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A TV Interativa chegou, mas pra que ela serve mesmo?

Testamos o Ginga com as três emissoras que já oferecem aplicativos para TV em São Paulo.

11 anos atrás

Há algumas semanas, a Sony liberou uma atualização habilitando o Ginga (ou seja, o Middleware usado para interatividade na TV Digital brasileira) nas suas TVs da "linha 2010". Como tenho uma dessas TVs, logo atualizei para ver como é a tal TV Interativa.

No exterior, ela é considerada um fiasco, mas será que por aqui a história se repete?

Uma curiosidade: logo após a atualização, o Ginga estava desativado. Primeiro era necessário ir nas configurações da TV e ativá-lo. Além da opção de ativar/desativar a interatividade, é possível escolher se os aplicativos serão iniciados automaticamente ou não. Caso o "auto-início" não esteja habilitado, ainda é necessário, ir no menu de opções, selecionar "Aplicações Interativas" e então escolher qual aplicativo você quer iniciar. E depois disso você tem que esperar, esperar, esperar.... Como os aplicativos são transmitidos "em carrossel" junto com o sinal da emissora, a TV tem que esperar até que ele seja transmitido novamente para conseguir iniciá-lo.

Então aparece algum ícone na tela, convidando o espectador a apertar o botão central (geralmente chamado "Ok") do controle para iniciar a aplicação. Acho que para o "Homer Simpson", toda essa via sacra é bem complicada. Se esse for o padrão para as TVs assim que saem da caixa muita gente nem saberá o que é interatividade...

Aqui em São Paulo, três emissoras estão com a interatividade habilitada: SBT, Globo e Band.

De todos, o do SBT é o mais simples: mostra algumas manchetes, destaques da programação e promoções (estes dois últimos ainda aparecem em branco). Além disso, oferece uma enquete.

O da Globo, que tem a Copa do Mundo como tema, é mais elaborado. Mostra a tabela de jogos, a escalação das seleções que jogam no dia e a tabela de classificação. Também oferece uma enquete e um "bolão interativo", que supostamente premia quem acertar o placar do próximo jogo.

O da Band, também da Copa do Mundo, é o mais completo: Mostra dados da seleção brasileira (estatísticas, história e jogadores) e da Copa no geral — essa com informações da rodada, das seleções (inclusive o perfil de todos os jogadores) e dos estádios. É o único a não oferecer nenhuma enquete ou algo do gênero, mas traz bastante informação, o que pode ser útil para sanar alguma dúvida sobre a Copa sem sair do sofá.

E um pequeno detalhe da TV Interativa: como não é possível enviar dados pelo sinal da TV, para algumas funções, como enquetes, você precisa de um canal de retorno. Atualmente, o único canal de retorno possivel é usando uma conexão com a internet, via banda larga, já que as TVs e settop boxes só possuem entrada para cabo de rede (ou WiFi). Então, para usufruir completamente da TV Interativa, é necessário também possuir banda larga em casa e compartilhar a conexão com a TV. Algo que pode não ser trivial para o "Homer Simpson".

Quando a TV Digital começou a ser implementada, o governo falava muito em usar a interatividade para inclusão digital, aproveitando que a TV está presente em mais de 90% dos lares brasileiros. A intenção era levar os serviços do "governo eletrônico" para a TV e facilitar o acesso à maioria. Só que esses serviços prcisam enviar dados para os servidores do governo, exigindo um canal de retorno. Hoje, estariam limitados aos que já possuem banda larga em casa — e que certamente já possuem computador em casa, diminuindo bastante a utilidade desses serviços.

Para atingir às massas, o ideal seria um canal de retorno gratuito, mas é algo bastante difícil de se concretizar... Afinal, quem vai arcar com os custos da transmissão? Emissoras? Fabricantes de TV? Governo? O mais próximo da realidade seria alguma TV com 3G integrado e um plano gratuito que desse acesso apenas aos servidores das emissoras, algo como o Amazon Kindle. Mas a Amazon paga a conta do 3G com as vendas de e-books; como ficaria isso nas TVs?

Mas acho que ainda assim a interatividade pode se tornar bem útil se as emissoras souberem explorar bem as possibilidades dela. Guias de programação e aplicativos sobre determinado programa (um sobre novelas seria ideal pra muita gente) podem ser interessantes mesmo sem um canal de retorno. Serviços mais elaborados acabam ficando de fora, ao menos por enquanto.

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