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Dragon's Dogma: 10 anos de um ótimo (e subestimado) RPG

Uma década após o lançamento do Dragon's Dogma, fãs continuam esperando uma continuação — e muitas pessoas seguem ignorando essa pérola

26/05/2022 às 10:08

O dia 22 de maio de 2022 marcou o décimo aniversário do Dragon's Dogma, um jogo lançado originalmente para o Xbox 360 e PlayStation 3, e que foi o projeto mais ambicioso da história da Capcom. Porém, mesmo trazendo várias ideias muito interessantes e sendo adorado por algumas pessoas, ele passou despercebido por muitas outras, num daqueles casos de jogos que mereciam ter feito um sucesso maior.

Crédito: Divulgação/Capcom

Funcionando como um RPG de ação fortemente inspirado por títulos ocidentais, como a série Fable e The Elder Scroll, Dragon's Dogma nos coloca na pele do morador(a) da pequena vila litorânea de Cassardis, que certo dia é atacada por um dragão. Enquanto boa parte dos habitantes do lugar é morta e outros fogem, o protagonista opta por partir para o ataque, o que mudará sua vida para sempre.

Incapaz de ferir o dragão, o monstro faz algo ainda pior do que matar aquele humano, arrancando seu coração e fazendo dele alguém conhecido como Arisen (Surgido, numa tradução literal). A partir daquele momento, caberá ao inesperado herói a missão de evitar o fim do mundo, com ele podendo contar apenas com a ajuda de figuras conhecidas como Peões.

Pois é aí que entre um dos recursos mais legais do Dragon's Dogma. Além de nos permitir criar um desses acompanhantes, quando podemos escolher aparência, classe etc., o jogo ainda nos incentivará a "emprestar" o nosso peão com outros jogadores. Com isso, criou-se um sistema de compartilhamento de heróis em que contamos com a ajuda de personagens criados por outras pessoas, enquanto elas recebem alguns benefícios quanto mais as suas criações forem utilizadas.

Com esse terceiro membro da nossa equipe podendo ser substituído em certos lugares, caberá ao jogador escolher qual tipo de ajudante melhor supre suas necessidades, numa porção online inovadora e que se encaixa perfeitamente com a proposta do jogo.

Crédito: Divulgação/Capcom

Apesar de o seu enredo não ser dos melhores, o jogo contava com um sistema de batalhas muito bem implementado e ainda entregava um mundo enorme para ser explorado. Por sinal, a exploração sempre foi aquela que considero a principal qualidade do Dragon's Dogma, contribuindo muito para aumentar a imersão.

O simples fato de irmos de um ponto a outro do mapa é uma experiência que poucas vezes vivi em uma game, com a aleatoriedade dos eventos fazendo com que cada viagem seja única. O temor do cair da noite acontecer quando estamos longe de uma cidade; os ataques de monstros poderosos, os muitos caminhos que se abrem a nossa frente; sair voando pelo cenário enquanto estamos agarrados em um grifo... Sem dúvida, Gransys é um lugar fantástico, onde podemos passar muitas horas e apenas arranhar sua superfície.

Um sonho engavetado por anos

Dragons Dogma

Crédito: Divulgação/Capcom

Chegar a um jogo com esse tamanho e complexidade pode levar muito tempo e no caso do Dragon's Dogma, foi preciso mais de uma década para Hideaki Itsuno vê-lo estrear. O conceito inicial proposto pelo game designer nasceu no ano 2000, quando ele chegou a idealizar até mesmo o sistema de peões.

Tendo uma carreira na Capcom que iniciou em 1992, Itsuno havia trabalhado em jogos como Street Fighter Alpha, Power Stone, Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001, Auto Modellista e Devil May Cry 2, mas nem toda essa experiência foi suficiente para que um projeto tão grande saísse do papel. Tal oportunidade só surgiria em 2008, após ele dirigir o Devil May Cry 4.

Com a editora japonesa procurando uma nova franquia de grande porte, eles começaram a pedir ideias aos funcionários para algo que pudesse vender pelo menos um milhão de cópias. Entre os sete conceitos apresentados estava o de Itsuno, que falava em um RPG basicamente single-player, mas que contaria com um elemento multiplayer um tanto diferente.

