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[Hands-on] GNOME 3 por um usuário de Windows

Testamos o GNOME 3, nova versão de um dos ambientes mais populares em distribuições Linux.

9 anos e meio atrás

GNOME logo.Não escondo de ninguém minha predileção pelo Windows nos meus computadores. Isso não me impede, porém, de vez ou outra me aventurar em ambientes diferentes, especialmente os das distribuições Linux, sempre cheio de invencionices e efeitos bonitos, que chamam a atenção.

Hoje saiu a versão final do GNOME 3, rompendo com muitos paradigmas não só do próprio GNOME, como do que se convencionou ser o "padrão" das interfaces gráficas de sistemas desktop. Baixei uma das distribuições sugeridas pelo próprio site do GNOME para testar a novidade, no caso, o Fedora, joguei a imagem para um pen drive e inicie uma sessão temporária num netbook Lenovo X100e. As impressões, a seguir!

Desktop do GNOME 3.

Desktop do GNOME 3. (Clique para ampliar)

A primeira é, devo confessar, muito boa. Mesmo num netbook, o sistema conseguiu subir o GNOME Shell. O papel de parede padrão, com listas azuis, e o esquema de cores das janelas e elementos da interface misturando tons de cinza e preto, agradam muito. E isso é crucial, já que, a menos que esteja muito, mas muito escondido, a única coisa passível de ser alterada na interface é o wallpaper. O esquema de cores, não.

Esqueça menus tradicionais e outras convenções há anos usadas pelo Windows e seguidas à risca pelas interfaces do universo Linux. O GNOME 3 apresenta apenas uma barra, no topo, dividida em três partes:

  1. À esquerda, o equivalente ao menu Iniciar, chamado de "Activities", juntamente ao programa em foco no momento (e só ele);
  2. No centro, dia da semana e hora;
  3. À direita, atalhos de acessibilidade, som, rede, bateria e um menu central, que dá acesso a opções do sistema e, aparentemente, pode ser usado por outros programas — o Empathy, cliente de bate-papo, põe ali os atalhos para status.

O Activities é ativado pelo simples passar do mouse sobre, dispensando clique. Ele esmaece a imagem e divide a tela em três blocos. Na barra à esquerda, ficam os programas favoritos, "pinados" pelo próprio usuário.

Activities, no GNOME 3.

Activities, no GNOME 3. (Clique para ampliar)

No centro, há duas abas, uma "Windows", onde as janelas em execução ficam dispostas num esquema que lembra muito o Exposé, do Mac OS X, e a Applications, que é o menu contendo todos os programas instalados no sistema, divididos em categorias. Além disso, ainda tem a busca universal, que funciona simplesmente digitando, sem a necessidade de apontar o mouse para o campo de busca.

Aplicativos e utilitários, no GNOME 3.

Aplicativos e utilitários, no GNOME 3. (Clique para ampliar)

Por fim, os ambientes virtuais, à direita, sempre exibindo um ambiente a mais do que o usado. É possível arrastar janelas entre o Exposé-like e as miniaturas dos ambientes virtuais, um sistema bem lógico e intuitivo.

Outro detalhe pra lá de legal é o sistema de notificações, no rodapé da tela. No bate-papo, por exemplo, aparecem ali as últimas mensagens. Se você passa o cursor do mouse sobre, a linha se expande e dá, inclusive, para responder a mensagem por ali mesmo.

Notificações no rodapé da tela.

Notificações no rodapé da tela. (Clique para ampliar)

Muitos elogios, mas há críticas, também. A decisão de remover os botões de minimizar e maximizar janelas foi bem infeliz, principalmente porque não há atalhos no teclado, nem um comando fácil com o mouse (como o clique duplo para maximizar) que supra essa ausência. Quer minimizar? Botão direito na barra de título, clique em "Minimizar".

Ainda falta (muito) polimento no sistema. O esquema de notificações não raro fica meio maluco e dessincronizado da janela de bate-papo, essa dentre outras inconsistências pequenas, mas que incomodam.

O pior, mesmo, é a abordagem restritiva à personalização do sistema. Justo no Linux, onde isso era, até pouco tempo atrás, exaltado como uma das melhores características do sistema/ambiente gráfico. Não dá para mudar o esquema de cores, e o painel de controle é mais enxuto que, se duvidar, o do Windows 95.

Isso não seria muito problema se as opções fossem concentradas em poucos menus, mas não parece ser o caso. Vira e mexe se tem a vontade de alterar um detalhe e, ao dar de cara com o System Settings, cadê? Não tem, ou se tem, está num campo sem sentido, de difícil acesso e/ou compreensão.

O GNOME 3 é uma quebra dramática de paradigmas, mas uma quebra ainda cheia de arestas a aparar. A interface é intuitiva e muito bonita, mas ainda carece de refinamentos que a longa estrada de desenvolvimento do GNOME 2, por exemplo, alcançara após anos de trabalho duro. Com a Unity se tornando padrão no Ubuntu, a distribuição que, vendo de fora, puxa tendências no Linux, a situação é bem complicada para os que curtem o GNOME. A história, afinal, se repete; lembro, apesar de não ter testado na época, da chuva de reclamações que foi o lançamento do KDE 4. Demorou alguns meses e algumas versões para acertarem os detalhes. O GNOME parece trilhar a mesma direção nessa terceira versão.

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