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eReader? De graça eu quero!

10 anos atrás

O Kindle vende, é fato. E muito. Mas isso é uma aberração. Ainda é algo motivado por early adopters. Não é o público leitor de papel. Material em domínio público ainda é avidamente adquirido por muitos dinheiros em forma impressa. Há prova maior de que o eReader não pegou ainda?

O problema aparentemente é o preço, mas em verdade ele é apenas o causador do problema em si, que é a ausência de leitores. Quando você tem um livro e um amigo pede emprestado você fica sem o livro, mas se empresta o Kindle, fica sem a biblioteca inteira. Sim, eu sei que há recursos para emprestar livros mas para isso o sujeito tem que ter um Kindle também e há toda uma burocracia digital. Falo de emprestar, na mão mesmo.

Você também não pode deixar uns livros no banheiro, outros na sala, outros na biblioteca. Se não morar sozinho, prefira futuros ex-presidentes latino-americanos, do contrário terá que disputar o eReader. Ou então comprar um pra cada um. <felipe neto mode on>NÃO FAZ O MENOR SENTIDO você ter UM leitor de ebooks em casa. NÃO é um aparelho que nasceu para ser caro, não é um gadget multifuncional cheio de firulas e demandas de recursos. </felipe neto mode off>

A Amazon ainda acha que vende o Hardware, mas já está acordando. Kindle pra iPhone, pra iPad, pra Android, só não tem pra Symbian. Nook? Já tem pro iPhone. Estamos vendo uma migração do hardware pro software. O Kindle deixa de ser um aparelho físico, vira uma plataforma. MESMO existindo como leitor físico. Que por sua vez fica mais e mais barato, mais e mais fácil e usar e transparente.

Lembram quando pendrive era chique e exclusivo? Jornalistas se matavam em coletiva pra ganhar pendrive, mortais obrigados a comprar os seus guardavam como se fosse o Anel Um. Hoje o pessoal prefere que a coletiva termine com um "mandei o material pro email de vocês" do que com mais um pendrive.

O valor intrínsico é todo do conteúdo, a mídia se torna totalmente irrelevante. Aconteceu com o pendrive, aconteceu com o CD-ROM (em escala), aconteceu com o papel, mas para o leitor eletrônico funcionar como em Star Trek, é preciso um modelo um pouco diferente do atual. Como seria? Tenho uma boa idéia:

Vamos manter a metáfora de biblioteca. Você tem uma coleção de livros que estão na Nuvem. Você tem uma lista de dispositivos autorizados a acessar a sua Nuvem. Seus livros podem ser acessados desses dispositivos, mas somente de um de cada vez. Esses dispositivos são baratos, muito baratos. Uma livraria de verdade vende livros e você ganha um, sem aumento perceptível no custo. Revistas saem com dispositivos encartados (achou que ia se livrar da Linux Magazine?). Feiras de Informática dão de brinde.  Você pode deixar esses dispositivos espalhados pela sua casa, como deixa seus livros revistas e gibis.

Com isso tem o melhor de dois mundos, a portabilidade do livro eletrônico E a displicência e casualidade de uso do papel. Não podemos tratar material de leitura como se fossem (e são, ainda) gadgets de centenas de dólares.

É um cenário viável?

Depende se o mercado editorial acredita na distribuição eletrônica ou não. iPad é vitrine. O eReader ideal tem que ser algo que você possa esquecer no banco do metrô, dar de ombros e seguir adiante, sem o menor problema, como livro de Crepúsculo. Eu acho, nunca perdi um. digo, nunca comprei um ou li, tá me estranhando?

[UPDATE]

Como sempre me esqueço da incapacidade de abstração de grande parte das pessoas, então vamos lá; no modelo proposto quando falo que só seria possível um download de cada vez me refiro a um download de CADA LIVRO, assim como você só pode retirar uma cópia FÍSICA de um livro da biblioteca de cada vez. Duas pessoas não podem ler o mesmo livro. Achei que a metáfora da biblioteca havia deixado isso claro mas pelo visto a maioria nunca entrou em uma.

Segundo: NÃO FAZ SENTIDO o aparelho só comportar UM livro de cada vez, quem racionalizou isso (se é que posso usar o termo) carece tanto de imaginação que está além de qualquer ajuda.

terceiro: Dispositivos não-descartáveis que podem ser reutilizados inúmeras vezes são MUITO mais benéficos ao ambiente do que a boa e velha indústria de papel. Eu sei que os ecochatos odeiam qualquer coisa que use tecnologia mais avançada que o fogo, mas o mundo evolui, vivam com isso.

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