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Este maglev japonês atinge 500 km/h e é um dos trens-bala mais modernos do mundo

Emerson Alecrim

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Foram necessários pelo menos seis anos de intenso trabalho, mas os japoneses conseguiram: o trem de codinome L0 conseguiu completar um percurso de 42,8 quilômetros com absoluto sucesso, chegando a superar a velocidade de 500 km/h. Seria apenas mais um projeto de trem-bala se não fosse por um detalhe: o L0 se locomove via levitação magnética (maglev) e representa a próxima geração de transporte de massa do Japão.

Maglev L0

Maglev L0

Este tipo de tecnologia faz com que o trem utilize as propriedades repulsivas do magnetismo para percorrer o trajeto. Lembra quando você brincava com ímãs e eles grudavam assim que aproximados (polos opostos se atraem) e se repeliam quando a posição de um deles era invertida (polos iguais se repelem)? O maglev se baseia neste princípio.

Bobinas dispostas ao longo da linha fazem com que o trem levite a uma distância bem curta do solo. Mudanças frequentes e muito rápidas na polaridade destas guiam o movimento da composição para frente. Como não há atrito de rodas com trilhos, o veículo consegue atingir velocidades bastantes elevadas.

Maglev - princípio

Levitação magnética

Maglevs são testados no Japão há vários anos e já são utilizados em alguns países, mas em distâncias relativamente curtas por causa de seus elevados custos de implementação e manutenção. As tecnologias por trás do L0 visam justamente viabilizar a construção de linhas de levitação magnética de maior extensão.

A característica mais notável deste trem é o seu carro-líder, que tem 28 metros de extensão, sendo 15 deles correspondente ao seu “nariz”, alongado para diminuir o atrito com o ar. Não há para-brisa frontal porque a composição é controlada remotamente, por computadores. Um câmera na ponta do carro dá ao centro de controle (e aos passageiros) a visão frontal do percurso.

Carro-líder do maglev japonês

Carro-líder do maglev japonês

Para tornar a composição mais leve, os engenheiros equiparam o L0 com janelas de tamanho reduzido, uma vez que estas exigem vidros consideravelmente pesados para proporcionar resistência. A necessidade de leveza também foi o motivo para a aplicação de ligas de alumínio na carcaça dos carros do trem.

Para evitar danos causados pelas altas velocidades, camadas de carbono plástico reforçado com fibras especiais também foram aplicadas às carcaças. Trata-se da mesma tecnologia utilizada nas asas de determinados modelos de aviões.

A previsão é a de que o maglev japonês entre em operação a partir de 2027, ligando as cidades de Tóquio e Nagoya, que ficam a 348 km uma da outra, em cerca de 40 minutos. Em 2045, a linha deverá ligar Tóquio a Osaka (505 km) em aproximadamente uma hora; os trens-bala atuais leva mais do que o dobro de tempo para fazer o mesmo trajeto.

É um prazo muito longo, se levarmos em conta que o protótipo vem sendo testado à velocidade máxima (505 km/h) e com passageiros desde junho deste ano, o que sugere que este é um projeto já bastante maduro. A razão de tamanha demora é que, apesar do sucesso dos testes, ainda há uma série de aspectos que precisam ser estudados.

O impacto ambiental é um deles – a linha passará pelos Alpes japoneses e por regiões densamente povoadas. A capacidade de transporte do trem também precisa ser analisada. Nos testes feitos recentemente, a composição rodou com cinco carros, cada um podendo transportar até 68 passageiros. Só que o projeto original prevê um trem com 14 carros, além do carro-líder e do traseiro.

Alguém duvida que os japoneses chegarão lá?

Com informações: DailyTech