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Capcom Fighting Collection — Resgatando clássicos [Preview]

Capcom Fighting Collection reúne 10 jogos de luta clássicos, incluindo o elusivo Red Earth, pela primeira vez em consoles e PC

30/05/2022 às 9:39

Capcom Fighting Collection é a mais recente coletânea da Capcom, que chegará ao mercado em 24 de junho de 2022. Ele reúne 10 títulos de Arcade, entre a coleção completa da franquia Darkstalkers, a versão definitiva de Street Fighter II, e títulos obscuros ou esquecidos, como Cyberbots e Super Gem Fighter Minimix.

O destaque do pacote é Red Earth, o curioso jogo de Boss Rush com elementos de RPG lançado em 1996, e que nunca havia sido portado para plataformas domésticas oficialmente, até agora.

Capcom Fighting Collection (Crédito: Divulgação/Capcom)

Capcom Fighting Collection (Crédito: Divulgação/Capcom)

Como o Meio Bit teve acesso a uma cópia de Preview para PC, vamos dar uma olhada antecipada no que Capcom Fighting Collection tem a oferecer.

Opção é o que não falta

Capcom Fighting Collection segue a mesma fórmula das mais recentes coletâneas lançadas pela Capcom, reunindo títulos de Arcade em suas versões originais, com algumas adições. Todos receberam suporte a partidas online, com a implementação de um netcode de rollback, que não pôde ser testado, já que o game ainda não foi lançado oficialmente.

Os 10 títulos incluídos nesta coletânea, que será lançada para PS4, Xbox One e Windows, são:

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

  • Darkstalkers: The Night Warriors;
  • Night Warriors: Darkstalkers’ Revenge;
  • Vampire Savior: The Lord of Vampire;
  • Vampire Hunter 2: Darkstalkers’ Revenge;
  • Vampire Savior 2: The Lord of Vampire;
  • Cyberbots: Full Metal Madness;
  • Super Puzzle Fighter II Turbo;
  • Super Gem Fighter Mini Mix;
  • Hyper Street Fighter II: The Anniversary Edition;
  • Red Earth.

Destes, Vampire Hunter 2 e Vampire Savior 2 são versões expandidas de Night Warriors e Vampire Savior respectivamente, e originalmente nunca foram lançadas fora do Japão. Além destas, os demais jogos inclusos oferecem ambas versões americana e japonesa, mas em builds distintas, com diferenças em ajustes de equilíbrio.

A Capcom talvez tenha ouvido reclamações em coletâneas anteriores, e desta vez se deu ao trabalho de corrigir bugs e implementar correções, as mais evidentes em Hyper Street Fighter II, nos lutadores Blanka e Guile. Outros games, como Cyberbots e Super Puzzle Fighter II Turbo, são idênticos às versões de Arcade, sem tirar nem por.

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Falando dos jogos em si, a jogabilidade não mudou em nada em relação às versões originais. Fãs de Darkstalkers poderão apreciar todos os 5 títulos oficiais da franquia, que continua no caixão e não há previsão de quando, nem de se, irá ressuscitar um dia (mais sobre isso a seguir).

Outros jogadores poderão apreciar games mais obscuros e que tiveram poucas adaptações para consoles, como Cyberbots e Super Puzzle Fighter II Turbo, este um curioso híbrido entre Street Fighter e puzzles como Puyo Puyo, que reúne personagens das principais franquias de luta da Capcom na época.

Este em especial deu a volta completa graças ao derivado Super Gem Fighter Mini Mix, mais conhecido pelo (mais simples) nome da versão japonesa Pocket Fighter, um divertido jogo de luta com mecânicas originais.

Hyper Street Fighter II: The Anniversary Edition, por sua vez, é uma versão modificada de Super Street Fighter II Turbo lançada em 2003, primeiro para PS2 e Xbox e depois para Arcades, que permite ao jogador selecionar qualquer versão dos lutadores do game, em todas as versões lançadas desde 1991; este também foi o último título lançado pela Capcom na placa CPS-2.

No entanto, o destaque de Capcom Fighting Collection vai para outro jogo.

