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Agora a Apple sabe: ninguém quer celulares pequenos

Apple reduz produção do iPhone SE (2022) em 20 milhões de unidades; vendas dele, iPhone 12 mini e iPhone 13 mini foram fracas

08/04/2022 às 10:40

Levou alguns anos, mas a Apple finalmente entendeu uma tendência básica do mercado de celulares: usuários sempre preferirão aparelhos com telas maiores. A maçã resistiu à tendência por muito tempo, argumentando que ninguém gostaria de um aparelho móvel para operá-lo com duas mãos, quando poderia carregar um menor e usar uma só.

Mesmo tendo produtos com telas grandes, de modo a alinhar o iPhone com seus concorrentes, a Apple manteve a linha iPhone SE e introduziu os iPhones 12 mini e 13 mini, mas de uns tempos para cá, ficou evidente que o público não está tão interessado em celulares menores.

Tim Cook apresenta o novo (mas ainda com cara de velho) iPhone SE, em keynote de março de 2022 (Crédito: Reprodução/Apple)

Tim Cook apresenta o novo (mas ainda com cara de velho) iPhone SE, em keynote de março de 2022 (Crédito: Reprodução/Apple)

Uma das frases mais famosas de Steve Jobs envolvendo o lançamento do iPhone, dizia respeito ao tamanho do mesmo, que era compacto e dotado de uma tela de 3,5 polegadas, minúscula para os padrões de hoje. O então CEO e co-fundador da Apple anunciou desde o início que seu produto era "algo maravilhoso para a sua mão", especificamente no singular, e era totalmente avesso a um dispositivo maior:

"Você não consegue segurá-lo (um celular grande) com uma mão só. Ninguém vai comprar isso."

Sua repulsa por celulares maiores durou enquanto ele foi vivo, o iPhone só cresceu anos mais tarde, mas por apego a suas ideias, a Apple nunca conseguiu de fato se distanciar completamente do formato de dispositivos compactos, mesmo com os usuários deixando claro que Jobs estava errado, já que não se importavam em manuseá-los com as duas mãos.

Afinal, telas grandes e de maior resolução permitem assistir vídeos, até mesmo capítulos de séries e filmes inteiros, com certo conforto, mesmo com a Apple sendo adamante ao afirmar que possui um produto para consumo de conteúdo, o iPad. O iPhone deveria ser um computador de bolso para tarefas menos exigentes, como comunicação e consumo de música, como sucessor do iPod, e não uma estação de mídia.

A teimosia dos consumidores, que reclamaram por anos a fio do iPhone ser pequeno demais, levou a Apple a enfim lançar celulares maiores, mas, em simultâneo, manteve o formato reduzido na linha iPhone SE, que após a introdução do iPhone X em 2017, é o único com o design legado, com bordas largas e botão Home.

O problema, a concorrência já fazia por onde abolir as bordas há tempos, e o iPhone SE pareceu ser um retrocesso, por mais poderoso que seja, mantido apenas para não abandonar o form factor original. A linha básica do iPad segue a mesma lógica.

Além de pequeno, o iPhone SE tem bordas largas, algo que ninguém mais tolera em celulares (Crédito: Divulgação/Apple)

Além de pequeno, o iPhone SE tem bordas largas, algo que ninguém mais tolera em celulares (Crédito: Divulgação/Apple)

Claro que em se tratando de Apple, o iPhone SE manteve um número de vendas que justificaram sua revisão em 2020 e em 2022, quando a tela aumentou um pouquinho, de 3,5" para 4,7". Ainda em 2020, Cupertino introduziu, com a linha iPhone 12, a variação mini, que embora conte com um display maior (5,4") segue o design com notch e quase sem bordas de seus irmãos maiores, em um corpo ligeiramente menor.

Mesmo que a tela não seja exatamente pequena, ele continua atrás das linhas padrão e Pro (6,1") e Pro Max (6,7"), estes ainda os preferidos do público. Como consequência de sua própria teimosia, a Apple teria ficado "surpresa" com os números ruins em vendas dos iPhones 12 mini, 13 mini e da linha SE, em relação aos demais.

Segundo dados levantados por John Donovan, analista da Loop Capital, a Apple reviu seus planos com base em uma série de acontecimentos, desde a cadeia de suprimentos afetada pela pandemia da COVID-19, à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, para realizar um corte de 9 milhões de unidades do iPhone, entre todas as variantes, a serem fabricadas.

Porém, a maçã teria classificado as vendas do iPhone 12 mini e 13 mini como "desastrosas", e também não estaria muito contente com a saída do iPhone SE, tanto que este poderá sofrer um corte de 20 milhões de unidades. O foco seria direcionado principalmente ao iPhone 13 padrão.

Conforme a análise de Donovan, a Apple "testou o mercado" com o iPhone 12 mini, para entender como o público reagiria, e ele de cara não vendeu bem. Ao invés de desistir, no entanto, Cupertino insistiu no erro com o iPhone 13 mini, e quando ele também não saiu bem nas vendas, tentou outra vez com a 3ª geração do iPhone SE, por pura teimosia. Só agora a companhia percebeu o óbvio, o grande público quer celulares grandes.

Ao que tudo indica, Tim Cook ainda não aprendeu a regular o campo de distorção da realidade para funcionar sempre, como Jobs fazia. O novo iPhone SE teria ido tão mal, que a ordem para o corte na produção teria sido dada apenas duas semanas após seu lançamento. Não é difícil entender por que, ele é um celular com design de 15 anos atrás, com bordas enormes que poderiam muito bem ser ocupadas por uma tela maior.

 

iPhone 13 mini: não empolgou (Crédito: Divulgação/Apple)

iPhone 13 mini: não empolgou (Crédito: Divulgação/Apple)

Donovan diz que a Apple, ainda que tardiamente, entendeu que celulares pequenos tem "apelo limitado" junto aos consumidores, com poucos se mostrando interessados em um dispositivo com display reduzido, quando podem pagar apenas um pouco a mais por um gadget maior, que permite consumir filmes, séries e jogos com mais qualidade visual.

Segundo rumores, a Apple pretende abandonar a linha iPhone mini em 2022, mas na opinião de Donovan, o SE poderia sobreviver com um design "híbrido", talvez com uma tela maior e levemente inferior aos gadgets do ano corrente, para concorrer com dispositivos tais como a linha Pixel, do Google.

Já na minha opinião, seria mais prático derrubar tanto o mini quanto o SE do telhado, e oferecer como opção "de entrada" o modelo básico do ano anterior, ainda um dispositivo potente e, mais importante, com um display grande desde o início.

Fonte: Seeking Alpha

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