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Países Baixos apresentam o DeepFake do Bem

DeepFake é uma tecnologia originalmente maligna que agora está sendo usada para tentar identificar o assassino de um jovem

31/05/2022 às 18:51

DeepFake é uma tecnologia criada com fins exclusivamente malignos. Dizem que nas profundezas da DeepWeb há milhares de vídeos adultos onde os rostos das atrizes foram substituídos, via IA por faces conhecidas, tipo Emma Watson, Scarlett Johansson, Natalie Portman. O que ninguém imaginava é que essa tecnologia fosse usada para o Bem.

Essa imagem é falsa, o Zuckerberg nunca fez esse vídeo. É puro DeepFake (Crédito: Bill Posters UK)

Há quem diga que tecnologia por si só é amoral, nada é inerentemente maligno, com exceção de Zyklon-B e vuvuzelas, mas quando o uso é 99% maligno, impossível desassociar,  então mesmo no caso da Disney usando DeepFake para rejuvenescer Mark Hamill no O Livro de Boba Fett, ainda há um certo mal-estar quando a técnica é mencionada.

Agora DeepFake foi utilizado de novo para reviver pessoas mortas, mas com um objetivo bem mais nobre do que faturar um trocado em Hollywood.

O caso envolve Sedar Soares, um garoto de treze anos que em 2003 deu o azar de estar no lugar errado na hora errada. Ele brincava de guerra de bolas de neve com seus amigos, no estacionamento de uma estação de Metrô em Rotterdam, nos Países Baixos. Uma das bolas atingiu um carro que passava, o motorista desceu, puxou uma arma e atirou contra os garotos, ferindo mortalmente Sedar.

Ninguém conseguiu identificar o agressor, e o caso acabou caindo no esquecimento. Agora a polícia resolveu tentar algo diferente: um vídeo solene e perturbador, com um DeepFake de Sedar caminhando em um campo de futebol, entre parentes e amigos, enquanto uma narração pede para que as pessoas não deixem o crime impune, e compartilhem pistas e testemunhos.

O DeepFake parece ter funcionado, segundo a polícia já receberam dezenas de ligações de gente com pistas sobre o caso. Faz sentido. Um velho ditado fala que uma morte é uma tragédia, um milhão, uma estatística. Campanhas de arrecadação de doações para regiões sofrendo catástrofes humanitárias, trabalham sempre na humanização do problema.

Falar que há dez milhões de crianças passando fome na África não afeta ninguém, a gente não vai comer o brócolis todo por causa disso, mas os marqueteiros sabem como a mente humana funciona, então as campanhas se focam em indivíduos. “Esse é Marvin, ele precisa de ajuda para se alimentar e ir para a escola, com US$ 1 por dia você ajuda Marvin e milhares iguais a ele” e pimba, o dinheiro flui.

Ressuscitar digitalmente Sedar Soares foi uma ótima ideia, humanizar vítimas de crimes violentos é algo que provavelmente vai ser muito usado no futuro, tanto para provocar reações emocionais e ajudar a desvendar crimes, como nos tribunais.

Aguardem, ainda veremos o primeiro caso em que um DeepFake da vítima descreverá seus últimos momentos, para desespero da Defesa.

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