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Será o Starfield apenas uma evolução do No Man's Sky?

Todd Howard revela detalhes do Starfield e mostra porque o jogo da Bethesda poderá conquistar quem gosta de ficção científica e exploração espacial

15/06/2022 às 9:43

Criar uma expectativa exagerada em relação a algum jogo é sempre muito arriscado, mas quando uma empresa como a Bethesda se aventura pela ficção científica e promete nos colocar para explorar mais de mil planetas, como não ficar empolgado? Porém, algumas pessoas têm criticado o Starfield por parecer apenas uma variação do No Man's Sky e seria essa uma reclamação justa?

Starfield

Crédito: Divulgação/Bethesda

Com o trailer do Starfield tendo se tornado um dos mais comentados do Xbox & Bethesda Games Showcase, muitas pessoas passaram a associar o novo jogo à criação da Hello Games e não foi para menos. Nele usaremos um laser para minerar, nos depararemos com criaturas estranhas e exploraremos estações de pesquisas enquanto viajamos de um planeta a outro.

Há até quem tenha classificado o título das Bethesda como um “No Man's Sky feio” e gostos a parte, Todd Howard aproveitou uma entrevista concedida ao site IGN para explicar alguns detalhes do Starfield, a começar pela exploração espacial.

Segundo o game designer, um dos conceitos propostos pela sua equipe era a implementação de cem sistemas solares, permitindo assim que o jogador explorasse aquele universo livremente. Porém, isso não os impediu de vetar ideias que não consideravam cruciais, como, por exemplo, a transição do espaço para a superfície dos planetas.

“As pessoas perguntam: ‘Podemos voar uma nave direto para o planeta?’ Não,” revelou Howard. “Decidimos ainda no início do projeto que a superfície é uma realidade e quando você está no espaço, é outra realidade.”

Para ele, a quantidade de tempo necessário para a implementação de algo assim não se justificava, afinal essa transição não seria algo importante para o jogador. O foco então passou a ser entregar uma experiência que pudesse ser considerada fantástica tanto quando estivermos no solo, quanto no espaço.

E para chegar a esse objetivo a Bethesda recorreu a algo que a empresa vem utilizando há muito tempo, que é a geração procedural de ambientes e conteúdo. Porém, mesmo com boa parte do que encontraremos no Starfield tendo surgido desta maneira, Todd Howard garante que nenhum jogo feito por eles conta com tanto conteúdo criado manualmente.

“Estamos acima de 200 mil linhas de diálogos, então ainda temos muito [conteúdo] artesanal e se as pessoas quiserem simplesmente fazer o que elas costumam fazer nos nossos jogos e seguir a missão principal, a linha de missões, verão o que esperam de nós.”

Howard então disse que aqueles que não estiverem muito interessados em seguir a história principal poderão simplesmente escolher um planeta, estabelecer um posto avançado por lá e ficar observando o pôr do sol. A liberdade existirá e se a pessoa preferir viver sua vida dentro do Starfield de uma maneira diferente da proposta principal, sem problema.

Já para quem preferir conhecer a história que a Bethesda tem a contar, ela deverá durar algo entre 30 e 40 horas, o que fará com que o novo jogo seja cerca de 20% maior do que os títulos anteriores da empresa. Para quem passou centenas de horas num Fallout ou The Elder Scrolls, o tempo pode parecer curto, mas aí o estúdio não está considerando as missões paralelas e todos os extras presentes no jogo.

Crédito: Divulgação/Bethesda

Portanto, o que não deverá faltar no Starfield será conteúdo e lugares para serem explorados. Por mais que boa parte dos mais de mil planetas disponíveis eventualmente não tenham muita diferença entre si, a curiosidade certamente fará com que muitas pessoas fiquem saltando de um lugar a outro, só para saber o que pode ser encontrado por lá. Some a isso o que os modders poderão criar após o lançamento do jogo e não será surpresa se ele se mantiver relevante por muitos anos, assim como aconteceu com o Skyrim.

O curioso é pensar que mesmo em se tratando de um jogo tão grande, ele contará com apenas quatro grandes cidades. Segundo Howard, dessas, New Atlantis responderá como a maior cidade que a Bethesda já criou para um jogo, com a capital da facção conhecida como United Colonies servindo como ponto de partida para o enredo.

Será por lá que encontraremos muitas missões, grupos em conflito uns com os outros ou poderemos melhorar nossa nave. Por falar nisso, quem esperava poder personalizar a nave tem o que comemorar, já que no Starfield essa deverá ser uma parte importante da jogabilidade.

Com as naves sendo montadas de maneira modular, poderemos alterar desde áreas como o compartimento de carga até o trem de pouso, passando pela cabine e elementos estéticos. Caberá ao jogador decidir em quais partes ele prefere investir, fazendo da sua nave um veículo mais rápido, mais poderoso no ataque ou mais bem equipado para viajar por longas distâncias.

Crédito: Divulgação/Bethesda

Tudo isso terá impacto direto nos combates e apesar da Bethesda tem mirado em uma experiência única, as batalhas espaciais serão fortemente inspiradas em títulos como FTL: Faster Than Light e MechWarrior, nos fazendo tomar decisões que poderão representar o sucesso ou o fracasso.

“A sua nave possui vários sistemas de força,” explicou Todd Howard. “Há um pouco de FTL ali em termos de colocar uma quantidade de energia nos três sistemas de força para as armas. E então há os motores, os escudos e a unidade gravitacional, que é o que permite que você salte e saia de algumas situações em que precisará colocar alguma energia.”

Já a influência do MechWarrior poderá ser sentida na cadência dos combates, que acontecerão numa velocidade mais baixa do que algumas pessoas poderiam esperar. O game designer ainda chamou a atenção para um recurso interessante, que é a possibilidade de nos acoplarmos a outras naves, as invadirmos e assim podermos assumir o seu controle.

Quanto a pergunta sobre a possibilidade de o Starfield não passar de um No Man's Sky melhorado, particularmente não vejo isso como um problema. Eu já gostei da criação da Hello Games e se a Bethesda conseguir levar aquele conceito um passo adiante, só terei motivos para comemorar.

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