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Resenha: Obi-Wan Kenobi

Obi-Wan Kenobi é um dos personagens mais queridos de Star Wars, e agora Ewan McGregor volta para suas novas aventuras

03/06/2022 às 18:55

Obi-Wan Kenobi não é a faca mais afiada da gaveta, e fez mais bobagens na juventude do que Jar-Jar Binks, mesmo assim para surpresa de todo mundo, sua vida pós-Retorno dos Sith rendeu uma série muito, muito interessante e diferente.

Obi-Wan Kenobi não é um homem feliz (Crédito: Disney+)

O primeiro Star Wars apresenta um Obi-Wan Kenobi velho e cansado, o prometido combate de sabres de luz com Darth Vader não acontece, Ben Kenobi comete SBS, “Suicide by Sith”, sabendo que ele seria mais útil como fantasminha da Força, guiando Luke Skywalker.

Foi o final de uma vida que só entenderíamos vários filmes depois, e isso é especialmente mostrado na nova série do Disney+.

No final de A Vingança dos Sith, Obi-Wan Kenobi está, junto com todos os Jedi, derrotado. Tudo que ele acreditava, a República, os Jedi, tudo destruído. Um Sith Lord agora é Imperador, seu protegido, seu Padawan, seu melhor amigo se voltou para o Lado Negro da Força, e Obi-Wan foi forçado a enfrentá-lo em um duelo até a morte.

Não tá fácil pra ninguém (Crédito: Editoria de Arte)

Não foi assim que ele começou. Obi-Wan Kenobi é o astro de A Vingança dos Sith, ele é mais presepeiro que Han Solo, enfrenta o General Grievous rindo. Com Anakin, são invencíveis.

Com a morte de Padmé e a diáspora dos Jedi remanescentes, Obi-Wan segue para Tatooine após ter a brilhante ideia de esconder Luke Skywalker no planeta onde seu pai nasceu, e ainda entrega o bacorinho pro tio, Owen Lars.

Para completar o Jedi perseguido pelo Império, Obi-Wan Kenobi, vai morar em Tatooine disfarçado com o nome Ben Kenobi. E vestido de Jedi.

A série começa 9 anos depois, com Obi-Wan trabalhando numa peixaria no deserto (não pergunte) e nas horas vagas, fica stalkeando o menino Luke, mandando presentes escondido e invocando a ira do tio Owen, que acha tudo muito esquisito.

Jackpot! (Crédito: Fox)

Mesmo com essa missão, Obi-Wan é apenas uma casca do homem que foi um dia. Vivendo com medo, em uma galáxia oprimida pelo fascismo, ele abandonou tudo que prezava e respeitava, quando Jedi.

Ele não tem mais uma conexão com a Força. Seu sabre de luz está enterrado no deserto. Ele vê, impotente, tropas especiais do Império aterrorizando a população atrás de simpatizantes que estejam acobertando os Jedi. Sim, o paralelo com a SS caçando judeus é tão óbvio que não ficaria mais claro nem se o Grande Inquisidor se chamasse Darth Landa.

Os Inquisidores

Uma Ordem com um Mestre e um Discípulo não é uma Ordem muito grande. Para aumentar seus quadros, os Sith usam Inquisidores. São humanos, sensíveis à Força mas não o suficiente para se tornarem Jedi ou Sith. Eles são treinados no uso (limitado) da Força, e no combate com sabres de luz.

Eles são a SS do Império, enviados em missões especiais, sob as ordens de Darth Vader. Em Tatooine Obi-Wan Kenobi vê Inquisidores torturando e matando inocentes, atrás dos Jedi, e a pior deles é a 3.ª Irmã, Reva.

Os Inquisidores são sinistros (Crédito: Disney+)

Ela é ruim. Mesmo. Sádica. Traíra. Mata mais do que bala de carabina, que veneno estricnina, que peixeira de baiano. Reva é a personagem mais assustadora desde que Darth Vader entrou pelo corredor da nave consular da Princesa Leia, há muito tempo atrás, em 1977.

