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Vocaloid–A praga japonesa que ao menos ainda não saiu do Japão

10 anos atrás

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Antigamente era precisa um certo talento para fazer sucesso no mundo da música. Mesmo as bandas ruins tinham o mérito de saber tocar seus instrumentos, seus vocalistas não desafinavam. Só que com o surgimento da MTV os produtores perceberam que o lado musical das bandas era bem menos importante que o visual.

Assim bandas medíocres com vocalistas gatinhos (estou olhando pra você, Bon Jovi) ganharam destaque. Suas deficiências técnicas eram compensadas em estúdio, com softwares como o ProTools, que faz mágicas com a voz alheia.

O tempo passou e o mercado jovem se fortaleceu. Teens e Tweens queriam astros e estrelas de suas próprias idades, e achar um moleque de 13 anos que cante como profissional não é mole. Alguns produtores chegam a pegar meninas, cortar o cabelo curto e vender como homem, criando até romances falsos com a Selena Gomez pra disfarçar.

Como nem o ProTools sozinho conseguia transformar esse pessoal em cantor, inventaram um plugin chamado… AutoTune. Na versão oficial ele corrigiria erros de afinação, mas na prática ele pega uma música muito mal-cantada, fora de ritmo e de tom, e a transforma em algo… ouvível.

Usado de forma exagerada o autotune transforma a voz em algo metálico, robótico, sem vida ou originalidade, gerando um vibrato artificial que grita “não sei cantar sem muletas”.

MESMO ASSIM não foi o suficiente. Os produtores queriam algo que pudessem ter controle total, evitando assim que astros pop-teens façam pedidos questionáveis a seus fãs.

Mas… como tirar o ser humano da jogada? Será possível que um software cante?

Sim, e faz tempo. Baseado em uma pesquisa de uma universidade espanhola um projeto bancado pela Yamaha deu a luz em 2004 ao Vocaloid, um software cuja função é unir letra e partitura, gerando uma versão cantada da música. Sem base original, sem nada.

Como funciona? Digamos que tem versão até pro iPad. Veja a simplicidade:

Fosse no tempo das Rainhas do Rádio o problema estaria resolvido. Um iPad, uma modelo fazendo fotos de divulgação e pronto, nossa estrela estaria no ar. Mas hoje o público é mais exigente, não aceitaria uma fraude, um Milli Vanill, certo?

Certo. O público, ao menos o japonês, quer algo original. Nem que esse algo se chame Hatsune Miku, uma personagem de anime, a que ilustra o início deste texto.

O quanto ela é convincente? Veja o software em versão desktop abaixo:

Basta?

Não para os fãs. Afinal se a bicha canta (feminino de bicho. Sossegue, Justin) E tem uma cara, deveria se mexer e-porque não?- fazer shows. Estão no Japão, afinal.

Os produtores, que de bobos não tem nada, bolaram o conceito de “show holográfico” onde os fãs iriam assistir sua cantora sintética em 3D.

Na prática é uma projeção em uma parede de vidro ou acrílico, não tem nada de holográfico, mas para os fãs isso não importa. Veja:

Quer dizer: Temos uma cantora ídolo pop teen que não existe exceto como personagem de anime, e cuja voz é totalmente sintetizada. NADA nela existe. E lota estádios.

Peço até um minuto de silêncio pelo projeto 366 Músicas do Nick.

A GRANDE sorte nossa é que por enquanto não há –que tenha surgido em minha pesquisa- Vocaloid em português. No dia em que liberarem veremos uma profusão de fantoches, bonecos e mulheres-fruta “cantando”, ajudando a pasteurizar cada vez mais a triste realidade do pop moderno.

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