Com o sistema de peões sendo parecido com os recursos sociais que estavam ganhando força nos jogos mobile no Japão, a ideia chamou a atenção da alta cúpula da Capcom. Porém, a empresa nunca havia criado um jogo de mundo aberto e por títulos como o Demon's Soul ainda nem terem sido lançados, o risco parecia alto demais.

Ainda assim, o projeto acabou sendo aprovado, mas Hideaki Itsuno viu-se obrigado a reduzir o tamanho do jogo para que ele se encaixasse no orçamento que lhe foi oferecido. A partir dali, foram três anos de desenvolvimento, com mais de 150 profissionais internos tendo participado — se consideramos os de fora, a equipe passou de 200 pessoas.

Crédito: Divulgação/Capcom

Após não ter conseguido apresentar o jogo na Tokyo Game Shown de 2010, Itsuno e sua equipe tiveram que esperar até abril do ano seguinte para revelar ao mundo que estavam trabalhando. Foi naquele evento que o Dragon's Dogma me interessou pela primeira vez, mas a paixão mesmo aconteceria apenas um ano depois, quando uma demo chegou aos consoles da Sony e Microsoft.

Nos dando acesso ao sistema de criação de personagens e a uma boa porção do jogo, pude comprovar que a Capcom estava no caminho certo e comecei a contar os dias para pôr as mãos naquele título tão promissor. Depois veio a versão final, onde passei várias horas tornando meu personagem mais forte e mesmo assim, temendo ser morto a cada esquina. Porém, havia algo que me incomodava no título: o seu desempenho.

Desde o primeiro momento em que “coloquei os pés” no Dragon's Dogma, ficou claro para mim que os consoles da sétima geração eram muito fracos para abrigar algo com aquela complexidade. Eu então passei a sonhar com uma versão do jogo para PC e foram precisos quatro anos para ver ela ser lançada.

Nos computadores a ideia de Itsuno mostrou-se ainda mais bacana, com a taxa de frames não sofrendo tantas quedas e a resolução sendo muito maior do que aquela que eu havia experimentado no PlayStation 3. De repente aquele mundo virtual voltou a se abrir para mim, me levando a lugares em que antes em nem sabia que existiam e a aventura proporcionada por ele sendo ainda mais emocionante.

Em 2017 foi a vez do PlayStation 4 e do Xbox One receberem uma versão bastante superior à dos seus antecessores e não lembro exatamente quando isso aconteceu, mas acabei adquirindo uma cópia do Dragon's Dogma: Dark Arisen para o videogame da Sony. Porém, com a minha coleção de jogos no PS4 aumentando, eu nunca dediquei muitos minutos a ela e após me dar conta de que lá se vão dez anos desde o lançamento do original, bateu uma tremenda vontade de recomeçá-lo.

A continuação que nunca existiu

Dragons Dogma Online

Arte conceitual do Dragon's Dogma Online (Crédito: Reprodução/Marthe Jonkers/ArtStation)

Apesar de ao longo dessa década a Capcom ter aproveitado o sucesso que a franquia conquistou (ao todo ela vendeu cerca de 5 milhões de cópias), fosse lançando uma (boa) série animada na Netflix, fosse com um MMO disponibilizado apenas no Japão, o que muitos fãs do primeiro jogo seguem esperando é por uma verdadeira sequência.

Existia até a expectativa de que esse décimo aniversário poderia marcar o anúncio de um novo capítulo, mas mesmo com a Capcom tendo criado uma campanha para comemorar a data, com direito até a um logo especial, o festejo não foi além de um site para a franquia. Talvez o espaço até sirva para mostrar que a empresa não esqueceu a marca e como em 2021 um vazamento da Nvidia citou o Dragon's Dogma 2, é possível que ele esteja no forno.

Porém, ao menos por enquanto, o que temos é um pouco de esperança e as muitas boas lembranças deixadas por aquele ótimo jogo.

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