E por falar em Leia, é aqui que Obi-Wan Kenobi surpreende todo mundo. A gente acha que a série vai ser passar em Tatooine, com o ainda não tão velho Ben stalkeando o guri, mas a ação muda para Alderaan, onde vemos Leia Skywalker, agora Leia Organa, vivendo um dia de princesa. OK, para ela todo dia é dia de princesa, mas como toda princesinha moderna da Disney, Leia é uma danada de uma rebelde.

Ela foge das funções diplomáticas, mente pros pais, se interessa por naves e aventuras, não quer ser rainha, quer explorar a galáxia. Só que ela acaba sequestrada, e tanto o Senador Organa quanto sua esposa, a Rainha Breha, só confiam em uma pessoa para trazer a pequena Leia de volta: Obi-Wan Kenobi.

Reva, a 3.ª Irmã é malvada bagarai (Crédito: Disney+)

Ele não quer o trabalho. Ben não é mais um Jedi atrás de aventuras, ele só quer viver sua vidinha, sumindo na multidão, mas a obrigação do Dever fala mais alto, e ele embarca em uma última aventura atrás da problemática filha de Churrasquinho Skywalker.

A Disney tem lançado várias séries de Star Wars, e mais vêm por aí, mas séries como The Mandalorian e O Livro de Boba Fett são antes de tudo, exercícios de estilo. É lindo ver a estética dos Westerns aplicadas ao mundo de Star Wars, mas isso torna a história menos importante. Não tanto quanto Avatar, claro, mas a linguagem visual é a grande estrela dessas séries.

Poderiam fazer uma coisa toda estilosa meio Lobo Solitário, mas preferiram apenas contar uma boa história (Crédito: Disney+)

Em Obi-Wan Kenobi a estrela é Ewan McGregor, sua profunda tristeza e sentimento de fracasso. Vemos um homem quebrado, seguindo adiante porque ele tem que seguir adiante. Seu primeiro duelo com Darth Vader (sim, claro que tem Darth Vader, Hayden Christensen em pessoa e a sagrada voz de James Earl Jones) é... patético.

A gente sente uma profunda pena de Obi-Wan Kenobi, ele não é páreo para aquele Darth Vader, que aliás está o sádico sociopata Hitler2 que sempre foi insinuado nos filmes, mas nunca tiveram coragem de mostrar.

Entre os Inquisidores, há uma disputa palaciana para obter os favores de Lord Vader, o que faz parte da obsessão de Reva em encontrar Obi-Wan.

Veremos Obi-Wan retomar sua antiga confiança? Será que ele enfrentará Vader de novo, de igual para igual? Que fim levará Leia, e Alderaan? Um planeta tão bonito, uma pena se algo acontecer com ele.

Histórias com heróis relutantes são complicadas, é preciso balancear bem o protagonista. Star Trek: Discovery sofreu muito disso na primeira temporada, quando a personagem principal, Michael Burnham, parecia querer estar em qualquer lugar do Universo MENOS naquela nave estelar. E se ela não quer, por que diabos nós iriamos querer acompanhar a história?

O Senador Bail Organa visita a Obi-Caverna para implorar que Obi-Wan parta em busca de Leia (Crédito: Disney+)

Em Obi-Wan Kenobi há um bom equilíbrio, Kenobi não quer estar ali mas não fica reclamando, ele segue com sua missão, dando sorte da Força ser o Poder mais inconsistente da galáxia, com Vader passando a metros da filha e do mentor sem perceber nenhum dos dois.

Conclusão:

Obi-Wan Kenobi traz rostos familiares, novos nomes antigos - Vivien Lyra Blair está ótima como a Pequena Leia, e novos nomes para a mitologia. Moses Ingram está sublime, assustadora como a 3.ª Irmã, e a menos que criem algum arco idiota de redenção para ela, entrará para a História como uma das grandes vilãs de Star Wars. Além da ótima trilha original de John Williams, que depois de 20 anos voltou a compor para Star Wars.

Quem viver, verá. Vocês não, tio Owen e Tia Beru.

Trailer:

Cotação:

3,5/5 Porgs. Fiquei com preguiça de buscar bicho novo.

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