônibus espacial, mas é um flasback de… 2011. Durante o filme várias cápsulas são usadas, escolheram um design fictício que parece uma mistura entre uma Dragon e uma Orion. Quando precisam chegar na Lua de qualquer jeito, os engenheiros da NASA apelam para o Ônibus Espacial Endeavour, que está… em um museu.

Sim, claro, óbvio que é essencialmente impossível preparar em algumas horas uma peça de museu e colocá-la em condições de lançamento, aí entra a chamada suspensão de incredulidade, e convenhamos, você está vendo um filme com a Lua se chocando na Terra, quer selinho de aprovação do Neil DeGrasse Tyson?

Outra amostra que os produtores e roteiristas fizeram uma boa pesquisa: eles sabem que o shuttle chegaria em órbita quase sem combustível, então em Moonfall eles param para reabastecer no depósito de combustível orbital da SpaceX, algo que realmente está nos planos da empresa e será essencial para as missões lunares.

Também foi muito bom quando um dos cientistas explica que tecnicamente a Lua não vai colidir com a Terra, existe algo chamado Limite de Roche, a distância mínima possível entre dois corpos de grande massa. O conceito é bem simples: A Lua sofre mais atração no ponto mais próximo da Terra do que no lado oposto. Quanto mais próxima da Terra, mais atração.

Quando um corpo se desintegra dentro do Limite de Roche, ele tende a formar anéis (Crédito: NASA)

Chega um ponto, o chamado Limite de Roche, em que a força puxando o lado da Lua mais próximo da Terra é maior que a força gravitacional mantendo a Lua inteira. Ela se esfarela, problema que os farelos são do tamanho de cidades.

Outro ponto positivo de Moonfall, é que é um filme que se propõe a contar uma história, não tem mensagem oculta ou agenda política, como o chato, óbvio e pé-na-porta Não Olhe Para Cima, um filme para uma geração que não entende mais o conceito de metáforas e precisa de tudo mastigado.

Conclusão

Moonfall não é o melhor filme de Rolan Emmerich, mas está longe de ser o pior, afinal ele dirigiu e escreveu Independence Day: Resurgence. É um filme-catástrofe que não é um desastre completo, o que já ajuda muito. Há bastantes clichês, o filho rebelde está lá, o cientista que ninguém acredita está lá, todos os arcos de redenção são telegrafados, mas quer saber? Funciona.

É um filme de Sessão da Tarde com pretensões de grandeza, mas não é um filme pretensioso. Vale a pipoca.

Onde assistir

Moonfall está na Netflix mais próxima de você

 

Trailer:

Cotação:

3,5 de 5 Sailor Moons

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