Finalmente, Red Earth

Conhecido no Japão como War-Zard, Red Earth detém o mérito de ter sido o primeiro game lançado pela Capcom na placa CPS-III, que abarcou os 3 títulos da série Street Fighter III e os dois JoJo's Bizarre Adventure. Ele se destaca dos demais games nesta coletânea por não ser focado em lutas de versus, presente apenas no modo de dois jogadores.

A espinha dorsal de Red Earth é o modo de um jogador, chamado Quest Mode, centrado em lutas contra chefes; o game oferece inclusive um sistema de progressão com passwords, como um RPG antigo, e até por isso, ele oferece apenas quatro personagens selecionáveis: o rei de Savalia e homem-leão Leo, o ninja Kenji (Mukuro no Japão), a artista marcial Mai-Ling (no Japão, Tao) e a feiticeira Tessa (no Japão, Tabasa).

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Red Earth nunca teve um lançamento oficial em consoles de mesa e computadores, e excluindo emuladores, esta é a primeira vez que o game de luta mais diferente da Capcom poderá ser apreciado por jogadores além dos Arcades, 26 anos depois.

Vale notar que Capcom Fighting Collection tem uma série de extras. Um deles é o Museu, que inclui diversas ilustrações dos 10 games, algumas raras, e diversas músicas para ouvir quando quiser, e modos de Treino para 9 dos títulos, sendo a óbvia exceção Super Puzzle Fighter II Turbo. Sem contar os clássicos filtros de tela, para imitar antigos monitores CRT.

Quem comprar a coletânea na pré-venda receberá uma série de bônus, incluindo um código do clássico "3 em 1" Three Wonders (Midnight Wanderers, Chariot e Don't Pull), para ativar em Capcom Arcade 2nd Stadium.

Revival? Não conte com isso

Muita gente se empolgou com o prometido lançamento de Capcom Fighting Collection, apontando para a possibilidade de que a Capcom estaria ensaiando reviver franquias abandonadas, especialmente Darkstalkers.

Porém, em uma entrevista ao site Game Informer, o produtor da coletânea Shuhei Matsumoto tratou de jogar um balde de água gelada nos fãs. Segundo ele, Capcom Fighting Evolution existe como uma desculpa única e simplesmente para viabilizar o primeiro port de Red Earth para consoles e PC, nada mais.

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

Matsumoto explica que seu desejo era "permitir que uma nova geração pudesse jogar" esses games clássicos, e tendo isso em vista, a Capcom não possui maiores planos para novos títulos das franquias envolvidas.

Vale lembrar que já se passou uma década desde o famigerado "Darkstalkers are not dead" na NYCC 2012, dando a entender que um quarto game estaria a caminho, quando, na verdade, a desenvolvedora lançou uma coletânea que foi muito mal recebida, exatamente por ser um trabalho feito sem cuidado.

Por causa disso, a empresa não se animou a tirar os guerreiros da noite de seus caixões, onde eles permanecerão por tempo indeterminado, e Capcom Fighting Collection não vai mudar em nada sua situação.

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

O método da Capcom para retomada de novas franquias é bem controverso, e consiste em testar as águas com coletâneas que precisam vender muito (segundo Yoshinori Ono, mais de 2 milhões de cópias), para viabilizar um novo game. Foi só assim que tivemos Mega Man 11, por exemplo.

Conclusão

Capcom Fighting Collection é um exercício honesto de saudosismo, e um resgate de partes da memória da Capcom que não estavam disponíveis em plataformas atuais (via meios oficiais), especialmente quando olhamos para Red Earth, em seu primeiro port oficial para consoles e PC.

Mesmo que seu lançamento não signifique que veremos novos títulos das franquias Darkstalkers, Cyberbots e etc. no futuro, esta é uma coletânea que reúne alguns dos títulos mais "fora da caixa" que a Capcom lançou para o gênero de luta, que merecem ser revisitados pelos mais velhos, e descobertos pelos mais novos.

Capcom Fighting Collection (Crédito: Reprodução/Capcom)

No mais, esta e as coletâneas anteriores da Capcom focadas em jogos do Arcade servem como uma linha do tempo, para entender como o estúdio evoluiu ao longo das décadas, do primeiro sopapo de Ryu nas máquinas operadas por fichas, até o futuro (e esquisito) Street Fighter 6.

No mais, Capcom Fighting Collection possui uma farta lista de games e vários conteúdos acessórios, que manterão os jogadores entretidos por um bom tempo.

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