Meio Bit » Games » "Jogar não tem limites": licenças de jogos expiraram no PS3 e PS Vita

"Jogar não tem limites": licenças de jogos expiraram no PS3 e PS Vita

Graças a um provável bug na PSN, licenças de alguns jogos do PS1 expiraram e eles deixaram de funcionar no PS3 e no PlayStation Vita

11/04/2022 às 9:00

Nos últimos dias, as pessoas que possuem um PlayStation 3 ou um PlayStation Vita tiveram uma péssima surpresa ao tentar executar alguns jogos adquiridos digitalmente. De acordo com diversos relatos publicados em redes sociais, os títulos estão mostrando uma mensagem de erro, dizendo que suas licenças expiraram, mas o que estaria levando a esse problema?

A culpa não é da remasterização (Crédito: Divulgação/Square Enix)

Embora os títulos afetados sejam quase sempre os do primeiro PlayStation e que podem ser adquiridos (por enquanto) através da PlayStation Store, há quem garanta que mesmo jogos para o PS Vita e PS3 estão sendo afetados, como, por exemplo, o Unity 13 e o Rune Factory: Oceans. No reddit existe até um tópico onde algumas pessoas estão afirmando que toda sua biblioteca do portátil deixou de funcionar.

No caso dos jogos lançados para o console de estreia da Sony, os comumente citados como afetados seriam o Chrono Trigger, Final Fantasy VI, Final Fantasy Origins, Final Fantasy Tactics: The War of the Lions e Chrono Cross. Desses, o que mais chamou a atenção foi o último, já que recentemente tivemos o lançamento de sua remasterização.

A (possível) coincidência foi o suficiente para dar início as teorias da conspiração, com algumas pessoas acusando a Square Enix de ter mandado “desativar” o jogo para incentivar as vendas do Chrono Cross - The Radical Dreamers Edition. Além disso, o fato de quase todos os títulos mencionados acima pertencerem à editora japonesa não ajudou a melhorar a sua imagem.

Há ainda aqueles que preferiam mirar suas armas para a própria Sony, com o argumento de que a fabricante estaria preparando o terreno para a chegada da nova fase da PlayStation Plus. Como dessa vez o serviço fornecerá jogos de todas as plataformas lançadas pela empresa (com os de PS3 sendo apenas por streaming), a desconfiança passou a ser de que os títulos mais antigos deixariam de funcionar para nos forçar a fazer uma assinatura.

Evidentemente, ambos os casos seriam atitudes deprimentes por partes das empresas, uma estratégia tacanha para impulsionar as vendas, mas a explicação para o problema pode estar na maneira como o sistema das plataformas PlayStation foram estruturados. Isso porque, como o erro aponta que os jogos expiraram em 31 de dezembro de 1969, alguém se lembrou do Unix Epoch, também conhecido como Era Linux ou POSIX.

Usando como referência o calendário gregoriano, engenheiros definiram que o horário do sistema operacional UNIX teria início às 00h00 do dia 1.º de janeiro de 1970. Assim, supõe-se que um bug na PlayStation Network estaria afetando as licenças de alguns jogos, fazendo o sistema acreditar que elas seriam válidas apenas até a data inicial que ele passou a funcionar.

Porém, essa explicação não responde uma das maiores dúvidas de quem tem acompanhado a situação: por que algumas pessoas estão sendo afetadas e outras não? Eu mesmo realizei testes, tanto no PlayStation 3 quanto no PS Vita, e dos 26 jogos de PS1 que possuo, todos funcionaram normalmente. Isso também vale para os títulos criados para o portátil que comprei digitalmente e mesmo os fornecidos para assinantes da PS+ continuam podendo ser executados por aqui.

Também contribui para as incertezas a Sony continuar calada em relação a essas expirações de licenças. Mesmo com o assunto se arrastando por alguns dias, a empresa não admitiu o problema, muito menos deu uma solução ou uma previsão para isso acontecer.

Enquanto isso, o receio de vermos nossa coleção virtual deixar de funcionar volta a ser debatido entre aqueles que defendem a preservação dos games. Tal caso pode ser considerado até pior do que o inevitável fim das vendas em uma loja como PS Store, já que a pessoa estaria sendo impedida de aproveitar algo pelo qual ela já pagou.

Resta saber se e quando a Sony corrigirá a falha, lembrando que estamos falando de aparelhos que tiveram suas produções interrompidas há alguns anos, então, até onde vai o interesse da fabricante em fazer com que o suposto bug seja eliminado? E podemos pensar além, tentando imaginar como ficarão aqueles que passarem por algo parecido num futuro mais distante?

PlayStation Vita

Crédito: Divulgação/Square Enix

Quando se trata do PlayStation Vita, eu até posso entender (mas não concordar com) essa indiferença por parte da Sony, afinal o portátil foi praticamente abandonado por eles desde muito cedo. Contudo, quando passamos para o PlayStation 3 e suas mais de 87 milhões de unidades vendidas, não dar uma satisfação a um público tão grande e correr para corrigira a falha é uma atitude incompreensível.

Tudo bem, eu sei que deve ser muito pequena a quantidade de pessoas que estão sem poder jogar devido à expiração dessas licenças, mas o que penso é em como a marca pode ser manchada por algo assim. Como uma empresa pode querer vender uma versão mais cara da PlayStation Plus falando em manter viva a sua história ao nos permitir ter acesso aos clássicos, quando aqueles que os compraram perdem o acesso por uma falha tão boba?

Situações como essa servem para evidenciar o quanto as empresas parecem desinteressadas em garantir que as compras digitais permanecem funcionando “indefinidamente”. Eu sei que pensar assim beira a inocência, pois mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, os jogos que compramos digitalmente não passarão de um monte de zeros e uns que não servirão para nada.

Não reconhecer os benefícios que a distribuição digital trouxe seria ignorância, com eles indo desde o preço mais acessível até a facilidade na hora de jogar. Porém, ao ver o tratamento que algumas editoras têm dado a relançamentos e perceber que, apesar do meu PS3 e PS Vita continuarem funcionando normalmente, corro o risco de não ter acesso aos títulos que comprei, continuo acreditando que, sempre que possível, o melhor mesmo é investir na compra física.

Fonte: NME

relacionados


Comentários